Na economia, a produtividade total dos fatores (PTF), também chamada de produtividade multifatorial, é geralmente medida como a razão entre a produção agregada (ex., PIB) e os insumos agregados.Sickles, R., & Zelenyuk, V. (2019). Measurement of Productivity and Efficiency: Theory and Practice. Cambridge: Cambridge University Press. doi:10.1017/9781139565981 Sob algumas suposições simplificadoras sobre a tecnologia de produção, o crescimento da PTF torna-se a parcela do crescimento da produção não explicada pelo crescimento dos insumos tradicionalmente medidos de trabalho e capital usados na produção. A PTF é calculada dividindo a produção pela média geométrica ponderada do insumo de trabalho e capital, com a ponderação padrão de 0,7 para o trabalho e 0,3 para o capital. A produtividade total dos fatores é uma medida de eficiência produtiva, na medida em que mede a quantidade de produção que pode ser gerada a partir de uma certa quantidade de insumos. Ela explica parte das diferenças na renda per capita entre os países. Para variações percentuais relativamente pequenas, a taxa de crescimento da PTF pode ser estimada subtraindo as taxas de crescimento dos insumos de trabalho e capital da taxa de crescimento da produção.

Contexto O crescimento tecnológico e a eficiência são considerados duas das maiores subseções da produtividade total dos fatores, com o primeiro possuindo características inerentes "especiais", como externalidades positivas e não rivalidade, que reforçam sua posição como um impulsionador do crescimento econômico.

A produtividade total dos fatores (PTF) é frequentemente considerada o principal contribuinte para a taxa de crescimento do PIB. Outros fatores contribuintes incluem insumos de trabalho, capital humano e capital físico. A produtividade total dos fatores mede o crescimento residual na produção total de uma empresa, setor ou economia nacional que não pode ser explicado pela acumulação de insumos tradicionais, como trabalho e capital. Como isso não pode ser medido diretamente, o processo de cálculo deriva a PTF como o resíduo que contabiliza os efeitos na produção total não causados pelos insumos.

Foi demonstrado que existe uma correlação histórica entre a PTF e o uso de energia bem como a correspondente eficiência de conversão de energia em trabalho útil. Além disso, descobriu-se que a integração (entre empresas, por exemplo) tem um impacto causal positivo na produtividade total dos fatores.

Cálculo A equação abaixo (na forma de Cobb–Douglas) é frequentemente usada para representar a produção total (Y) como uma função da produtividade total dos fatores (A), insumo de capital (K), insumo de trabalho (L) e as respectivas participações dos dois insumos na produção (α e β são as participações de contribuição para K e L, respectivamente). Como é comum para equações dessa forma, um aumento em A, K ou L levará a um aumento na produção.

Estimativas e refinamentos Como um resíduo, a PTF também depende de estimativas dos outros componentes.

Em 2001, William Easterly e Ross Levine estimaram que, para um país médio, a PTF é responsável por 60% do crescimento da produção por trabalhador.

Um estudo de 2005 sobre capital humano tentou corrigir as fraquezas nas estimativas do componente de trabalho da equação, refinando as estimativas da qualidade do trabalho. Especificamente, os anos de escolaridade são frequentemente tomados como um substituto para a qualidade do trabalho (e estoque de capital humano), o que não leva em conta as diferenças de escolaridade entre os países. Usando essas reestimativas, a contribuição da PTF foi substancialmente menor.

Robert Ayres e Benjamin Warr descobriram que o modelo pode ser melhorado usando a eficiência da conversão de energia, que acompanha aproximadamente o progresso tecnológico.

Após analisar séries temporais de estatísticas econômicas e consumo de energia, Reiner Kümmel também chegou à conclusão de que o resíduo de Solow como produtividade total dos fatores pode ser muito bem explicado pelo insumo de energia de uma economia. Assim, o chamado progresso técnico é a capacidade de absorver energia primária através do trabalho e convertê-la eficientemente em energia útil a fim de impulsionar os processos de produção econômica.

Críticas A palavra "total" sugere que todos os insumos foram medidos. Os estatísticos oficiais tendem a usar o termo "produtividade multifatorial" (PMF) em vez de PTF porque alguns insumos, como energia, geralmente não são incluídos. Custos externos, incluindo atributos da força de trabalho, infraestrutura pública como rodovias e custos de sustentabilidade ambiental, como esgotamento mineral e poluição, tradicionalmente não são incluídos.Robert Shackleton. 2013. Total Factor Productivity Growth in Historical Perspective. CBO Working Paper 2013–01. página 1, nota de rodapé 1Total Factor Productivity. OECD Productivity Manual: A Guide to the Measurement of Industry-Level and Aggregate Productivity Growth, Anexo 1 – Glossary of Statistical Terms. OCDE: Paris. 2001Frequently Asked Questions, U.S. Bureau of Labour StatisticsW.E. Diewert e A.O. Nakamura. 2007. The measurement of productivity for nations. Capítulo 66 do Handbook of Econometrics, volume 6A, editado por J.J. Heckman, e E.E. Leamer. p. 4514

Os exercícios de contabilidade do crescimento e a produtividade total dos fatores estão abertos à crítica de Cambridge. Portanto, alguns economistas acreditam que o método e seus resultados são inválidos ou precisam ser cuidadosamente interpretados e usados juntamente com outras abordagens alternativas.

Com base na análise dimensional, a PTF tem sido criticada por não ter unidades de medida significativas.

As unidades das quantidades na equação de Cobb-Douglas são:

: widgets/ano (wid/ano) : homens-hora/ano (h-h/ano) : capital-hora/ano (cap-h/ano; isso levanta questões de capital heterogêneo) , : números puros (adimensionais), por serem expoentes : , uma quantidade de balanceamento, que é a PTF.

Nesta construção, as unidades de A não teriam uma interpretação econômica simples, e o conceito de PTF parece ser um artefato de modelagem. As estatísticas oficiais evitam medir níveis, em vez disso, constroem taxas de crescimento adimensionais de produção e insumos e, portanto, também para o resíduo.

Ver também

Modelo de produtividade Paradoxo da produtividade Conhecimento tácito Lista de funções de produção

Referências

Bibliografia