Pra Cima, Ciça! foi o enredo apresentado pela Unidos do Viradouro no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro do carnaval de 2026. O samba-enredo homônimo foi composto por Claudio Mattos, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet, Anderson Lemos, Sandrinho e Thiago Meiners, sendo interpretado no desfile pelo cantor Wander Pires. Com o desfile, a escola conquistou o seu quarto título de campeã do carnaval carioca, dois anos após a conquista anterior, em 2024.
O enredo da Viradouro homenageou Mestre Ciça, diretor de bateria da escola e figura histórica da agremiação e do carnaval carioca. O homenageado participou da Comissão de Frente do desfile e retornou ao final da apresentação, onde subiu, junto com a Bateria Furacão Vermelho e Branco, na última alegoria, repetindo um dos momentos mais marcantes de sua carreira, quando a bateria da Viradouro desfilou em cima de um carro alegórico no carnaval de 2007. O enredo "Pra Cima, Ciça!" foi assinado pelo carnavalesco Tarcisio Zanon, que conquistou seu terceiro título na elite do carnaval carioca.
A Viradouro foi a terceira escola a se apresentar na segunda noite do Grupo Especial, na madrugada da terça-feira de carnaval, dia 17 de fevereiro de 2026. O desfile foi aclamado pela crítica especializada, ganhando adjetivos como "histórico", "emocionante", "arrebatador" e "apoteótico". A Viradouro recebeu todos os principais prêmios de carnaval, dentre eles o Estandarte de Ouro. A escola também teve a comissão de frente e o enredo mais premiados do ano. A Viradouro venceu o carnaval de 2026 com um décimo de vantagem sobre a vice-campeã, Beija-Flor. A escola recebeu apenas duas notas abaixo da máxima, mas, seguindo o regulamento do concurso, as duas foram descartadas. Com isso, a escola foi campeã com a pontuação máxima de 270 pontos.
Antecedentes esquerda|miniaturadaimagem|300x300px|Abre-alas da Viradouro no desfile campeão do carnaval de 2024.
Retrospecto Após passar por alguns anos de crise financeira, a Viradouro reestruturou-se com a chagada de Marcelo Calil Petrus e seu filho Marcelinho Calil ao comando da escola em 2017. A nova diretoria sanou as dívidas da agremiação e contratou profissionais gabaritados, vencendo a Série A de 2018. Em seu retorno ao Grupo Especial, no carnaval de 2019, a escola foi vice-campeã por três décimos de diferença para a campeã, Mangueira. No carnaval de 2020, a Viradouro conquistou seu segundo título de campeã do carnaval carioca, quebrando o jejum de 23 anos sem conquistas. A escola desfilou com o enredo "Viradouro de Alma Lavada", assinado pelos carnavalescos Tarcisio Zanon e Marcus Ferreira. No carnaval de 2022, foi a terceira colocada com um desfile sobre o carnaval de 1919, realizado após a pandemia de Gripe Espanhola. Após o desfile, Marcus Ferreira se transferiu para a Mocidade Independente de Padre Miguel. Tarcísio Zanon foi mantido e assumiu a escola sozinho, conquistando o vice-campeonato do carnaval de 2023 com um desfile que narrou a história de Rosa Maria Egipcíaca. No carnaval de 2024, a Viradouro conquistou seu terceiro campeonato no Grupo Especial. A escola desfilou com o enredo "Arroboboi, Dangbé", de Tarcisio Zanon, sobre a história do culto ao vodu Dambê. No carnaval de 2025, a Viradouro apresentou um enredo sobre Malunguinho, uma falange espiritual afro-ameríndia presente nos terreiros de Catimbó, Toré e Umbanda, inspirada na figura de João Batista, último líder do Quilombo do Catucá, e obteve o quarto lugar do Grupo Especial, o pior desempenho da agremiação desde seu retorno à primeira divisão.
