O ossuário de Tiago (também conhecido popularmente como urna de Tiago) é uma caixa de calcário do século I d.C. utilizada para guardar os ossos de um falecido, uma prática funerária comum na Judeia daquela época. O artefato ganhou atenção mundial em 2002 devido a uma inscrição em arameu que se lê: "Tiago, filho de José, irmão de Jesus" (Ya'akov bar-Yosef akhui diYeshua). Se autêntica, esta seria a primeira evidência arqueológica física e direta de Jesus de Nazaré.
A inscrição A caixa de calcário em si é amplamente aceita pelos arqueólogos como um autêntico ossuário judaico do primeiro século. A controvérsia central gira em torno da inscrição.
A menção de um irmão em um ossuário daquela época é extremamente rara, ocorrendo geralmente apenas quando o irmão era uma figura de grande destaque e importância. Estatisticamente, embora os nomes Tiago, José e Jesus fossem muito comuns em Jerusalém no século I, alguns estudiosos argumentam que a combinação exata de um Tiago com um pai chamado José e um irmão chamado Jesus é altamente improvável de ser uma coincidência, apontando que se trataria da família de Jesus Cristo (onde Tiago, o Justo era conhecido como seu irmão).
Controvérsia e julgamento Logo após o anúncio da descoberta pelo colecionador israelense Oded Golan, a Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA) formou um comitê para analisar a peça. Em 2003, o comitê concluiu que, embora o ossuário fosse antigo, a inscrição (ou pelo menos a segunda metade, "irmão de Jesus") era uma falsificação moderna adicionada recentemente para aumentar o valor do objeto no mercado de antiguidades.
No entanto, uma análise laboratorial usando fotografia microscópica demonstrou conclusivamente que uma pátina natural havia se desenvolvido dentro dos sulcos da inscrição ao longo de muitos séculos. Microrganismos (bactérias) que viviam na pedra enquanto ela estava na caverna funerária criaram uma camada de pátina biológica, que com o tempo se tornou parte integrante da pedra. Esta pátina foi identificada dentro dos sulcos de múltiplas letras do fim da inscrição do ossuário.
Isso levou a um processo criminal de vários anos em Israel, no qual Oded Golan foi acusado de falsificação. Em 2012, um juiz de Jerusalém absolveu Golan das acusações. O veredito deixou claro, no entanto, que a absolvição não significava que a inscrição era cientificamente autêntica, mas apenas que a promotoria não conseguiu provar criminalmente, além de uma mera hipótese, que ela era falsa.
Status atual Até os dias de hoje, a comunidade acadêmica permanece profundamente dividida. Especialistas em epigrafia como André Lemaire continuam a defender a autenticidade de toda a inscrição, enquanto alguns arqueólogos mantêm a posição de que a parte final foi adulterada. A urna foi devolvida a Oded Golan e permanece em sua coleção particular.
Ver também Arqueologia bíblica Historicidade de Jesus Tiago, o Justo
Categoria:Arqueologia bíblica Categoria:Ossários