thumb|307x307px|Rendimentos de títulos públicos indexados à inflação de países e maturidades selecionados. A taxa de juros real é a taxa de juros que um investidor, poupador ou credor recebe (ou espera receber) após descontada a inflação. Ela pode ser descrita formalmente pela equação de Fisher, que afirma que a taxa de juros real é aproximadamente a taxa de juros nominal menos a taxa de inflação.
Se, por exemplo, um investidor conseguisse fixar uma taxa de juros de 5% para o próximo ano e antecipasse um aumento de 2% nos preços, ele esperaria ganhar uma taxa de juros real de 3%.Marc Levinson, 2006, "Guide to Financial Markets", The Economist, página 24 A taxa de juros real esperada não é um número único, pois diferentes investidores têm diferentes expectativas de inflação futura. Como a taxa de inflação ao longo de um empréstimo não é conhecida inicialmente, a volatilidade da inflação representa um risco tanto para o credor quanto para o devedor.
No caso de contratos estabelecidos em termos de taxa de juros nominal, a taxa de juros real é conhecida apenas ao final do período do empréstimo, com base na inflação realizada; esta é chamada de taxa de juros real ex-post. Desde a introdução de títulos indexados à inflação, as taxas de juros reais ex-ante tornaram-se observáveis.
Compensação por empréstimo Um indivíduo que empresta dinheiro para reembolso em um momento posterior espera ser compensado pelo valor do dinheiro no tempo, ou por não ter o uso desse dinheiro enquanto ele está emprestado. Além disso, desejará ser compensado pelo valor esperado da perda de poder de compra quando o empréstimo for pago. Essas perdas esperadas incluem a possibilidade de o devedor entrar em default ou ser incapaz de pagar nos termos originalmente acordados; a possibilidade de que as garantias do empréstimo se mostrem menos valiosas do que o estimado; a possibilidade de mudanças na tributação e regulamentação que impediriam o credor de cobrar um empréstimo ou teriam que pagar mais impostos sobre o montante reembolsado do que o originalmente estimado; e a perda de poder de compra em relação ao dinheiro originalmente emprestado, devido à inflação.
Taxas de juros nominais medem a soma das compensações para todas as três fontes de perda, mais o valor do dinheiro no tempo em si. Taxas de juros reais medem a compensação pelas perdas esperadas devido à inadimplência e mudanças regulatórias, bem como medem o valor do dinheiro no tempo; elas diferem das taxas nominais por excluirem o componente de compensação da inflação.
Em uma base macroeconômica, a "taxa de juros real" em uma economia é frequentemente considerada como a taxa de retorno de um investimento livre de risco, como títulos do Tesouro dos EUA ou títulos do Tesouro Nacional, menos um índice de inflação, como a variação do IPCA ou o Deflator do PIB.
Equação de Fisher
A relação entre as taxas de juros reais e nominais e a taxa de inflação esperada é dada pela equação de Fisher:
Onde: = taxa de juros nominal; = taxa de juros real; = taxa de inflação esperada.
Por exemplo, se alguém empresta $1000 por um ano a 10%, e recebe $1100 de volta no final do ano, isso representa um aumento de 10% no seu poder de compra se os preços dos bens e serviços médios que ela compra não mudarem em relação ao início do ano. No entanto, se os preços de comida, vestuário, habitação e outras coisas aumentaram 25% nesse período, ela sofreu, de fato, uma perda real de cerca de 15% no seu poder de compra. (Note que a aproximação aqui é um pouco grosseira; como , a perda real de poder de compra é exatamente 12%).
Se a taxa de inflação e os juros nominais forem relativamente baixos, a equação de Fisher pode ser aproximada por:
Taxa de juros real após impostos O retorno real efetivamente ganho por um credor é menor se houver uma alíquota de imposto sobre os ganhos de juros. Geralmente, os impostos incidem sobre os ganhos nominais, sem ajuste pela inflação. Se a taxa de imposto for denotada como , a taxa de ganho nominal antes dos impostos é , o valor dos impostos pagos (por unidade investida) é e, portanto, o ganho nominal após impostos é . Assim, o retorno real esperado após impostos é dado por:
Variações na inflação A taxa de inflação não será conhecida antecipadamente. As pessoas frequentemente baseiam sua expectativa de inflação futura em uma média das taxas de inflação do passado, mas isso dá margem a erros. A taxa de juros real ex-post pode acabar sendo bastante diferente da taxa de juros real (taxa de juros real ex-ante) que era esperada antecipadamente. Os devedores esperam pagar em dinheiro "mais barato" no futuro, enquanto os credores esperam cobrar em dinheiro "mais caro". Quando os riscos de inflação e cambiais são subestimados pelos credores, eles sofrerão uma redução líquida no poder de compra.
