O Página Siete foi um jornal boliviano de circulação e alcance nacional, fundado em 24 de abril de 2010 na cidade de La Paz, na Bolívia, e publicado na própria capital do país. Tratava-se de um jornal de assuntos gerais, com ênfase em notícias políticas e econômicas, embora suas seções de crônicas e reportagens também tivessem grande relevância. Deixou de ser publicado em 29 de junho de 2023.
História O jornal foi fundado em 2010 por Raúl Garafulic, primeiro presidente do Conselho de Administração, e Raúl Peñaranda, seu ex-diretor. Garafulic é um conhecido empresário da mídia na Bolívia e, na década de 1990, foi proprietário dos jornais La Razón e Extra, bem como da rede de televisão ATB. Peñaranda é um jornalista boliviano com vasta trajetória e já trabalhou nos jornais Última Hora e La Razón.
Isabel Mercado Heredia assumiu a direção em dezembro de 2016.
Diretores Desde a sua fundação, o jornal Página Siete esteve sob a direção de quatro editores diferentes, entre os quais: Raúl Peñaranda (2010-2013), Juan Carlos Salazar (2013-2016) e Isabel Mercado (2016-2021). Em 1º de julho de 2021, a jornalista Mery Vaca Villa assumiu o cargo. Diretores do Página SietePeríodo como DirectorTempo no CargoReferencias3 anos, 3 meses e 28 dias3 anos, 3 meses e 17 dias4 anos, 6 meses e 14 dias2 anos
Controvérsias e denúncias Ao longo de sua breve história, o Página Siete foi alvo de diversas controvérsias. A mais importante ocorreu em 2012, quando o presidente boliviano Evo Morales ordenou um processo criminal contra o jornal, acusando-o de ter distorcido uma declaração sua, tratava-se da primeira acusação criminal contra um jornal em 30 anos, mas, no fim, o processo não foi levado adiante. No entanto, as acusações contra o Página Siete continuaram por parte de diferentes membros do governo de Evo Morales e da sociedade, que alegavam que o jornal era um instrumento dos interesses chilenos e de manipulação da opinião pública. Em 2013, o então diretor, Raúl Peñaranda, pediu desculpas pelo erro do veículo e renunciou ao cargo.
O Página Siete também denunciou irregularidades no Fondo de Desarrollo Indígena Originario Campesino (FONDIOC), conhecido comumente como Fundo Indígena. Investigações do jornal documentaram diversos financiamentos para obras e projetos fantasmas, com 894 projetos planejados e apenas um concluído, sendo desconhecido o destino de 503 milhões de bolivianos transferidos entre 2010 e 2013. O escândalo do FONDIOC levou à prisão desde ex-diretores até o ex-presidente boliviano Luis Arce.
Encerramento O Página Siete encerrou definitivamente suas atividades em 29 de junho de 2023. Diversas entidades lamentaram o fechamento, destacando o vácuo deixado no jornalismo boliviano.
Em sua carta de despedida aos leitores, Raúl Garáfulic Lehm, presidente do Conselho de Administração, destacou alguns pontos que levaram o jornal a tomar essa decisão, entre eles o bloqueio de publicidade por parte do governo boliviano, sucessivas auditorias e multas de instituições estatais, assédio jurídico, a pandemia de COVID-19 e a crise econômica boliviana.
O jornal El País noticiou o fechamento do Página Siete, classificando-o como o principal jornal oposicionista, rótulo que foi rapidamente rechaçado pelos ex-diretores, que, em resposta publicada no próprio El País, contestaram diversos pontos da matéria, os quais consideraram incorretos.