Walfredo Antunes de Oliveira Filho (São Paulo, 21 de março de 1948 – Goiânia, 14 de março de 2025), conhecido como Walfredo Antunes, foi um arquiteto e urbanista brasileiro, coautor do plano diretor e projeto urbanístico da cidade de Palmas, capital do estado do Tocantins.
Biografia Nascido em São Paulo em 1948, Walfredo Antunes mudou-se para o Goiânia ainda jovem. Iniciou seus estudos em Arquitetura na Universidade Presbiteriana Mackenzie, no final dos anos 1960. Concluiu a graduação na Universidade Católica de Goiás, em 1974, e prosseguiu com sua especialização acadêmica no exterior, obtendo o título de mestre em Planejamento Regional e Urbano pela London School of Economics and Political Science (LSE), na Universidade de Londres, em 1980.
Em 1974, Walfredo fundou o escritório de arquitetura GrupoQuatro, na capital Goiana, tendo como sócios Luiz Fernando Cruvinel, Walmyr Aguiar e Solimar Damasceno. A empresa adquiriu prestígio na região, haja vista a experiência acumulada pelos profissionais e pelas formações obtidas na Europa.
No final da década de 1980, em razão da notoriedade da instituição e da proximidade de Walfredo Antunes e Luiz Cruvinel com o então governador do recém-criado estado do Tocantins, Siqueira Campos, o GrupoQuatro foi escolhido para elaboração do projeto da nova capital, Palmas.
Durante sua trajetória profissional, Walfredo também foi vice-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), presidente do Instituto de Planejamento Urbano de Palmas (Ipup) e professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT).
O arquiteto morreu no dia 14 de março de 2025, em decorrência de um câncer no pâncreas.
Projeto de Palmas Em 1989, Walfredo Antunes e Luís Fernando Cruvinel Teixeira receberam a responsabilidade planejar aquela que viria a ser a capital do recém-criado estado do Tocantins. A dupla de arquitetos optou pela construção de uma nova cidade do zero no centro do território da unidade federativa, em detrimento às opções de instalação da capital em Araguaína ou Gurupi, descartadas por estarem próximas do Pará e de Goiás.
Os profissionais escolheram, então, um território à margem direita do rio Tocantins e próximo à serra do Lajeado, nas proximidades do povoado Canela, onde a topografia favorecia a construção da cidade. Na época também foi considerada a possibilidade do represamento do rio para a formação de uma represa, que futuramente formaria uma orla.
Palmas foi projetada por Walfredo e Luis Fernando considerando a partir de um traçado ortogonal, que priorizava a mobilidade urbana, inspirados na forma como o Império Romano construía as suas estradas. As rotatórias foram a escolha para controle de tráfego nos cruzamentos, considerando que a eficiência do sistema para permitir um fluxo praticamente sem interrupção. Mais de três décadas após o início de sua construção, a cidade ainda preservava a maior parte das suas características originais.
A cidade foi, então, divida em quadras em uma malha quadriculada, com exceções nos lugares onde houve necessidade de se adaptar o desenho à topografia. Walfredo também estabeleceu o tamanho máximo de 350 metros para a largura de cada quadra. A medida, segundo o arquiteto, seria a distância máxima que uma pessoa com uma pequena carga (compras ou um bebê de colo) conseguiria caminhar confortavelmente para chegar a uma via ou transporte, já considerando o clima da região.
Houve, ainda, a preocupação de se projetar as vias e os lotes para diferentes finalidades (residencial, comercial, industrial, administração pública, lazer etc.). A taxa de ocupação foi estabelecida como sendo a média de 380 habitantes por hectare, o que, segundo estudos da época, otimizava os custos da infraestrutura. O início da construção da cidade se deu em 20 de maio de 1989, com a abertura da primeira grande avenida.
Além do projeto da capital, Walfredo também assinou os edifícios que sediam os três poderes estaduais: Palácio Feliciano Machado Braga (judiciário), Palácio João d'Abreu (legislativo), Palácio Araguaia Governador Siqueira Campos (executivo), bem como a sede do Tribunal de Contas, prédios das secretarias estaduais, do Palacinho, o paço do executivo municipal, as escolas modelos, os centros de saúde e um ginásio esportivo.
Prêmios e títulos
Título de Cidadão Tocantinense, concedido em 6 de março de 1998 pelo Governo do Tocantins. Medalha Lúcio Costa, entregue em 2019 pelo Instituto de Arquitetos do Brasil. Colar do Mérito Governador Siqueira Campos, entregue pelo Tribunal de Contas do Tocantins, no dia 7 de fevereiro de 2019. Título de Cidadão Palmense, concedido em 1.º de julho de 2022 pela Prefeitura de Palmas.
Curiosidades Em 2022, em razão de seu prestígio, Walfredo foi escolhido para ser o primeiro entrevistado do Censo 2022 no Tocantins. O ato simbólico ocorreu durante a solenidade de lançamento da operação censitária no estado.
Tramitam na Assembleia Legislativa do Tocantins dois projetos de lei para homenagear o arquiteto. Um deles denomina o Museu Histórico do Tocantins como "Palacinho Walfredo Antunes". A segunda propositura buscar dar o nome de "Aquiteto Walfredo Antunes" à avenida NS-15 da capital tocantinense.
Ver também
Palmas Tocantins
Bibliografia
Ligações externas
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