A glândula protorácica é uma estrutura endócrina vital encontrada no tórax de insetos imaturos, desempenhando um papel central na regulação do crescimento, da muda (ecdise) e da metamorfose. Localizada geralmente na região do protórax ou associada a traqueias próximas à cabeça, esta glândula é responsável pela síntese e secreção de ecdisteroides, especificamente a ecdisona, que é o precursor da hormona da muda ativa (20-hidroxiecdisona). A atividade da glândula protorácica não é autónoma; ela é rigorosamente controlada pela hormona protoracicotrópica (PTTH), produzida pelo cérebro e libertada pelos corpora cardiaca ou corpora allata. Quando os níveis de PTTH aumentam na hemolinfa, as células da glândula protorácica são estimuladas a converter o colesterol ou outros esteróis dietéticos em ecdisona, desencadeando a cascata fisiológica que leva à separação da antiga cutícula e à formação de uma nova.
Do ponto de vista histológico e evolutivo, as glândulas protorácicas apresentam uma natureza transitória na maioria dos insetos pterigotos. Elas atingem o seu pico de atividade durante os estádios larvares ou de ninfa, mas sofrem um processo de apoptose (morte celular programada) logo após a metamorfose para o estádio adulto. Esta degeneração ocorre porque o inseto adulto, tendo atingido a sua forma final e maturidade sexual, não necessita de realizar mais mudas cuticulares. A regulação do seu desaparecimento é influenciada pela ausência de hormona juvenil e pela presença de picos específicos de ecdisteroides no final da fase de pupa. Curiosamente, em alguns insetos primitivos sem asas, como os do grupo Apterygota, estas glândulas podem persistir na fase adulta, permitindo que o animal continue a crescer e a mudar de exosqueleto ao longo de toda a sua vida.
Categoria:Entomologia Categoria:Fisiologia animal Categoria:Glândulas Categoria:Sistema endócrino