O Cristo Pantocrator do Mosteiro de Santa Catarina é um dos mais antigos ícones religiosos bizantinos conhecidos, datado do século VI. É a mais antiga representação sobrevivente conhecida de Jesus Cristo como Pantocrator (literalmente, governante de tudo) e é considerado por historiadores e estudiosos uma das obras mais importantes e reconhecíveis para o estudo da arte bizantina, bem como do cristianismo ortodoxo oriental e das Igrejas Orientais Católicas.
Contexto
Durante algum tempo, pensou-se que o ícone datasse do século XIII, pois havia sido quase completamente repintado nesse período. Em 1962, concluiu-se que ele era de meados do século VI, embora a data exata de sua produção continue desconhecida. Quando o Mosteiro de Santa Catarina foi fundado pelo imperador bizantino Justiniano I, já no final de seu reinado, entre 548 e 565, ele contou com patrocínio imperial e doações de Justiniano e de sua corte, sendo o ícone de Cristo Pantocrator um dos vários possíveis presentes imperiais. Por isso, em geral se acredita que a obra tenha sido produzida na capital bizantina, Constantinopla.
Interpretação e significado
miniaturadaimagem|Composições espelhadas dos lados esquerdo e direito da imagem
Muitos estudiosos entendem que o ícone representa a dupla natureza de Cristo, ilustrando traços tanto humanos quanto divinos, talvez sob influência das consequências dos concílios ecumênicos do século anterior, em Éfeso e Calcedônia. Os traços de Cristo em seu lado direito (à esquerda do observador) são frequentemente interpretados como representando as qualidades de sua natureza humana, enquanto o lado esquerdo (à direita do observador) representaria sua divindade. Sua mão direita aparece aberta em gesto de bênção, ao passo que a mão e o braço esquerdos seguram firmemente um espesso livro dos Evangelhos.
Alguns estudiosos sugeriram que o ícone do Sinai poderia ser uma possível representação do ícone de Cristo de Kamouliana ou do célebre ícone de Cristo da Porta Chalke, imagem destruída duas vezes durante a primeira e a segunda fases da iconoclastia bizantina — primeiro em 726 e novamente em 814 —, o que torna difícil confirmar sua ligação com o Cristo Pantocrator.
Descrição e produção
Com 84 cm de altura, 45,5 cm de largura e 1,2 cm de espessura, o ícone era originalmente mais alto e mais largo antes de ter sua parte superior e suas laterais cortadas. Fora isso, há apenas uma área de dano importante: uma grande porção do cabelo de Cristo em seu lado esquerdo, incluindo a orelha e o ombro esquerdos. A superfície original em encáustica foi preservada, no geral, em excelente estado de conservação.
Como ocorre com muitos dos primeiros ícones do Sinai, o Cristo Pantocrator foi criado em encáustica — técnica que emprega tinta com cera aquecida —, rara no mundo bizantino após as controvérsias iconoclastas dos séculos VIII e IX. O mosteiro do Sinai é o único local onde um número substancial de ícones em encáustica foi preservado, alguns deles datando já do século VI. Durante o período da iconoclastia bizantina, a produção de ícones ortodoxos continuou no Sinai, enquanto eles eram destruídos em Constantinopla.
Sobrevivência à iconoclastia bizantina e consequências
Os árabes muçulmanos rapidamente tomaram o controle do sul do Levante, incluindo o Egito e o Sinai, rompendo os vínculos do Mosteiro de Santa Catarina com Constantinopla em 640. Assim, quando a era da iconoclastia foi iniciada pelo imperador Leão III Isáurio em 726, o Mosteiro de Santa Catarina já estava protegido sob domínio muçulmano havia quase um século e permaneceu a salvo da destruição. Além disso, a localização de Santa Catarina no deserto rochoso do Sinai, longe de qualquer grande rota comercial ou militar, manteve a arte religiosa do mosteiro distante de saqueadores e exércitos conquistadores. Hoje, o mosteiro abriga uma coleção de mais de 2 000 ícones, que vão do século VI à atualidade.
Referências
Bibliografia
Leitura adicional
Categoria:Ícones ortodoxos Categoria:Jesus na pintura Categoria:Arte bizantina Categoria:Século VI na arte