A complexidade aumenta para títulos emitidos a longo prazo, onde a taxa de inflação média ao longo do prazo do empréstimo pode estar sujeita a muita incerteza. Em resposta a isso, muitos governos emitiram títulos de retorno real, também conhecidos como títulos indexados à inflação, nos quais o valor principal e o cupom aumentam a cada ano com a taxa de inflação. (Ex: o atraso de indexação de três meses dos TIPS pode resultar em uma divergência de até 0,042% da taxa de juros real, de acordo com pesquisa de Grishchenko e Huang.) Nos EUA, os Treasury Inflation Protected Securities (TIPS) são emitidos pelo Tesouro dos EUA.
A taxa de juros real esperada pode variar consideravelmente de ano para ano. A taxa de juros real em empréstimos de curto prazo é fortemente influenciada pela política monetária dos bancos centrais. A taxa de juros real em títulos de longo prazo tende a ser mais orientada pelo mercado. Nas últimas décadas, com mercados financeiros globalizados, as taxas de juros reais nos países industrializados tornaram-se cada vez mais correlacionadas.
Relacionado está o conceito de "retorno de risco", que é a taxa de retorno menos os riscos medidos em relação ao investimento mais seguro disponível. Assim, se um empréstimo é feito a 15% com uma inflação de 5% e 10% em riscos associados à inadimplência, então a taxa de retorno "ajustada ao risco" é 0%.
Importância na teoria econômica thumb|350px|direita|Taxa efetiva de fundos federais e prescrições de versões alternativas da Regra de Taylor
O montante de investimento físico — em particular a compra de novas máquinas e outra capacidade produtiva — que as empresas realizam depende parcialmente do nível das taxas de juros reais, porque tais compras normalmente devem ser financiadas pela emissão de novos títulos. Se as taxas de juros reais forem altas, o custo do empréstimo pode exceder o retorno físico real de algumas máquinas; nesse caso, elas não serão compradas. Taxas de juros reais mais baixas tornariam rentável o financiamento de um maior número de máquinas.
A taxa de juros real é usada em várias teorias econômicas para explicar fenômenos como a fuga de capitais, ciclos econômicos e bolhas econômicas. Quando a taxa real de juros é alta, porque a demanda por crédito é alta, o uso da renda irá, ceteris paribus, passar do consumo para a poupança, e o investimento físico cairá. Inversamente, quando a taxa real de juros é baixa, o investimento físico subirá. Diferentes teorias, começando com o trabalho de Knut Wicksell, tiveram explicações distintas para o efeito das variações nas taxas reais. Assim — assumindo que os riscos são constantes — o capital internacional move-se para mercados que oferecem taxas de juros reais mais altas.
Taxa real de fundos federais Ao definir a política monetária, o Federal Reserve dos EUA usa operações de mercado aberto, afetando a taxa de juros de curto prazo (taxa de fundos federais ou Taxa Selic, no Brasil). Existe um conceito chamado "taxa real de equilíbrio de fundos federais" (r*), alternativamente chamada de "taxa natural de juros", que é o nível que colocaria a atividade econômica em seu produto potencial e manteria a inflação baixa e estável. É possível que esta taxa seja negativa.U.S. Federal Reserve-Remarks by Vice Chairman Roger W. Ferguson Jr. 29 de outubro de 2004
Taxas de juros reais negativas A taxa de juros real pode ser calculada em termos da taxa nominal e da inflação via:
Se houver uma taxa de juros real negativa, isso significa que a taxa de inflação é superior à taxa de juros nominal. Se a taxa nominal for de 2% e a inflação for de 10%, o devedor ganharia 7,27% de cada dólar emprestado por ano:
Taxas de juros reais negativas são um fator importante na política fiscal do governo. Desde 2010, o Tesouro dos EUA tem obtido taxas reais negativas sobre a dívida pública.Saint Louis Federal Reserve (2012) "5-Year Treasury Inflation-Indexed Security, Constant Maturity" FRED Economic Data chart Tais taxas baixas ocorrem quando o mercado acredita que não há alternativas com risco suficientemente baixo, ou quando investimentos institucionais como seguradoras ou fundos de pensão são obrigados a investir somas grandes em títulos do Tesouro para proteção contra riscos.David Wessel (8 de agosto de 2012) "When Interest Rates Turn Upside Down" Wall Street Journal Lawrence Summers afirmou que, a tais taxas baixas, o empréstimo da dívida pública economiza dinheiro do contribuinte e melhora a solvabilidade. No final dos anos 1940 até o início dos anos 1970, os EUA e o Reino Unido reduziram o peso de suas dívidas em cerca de 30% a 40% do PIB por década ao tirar proveito de taxas de juros reais negativas.Carmen M. Reinhart e M. Belen Sbrancia (março de 2011) "The Liquidation of Government Debt" National Bureau of Economic Research working paper No. 16893
Ver também Valor real versus valor nominal Inflação Deflação Modelo IS/LM Macroeconomia Repressão financeira
Referências
Ligações externas "Equilibrium Real Interest Rate," por Roger Ferguson, 2004. Taxas de juros reais por país via Quandl.
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