A Capela de Nossa Senhora da Vida é um templo católico situado no sítio da Fajã do Mar, na freguesia do Arco da Calheta, concelho da Calheta, na ilha da Madeira, em Portugal. Construída em 1663 por D. Inês Teixeira, é descrita como uma capela maneirista do século XVII, de planta longitudinal simples com sacristia anexa no lado direito, tendo sido utilizada para a celebração dos ofícios divinos e venerada por pescadores e marinheiros que ali iam pedir proteção. Em 1997, o edifício foi doado à Região Autónoma da Madeira e classificado como bem do património cultural edificado regional, na categoria de Valor Local. Em 5 de março de 2026, parte da fachada da capela colapsou na sequência de sucessivas derrocadas na arriba onde se encontra implantada, situação que levou à retirada do património do interior e ao estudo de soluções para a sua reconstrução ou eventual relocalização.

História e caracterização

Foi fundada em 1663 por D. Inês Teixeira, destinando-se à celebração dos ofícios divinos, constituindo-se como um local de grande veneração para pescadores e marinheiros locais. Situa-se numa pequena eminência sobranceira ao mar, junto ao pequeno porto da Fajã do Mar, também chamado porto de Nossa Senhora da Vida.

Enquadra-se na arquitectura religiosa maneirista insular do século XVII, de planta longitudinal simples, com sacristia anexa no lado direito. A resolução regional de classificação acrescenta que o imóvel, além da sua implantação sobranceira ao mar e da proximidade de uma velha casa solarenga, possuía um interessante núcleo de arte sacra dos séculos XVII a XIX, considerado merecedor de especial atenção. Foi reedificada na segunda metade do século XIX, voltando a ser objeto de obras em 1986.

A 27 de fevereiro de 1997, o Conselho do Governo da Madeira aceitou a doação da capela, identificada como propriedade de Adérito Gomes Ferreira e Adriana Maria Teixeira Gomes Ferreira, aprovando a minuta da respetiva escritura pública, sendo a doação à Região concretizada oficialmente a 17 de julho de 1997, identificando os doadores como "Dr. Adérito Gomes Ferreira e D. Adriana Maria Teixeira Pestana Gomes". Pouco depois, em reunião plenária de 14 de agosto de 1997, o Conselho do Governo classificou-a como bem do património cultural edificado da Região Autónoma da Madeira, na categoria de Valor Local, sendo a resolução publicada em suplemento do jornal oficial datado de 18 de agosto de 1997. No âmbito do ordenamento municipal, o imóvel encontra-se também inventariado como Imóvel de Interesse Municipal no Plano Diretor Municipal da Calheta.

Localização e contexto geográfico

A capela implanta-se no sítio da Fajã do Mar, numa pequena eminência sobranceira ao mar, na costa sul da Madeira, sobranceiro ao calhau e afetado por sucessivas derrocadas. Segundo o Elucidário Madeirense, o porto da Fajã do Mar, também chamado porto de Nossa Senhora da Vida, distava 2,4 milhas do porto da vila da Ponta do Sol e 2,3 milhas do da Calheta, sublinhando a relevância da zona na antiga circulação costeira madeirense.

A documentação jornalística e institucional mais recente caracteriza a capela como situada no topo de uma arriba costeira com mais de 20 metros de altura, em terreno associado a movimentos de massa e sujeito a erosão costeira, circunstâncias que dificultam operações de conservação e estabilização; a ausência de acesso automóvel foi igualmente apontada como um fator limitativo para intervenções no local.

Colapso de 2026 esquerda|miniaturadaimagem|Fachada sul da capela após a derrocada de 5 de março de 2026 Em 27 de janeiro de 2026, a RTP Madeira noticiou que a capela se encontrava em risco de ruir, em consequência de sucessivas derrocadas no local, acrescentando que uma nova derrocada ocorrida nessa noite obrigara à retirada do património do interior do edifício. Na mesma notícia, a presidente da Câmara da Calheta, Doroteia Leça, afirmou que o Governo Regional e a autarquia estavam a acompanhar a situação.

Na madrugada de 5 de março de 2026, ruiu a parte frontal da capela, sem que se registassem feridos. Segundo a RTP Madeira, moradores da zona começaram a recuperar parte da cantaria espalhada após a queda da fachada. No mesmo dia, o Diário de Notícias da Madeira noticiou que a presidente da Câmara confirmara o contacto com a Secretaria Regional de Equipamentos e Infraestruturas e com a Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, entidades do Governo Regional responsáveis pelo processo. Segundo a mesma fonte, estava prevista a recolha dos elementos ainda recuperáveis para futura reconstrução, cabendo a intervenção às secretarias regionais competentes, uma vez que o edifício era propriedade do Governo Regional; a autarquia declarou também estar a tentar encontrar um terreno para a eventual implantação futura da capela.

Cronologia

1663 — Fundação da capela por D. Inês Teixeira. Segunda metade do século XIX — Reedificação do edifício. 1986 — Realização de novas obras na capela. 27 de fevereiro de 1997 — O Conselho do Governo resolve aceitar a doação da capela à Região Autónoma da Madeira. 17 de março de 1997 — Publicação da Resolução n.º 246/97 no Jornal Oficial da Região Autónoma da Madeira. 17 de julho de 1997 — Concretização da doação à Região Autónoma da Madeira, segundo a caracterização municipal. 14 de agosto de 1997 — O Conselho do Governo classifica a capela como bem do património cultural edificado regional, na categoria de Valor Local. 18 de agosto de 1997 — Publicação, em suplemento do jornal oficial, da Resolução n.º 1170/97. 27 de janeiro de 2026 — Notícia do risco de ruína, após sucessivas derrocadas, e da retirada do património do interior. 5 de março de 2026 — Colapso da parte frontal da capela e início da recolha de elementos para futura reconstrução.

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