Preparação para 2026 miniaturadaimagem|300x300px|Tarcisio Zanon, carnavalesco e autor do enredo da Viradouro para 2026.|esquerdaDepois do desfile de 2025, a Viradouro reformulou seu quadro de casais de mestre-sala e porta-bandeira, mantendo apenas o primeiro casal (Julinho Nascimento e Rute Alves). O novo segundo casal foi formado por Leonardo Thomé e Pietra Brum, substituindo Thiaguinho Mendonça e Amanda Poblete. Cauã Silva e Clara Martins formaram o novo terceiro casal, substituindo João de Oliveira e Duda Martins. A rainha de bateria, Erika Januza foi desligada do posto após quatro anos consecutivos na escola. Mestre Ciça convidou Luma de Oliveira, que foi sua Rainha de Bateria na Viradouro entre 1999 e 2003, mas a ex-modelo recusou o convite, alegando que "não poderia aceitar porque o queria como figura absoluta desse enredo que é dele". A escola ainda convidou ela pra desfilar numa alegoria, mas Luma novamente recusou dizendo fazer mais sentido "reverenciá-lo assistindo na própria Avenida". Com a negativa de Luma, Ciça convidou Juliana Paes, que foi sua Rainha de Bateria na Viradouro entre 2004 e 2008. A atriz aceitou o convite, retornando ao posto após dezessete anos. Foram as únicas alterações feitas, já que a escola renovou os contratos com os demais membros de sua equipe, incluindo o carnavalesco Tarcisio Zanon, o intérprete Wander Pires, os coreógrafos da comissão de frente (Priscilla Mota e Rodrigo Negri), diretor de bateria (Mestre Ciça), diretores de carnaval (Alex Fab) e harmonia (Dudu Falcão, Marcos Mendes e Jefferson Coutinho). No dia 11 de abril de 2025 foi sorteada a ordem de apresentação das escolas de samba para o desfile de 2026. A Viradouro foi sorteada para ser a terceira agremiação a se apresentar na segunda noite (segunda-feira) do Grupo Especial. Ao longo das semanas que antecederam o desfile, a Viradouro realizou diversos ensaios em sua quadra e na Avenida Ernani do Amaral Peixoto, em Niterói. A escola realizou o seu primeiro ensaio técnico no Sambódromo na noite de 1 de fevereiro de 2026. O segundo ensaio técnico da agremiação no Sambódromo foi realizado na noite de 8 de fevereiro de 2026.
O enredo miniaturadaimagem|300x300px|Mestre Ciça foi escolhido como homenageado do enredo da Viradouro. A Viradouro anunciou seu enredo no dia 6 de maio de 2025. Desenvolvido pelo carnavalesco Tarcisio Zanon e pelo enredista João Gustavo Melo, "Pra Cima, Ciça!" é uma homenagem ao diretor de bateria da escola, Mestre Ciça. O anúncio foi realizado durante um evento na quadra da escola e surpreendeu o próprio homenageado, que ficou emocionado diante da torcida e dos segmentos da agremiação. A sinopse do enredo foi divulgada em 6 de junho de 2025, num evento na quadra da Estácio de Sá, escola de origem de Ciça. "Me pegaram de surpresa, estou até agora meio tonto, mas feliz. A ficha está caindo devagar. Foi uma emoção muito grande e a recepção na quadra foi uma coisa surreal. Lógico que os campeonatos são importantes, mas o maior troféu que ganhei na minha vida foi naquela quadra, com todo mundo emocionado, a aceitação do enredo. A Viradouro fez um golaço, minha homenagem em vida".
