Os antecos (do grego antioikoí, através do latim antoeci, significando "aqueles que habitam em oposição") constituem um conceito clássico da geografia astronómica e da cartografia teórica, definindo-se como os habitantes de dois pontos na superfície terrestre que se situam sobre o mesmo meridiano de longitude, mas em hemisférios opostos e a distâncias equivalentes da linha do equador. Em termos de coordenadas geográficas, se um ponto A possui uma latitude ϕ Norte e uma longitude λ, o seu anteco B estará localizado na latitude ϕ Sul e na mesma longitude λ . Esta relação geométrica implica que ambos partilham o mesmo meio-dia solar e a mesma duração do arco diurno, embora as suas estações do ano sejam inversas: enquanto o anteco boreal experiencia o solstício de verão, o anteco austral atravessa o solstício de inverno, e vice-versa.

Historicamente, o termo ganhou relevância nos tratados de cosmografia da Antiguidade, como os de Crates de Malos e Cláudio Ptolomeu, que utilizavam esta classificação para sistematizar a habitabilidade do globo terrestre conhecido. Juntamente com os periecos (habitantes da mesma latitude, mas em meridianos opostos) e os antípodas (habitantes diametralmente opostos em latitude e longitude), os antecos formavam a estrutura quadripartida das zonas climáticas teóricas. Do ponto de vista climatológico e meteorológico, embora os antecos partilhem a mesma incidência angular teórica dos raios solares em momentos alternados do ano, as condições biofísicas reais raramente coincidem devido à distribuição assimétrica de massas continentais e oceanos entre os hemisférios, o que resulta em regimes térmicos e pluviométricos distintos para cada um dos pontos.

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