Ana Notaras PaleólogaDonald M. Nicol, The Byzantine Lady Ten Portraits 1250—1500), Cambridge, 1994. ( Παλαιολογίνα; falecida em 8 de julho de 1507) foi uma proeminente liderança bizantina após a queda de Constantinopla em 1453, servindo como o centro da comunidade grega em Veneza no final do século XV e início do século XVI.
Antecedentes Ana Notaras Paleóloga nasceu na aristocracia bizantina no momento em que o Império Bizantino estava no momento de seu declínio terminal. Era filha de Lucas Notaras, um dos mais ricos nobres e um oficial de alto escalão do império. Lucas serviu como último grão-duque do império, sob o governo dos imperadores João VIII Paleólogo e Constantino XI Paleólogo. Lucas Notaras morreu logo após a queda de Constantinopla em 1453.
Não se sabe ao certo como Ana deixou Constantinopla. Donald Nicol acredita que ela foi enviada por seu pai para Roma por segurança alguns anos antes de 1453, junto com suas irmãs Teodora e Eufrósine. Pode ser também que ela tenha embarcado após a queda de Constantinopla por si mesma; uma lista de passageiros de um navio genovês que escapou do cerco na manhã de 29 de maio de 1453 incluía duas entradas para o nome “Notaras”.Nevra Necipoğlu, "Byzantium Between the Ottomans and the Latins", Cambridge, 2009.
Vida na Itália O exato paradeiro de Ana antes de 1459 é incerto, mas no ano em que ela apareceu na Itália e reivindicou a herança da família Notaras, guardada no Banco de São Jorge, em Gênova. O destino dessa herança tornou-se uma questão diplomática durante os seis anos que se seguiram após a morte de Lucas Notaras. Seu irmão mais novo, Jacó Notaras, foi deserdado dado sua conversão ao Islã enquanto era cativo.Thierry Ganchou, "Le rachat des Notaras" après la chute de Constantinople ou les relations « étrangères » de l'élite byzantine au xve siècle », in Michel Balard et Alain Ducelier, Migrations et diasporas méditerranéennes (xe siècle-xvie siècles), Paris, Publications de la Sorbonne, 2002, p. 149-229. (em francês) Morou durante um período em Roma antes de se assentar em Veneza, onde se tornou o centro da comunidade grega em Veneza.
Ela pediu várias vezes a República a permissão de construir uma igreja ortodoxa em Veneza (algo que não aconteceu até 1539), e dada a procrastinação do Conselho dos Dez, ela pressionou-os a permiti-la construir um oratório na sua casa, e lá sediou serviços ortodoxos a partir de 1475. Em 1498, o Senado Veneziano deu o direito à comunidade grega de fundar a Scuola di San Nicolò dei Greci, uma confraria que auxiliava membros da comunidade. Embora Ana tenha falecido em 1507, antes da conclusão do San Giorgio dei Greci, ela legou três ícones à igreja, onde permanecem até os dias de hoje.
Em 1499, a primeira prensa grega em Veneza começou a operar sob a direção de Nicolau Vlasto e Zacarias Calliergi. O primeiro produto da prensa foi o Etymologicum Magnum, cuja dedicatória agradece à ‘modestíssima Ana, filha de... Lucas Notaras’, que cobriu seus custos.
Em 1472, Ana abriu negociações com o conselho de Siena para tomar posse do castelo de Montauro e arredores para fundar uma comuna onde os gregos poderiam viver “segundo suas leis e costumes”. Em sua correspondência com ela, o conselho referiu-se a ela como viúva do último imperador bizantino, Constantino XI Paleólogo (r. 1449-1453), mas isso não é verdade. Não há menção sobre tal casamento em nenhuma outra fonte contemporânea, especialmente nos escritos de Jorge Frantzes, seu chanceler. Embora o contrato legal tenha sido estabelecido, o projeto da comuna não teve prosseguimento.
Amiga do cardeal Bessarion, Ana também recuperou diversos manuscritos gregos do Oriente. Em 1470, ela adquiriu um manuscrito grego do século XII escrito para o grão-duque do Chipre. Em 2 de março de 1489, Isabel, viúva de seu irmão Jacó, fez uma petição diante dos juízes da Procuradoria de Veneza, alegando que, antes de morrer em Ancona, Jacó enviou para sua irmã, Ana, “uma caixa com livros de direito de diferentes tipos, tanto em pergaminho como em papel” de grande valia. Ela exigiu que Ana cedesse esses livros a ela, ou fosse obrigada a pagar a soma de 120 ducados. Ana reconheceu o recebimento da caixa, mas alegou que a maior parte dos livros tinha sido adquirida por ela e emprestada a Jacó. Ana venceu o caso em 8 de maio de 1490 e fez uma petição contra Isabel, alegando que ela entrou na Casa dos Notaras e roubou uma valiosa cópia de Petrarca, que Ana adquiriu de Tomás Paleólogo em 1462, durante sua visita à Veneza, que ela estimou em 51 ducados. O juiz decidiu novamente em favor de Ana.
Representações ficcionais
Ana Notaras aparece como uma personagem central de Johannes Angelos, de Mika Waltari — onde ela ficcionalmente morre em roupas de soldado, durante a batalha final da Queda de Constantinopla. Também aparece em Porphyry and Ash, de Peter Sandham. Emel Özcan interpreta Ana na série turca Mehmed: Fetihler Sultanı, onde ela tem um caso com Giovanni Giustiniani mas acaba casando-se com Demétrio Paleólogo depois da morte do amante.
Referências
Bibliografia
The Immortal Emperor, de Donald Nicol. Nicol, Donald M. (1994). The Bizantine Lady: Ten Portraits, 1250-1500. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press. The Fall of Constantinople 1453, de Steven Runciman. Short Biographical Lexicon of Byzantine Academics Immigrants to Western Europe, de Fotis Vassileiou e Barbara Saribalidou.
Leitura adicional
Klaus-Peter Matschke, "The Notaras Family and Its Italian Connections", Dumbarton Oaks Papers: Symposium on Byzantium and the Italians, 13th-15th Centuries, 49 (1995), pp. 59–72. Silvia Ronchey, Un aristocratica Byzantina in fuga: Anna Notaras Paleologina. cópia online no Academia.edu
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