Desenvolvimento esquerda|miniaturadaimagem|300x300px|O leão, símbolo da Estácio de Sá e da Deixa Falar no abre-alas da Viradouro. O enredo foi desenvolvido em cinco setores ao longo do desfile. O primeiro setor retratou a infância de Ciça no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, no final da década de 1920, quando surge a primeira agremiação denominada como "escola de samba", a Deixa Falar. Também foi no Estácio, conhecido como "Berço do samba", que sambistas criaram o "samba de sambar", com andamento mais rápido, notas mais longas e uma cadência diferente do samba da Cidade Nova e do maxixe. Foi nesse ambiente, no Morro de São Carlos, tendo artistas como Bide, Ismael Silva, Gonzaguinha e Luiz Melodia, que o menino Ciça cresceu. A Deixa Falar foi extinta em 1933, mas seus remanescentes criaram outras escolas de samba, como a Estácio de Sá, fundada em 1955 com o nome de Unidos de São Carlos. A Estácio herdou da Deixa Falar as cores vermelho e branco e o leão como símbolo. Em 1971, Ciça tornou-se passista da Estácio. Também foi mestre-sala do Bloco dos Peninhas, uma dentre muitas agremiações carnavalescas do bairro. miniaturadaimagem|300x300px|O "trenzinho caipira" da Estácio no carnaval de 1992, ano do primeiro campeonato de Ciça.|esquerda O segundo setor do enredo abordou a transformação de Ciça em mestre de bateria. Aos poucos o jovem Moacyr foi aprendendo os segredos da percussão até se tornar ritmista. Após o carnaval de 1988, o experiente Hélio Macadame convidou Ciça para substituí-lo e se tornar o líder da bateria da Estácio, apelidada de Medalha de Ouro. Assim, no carnaval de 1989, Ciça estreou como Mestre de Bateria, conquistando a nota máxima de todos os jurados do concurso. Ainda na Estácio dos anos 80, Ciça inovou ao mudar a posição de tocar o instrumento conhecido como caixa-de-guerra. Usualmente carregadas na altura da cintura, os ritmistas estacianos passaram a carregá-las nos ombros, permitindo um andamento mais acelerado do samba, o que viraria uma forte característica na carreira de Ciça. No carnaval de 1992, a Estácio de Sá foi campeã tendo Ciça como mestre de bateria, Dominguinhos do Estácio como intérprete, além do casal de mestre-sala e porta-bandeira Claudinho e Selminha Sorriso. Com um desfile sobre o Modernismo no Brasil, a escola contagiou o público na Marquês de Sapucaí e produziu imagens marcantes como a alegoria do Trenzinho Caipira e a passista Luciana Sargentelli sambando com os pés ensanguentados em cima de um carro alegórico.esquerda|miniaturadaimagem|300x300px|Luma de Oliveira e a Bateria da Viradouro se ajoelham na avenida no desfile de 2001.No terceiro setor, o enredo relembrou outras passagens marcantes da carreira de Ciça. No desfile da Estácio de 1996, a escola agitou o público no Sambódromo quando os ritmistas, ao comando de Ciça, ergueram os instrumentos em determinado trecho do samba-enredo. Vascaíno, Ciça participou dos desfiles em homenagem aos centenários do Flamengo (Estácio 1995) e do Vasco da Gama (Unidos da Tijuca 1998). Em 2001, na Viradouro, os ritmistas de Ciça e a Rainha de Bateria Luma de Oliveira executaram uma coreografia em que se ajoelhavam no chão da Sapucaí. esquerda|miniaturadaimagem|300x300px|Bateria da Viradouro em cima do carro alegórico no carnaval de 2007. No carnaval de 2007, os ritmistas da Viradouro e a Rainha de Bateria Juliana Paes desfilaram em cima de uma alegoria por iniciativa do próprio Ciça, que já havia tentado fazer a inovação no carnaval de 1995 da Estácio, mas não conseguiu viabilizar o projeto. O enredo ainda lembrou as passagens de Ciça pela Grande Rio, onde foi vice-campeão do carnaval em 2010; e na União da Ilha do Governador, onde conquistou o prêmio Estandarte de Ouro em 2017. Em 2019, Ciça retornou à Viradouro no desfile que também marcou o retorno da escola ao Grupo Especial do carnaval. Na escola de Niterói, conquistou os títulos dos carnavais de 2020 e de 2024. Nos dois anos, Ciça realizou pesquisas rítmicas em terreiros de candomblé para criar arranjos percussivos de acordo com os enredos. Os dois últimos setores do enredo abordaram características do trabalho de Ciça, as relações pessoais com seus ritmistas e outros mestres de bateria, a preocupação o futuro e uma homenagem à Bateria Furacão Vermelho e Branco da Viradouro. O samba-enredo
Processo de escolha miniaturadaimagem|Marcelo Adnet é um dos autores do samba-enredo do desfile.