miniatura|Manifestantes em Dar es Salaam protestando contra a Guerra de Gaza em 2009. As críticas ao governo israelense, frequentemente citadas simplesmente como críticas a Israel, é um tema constante de comentários e pesquisas jornalísticas e acadêmicas no âmbito da teoria das relações internacionais, expressa em termos de ciência política. Desde a sua fundação em 1948, Israel enfrenta críticas internacionais relacionadas a uma série de questões, muitas das quais centradas em violações dos direitos humanos referentes à Nakba e à ocupação israelense da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.
Israel tem sido criticado por questões relacionadas à sua criação, quando a maior parte da população árabe da Palestina sob o Mandato Britânico fugiu ou foi expulsa em 1948; pela conduta de suas forças armadas no conflito árabe-israelense; pelo estabelecimento e expansão de assentamentos israelenses ilegais nos territórios palestinos; pelo tratamento dado aos palestinos; pelo bloqueio da Faixa de Gaza, com seu impacto na economia dos territórios palestinos; pelo programa de armas nucleares do país; e por seu programa de assassinatos seletivos. Outras questões antigas e criticadas incluem: a recusa em permitir que os refugiados palestinos do pós-guerra retornem às suas casas e a prolongada ocupação dos territórios conquistados na guerra, com a consequente construção de assentamentos, são alguns dos temas abordados. O status de Israel como uma democracia representativa também tem sido questionado, visto que os residentes israelenses dos territórios ocupados têm permissão para votar nas eleições israelenses, enquanto os residentes palestinos não, o que leva a acusações de apartheid.
As críticas às políticas israelenses vêm de diversos grupos: principalmente de ativistas, tanto em Israel quanto no mundo todo, das Nações Unidas e de outras organizações não governamentais, incluindo igrejas europeias, e da mídia. Tanto críticos quanto defensores de Israel frequentemente alegam parcialidade da mídia.
Entre as contra-críticas, destaca-se a afirmação de que alguns críticos e suas críticas visam deslegitimar o direito de Israel à existência, o que levou alguns a debater sobre o ponto em que a crítica a Israel ultrapassa a linha do antissemitismo. O termo "novo antissemitismo" refere-se às críticas consideradas como tendo ultrapassado esse limite.
Temas de crítica Nakba
A guerra palestina de 1948 e o estabelecimento do Estado de Israel são, para os palestinos, indissociáveis da Nakba e do despovoamento de cidades e vilas palestinas.Eghbariah, Rabea. "Toward Nakba as a Legal Concept." Columbia Law Review 124, no. 4 (junhod de 2024): 889-952. A violência, o desapossamento e o deslocamento vivenciados pelos palestinos durante a Nakba também são vistos como a origem da Nakba contínua, um processo contínuo de fragmentação da sociedade palestina e de negação da autodeterminação palestina.
Refugiados palestinos
+Resultados da pesquisa do Pew Research Center de 2025 Pontos de vista sobre Israel por país (Ordenado por saldo positivo, Pos. – Neg.)País pesquisadoPos.Neg.NeutroPos – Neg-89-66-63-59-57-55-49-49-46-37-37-35-33-33-31-31-26-20-18-17-8+5+8+25 Os refugiados palestinos são definidos pela ONU como árabes que viveram na Palestina por pelo menos dois anos antes de 1948 e seus descendentes, e que fugiram ou foram expulsos de suas casas durante e após a Guerra da Palestina de 1948.
As causas e responsabilidades do êxodo são um tema controverso entre historiadores e comentadores do conflito.Avi Shlaim, "The War of the Israeli Historians." "Center for Arab Studies", 1º de dezembro de 2003 (acessado em 17 de fevereiro de 2009) Embora os historiadores agora concordem com a maioria dos eventos desse período, ainda há discordância sobre se o êxodo foi resultado de um plano elaborado antes ou durante a guerra pelos líderes sionistas ou se foi uma consequência não intencional da guerra.
Durante a Conferência de Lausanne de 1949, ambos os lados sofreram significativa pressão internacional para resolver a crise dos refugiados. As partes assinaram um protocolo conjunto sobre o quadro para uma paz abrangente, que incluía territórios, refugiados e Jerusalém, no qual Israel concordou "em princípio" em permitir o retorno de todos os refugiados palestinos. Segundo o historiador Ilan Pappé, este acordo israelense foi feito sob pressão dos Estados Unidos e porque Israel desejava ingressar nas Nações Unidas, o que exigia a concordância do país em permitir o retorno de todos os refugiados. Uma vez admitido na ONU, Israel recuou do protocolo que havia assinado, pois estava completamente satisfeito com o status quo e não via necessidade de fazer concessões em relação aos refugiados ou às questões de fronteira. Isso gerou críticas internacionais significativas e persistentes.
Alegações de limpeza étnica Embora a expressão "limpeza étnica" só tenha surgido nos anos 1980, o uso de métodos que hoje seriam considerados como tal já haviam sido preconizados por Theodor Herzl, o principal teórico do sionismo no século XIX e autor de Der Judenstaat (O Estado Judeu). Para a criação de um "estado étnico-religioso, judeu, na Palestina", Herzl admitiu em seu diário que haveria que se recorrer a expulsão da "população miserável para além da fronteira [...] negando-lhes qualquer emprego em nosso país". Por "população miserável", ele estava se referindo aos palestinos que viviam naquelas terras.
Em 1917, um importante sionista russo, Leo Motzkin, retomou esse pensamento ao escrever que a "colonização da Palestina" teria que seguir por dois caminhos paralelos: assentar judeus em "Eretz Israel" e "reassentamento dos árabes do Eretz Israel fora do país". Motzkin especulava que a "transferência" de grande quantidade de árabes poderia ser "a princípio" considerada inaceitável - mas apenas do ponto de vista econômico. Concluía dizendo que esse não era um grande problema, pois "não se requer tanto dinheiro para reassentar um vilarejo palestino em outra terra".
O fim do Império Otomano colocou a Palestina sob o controle britânico. Os sionistas conseguiram então um documento que os favorecia em seu projeto de colonização, a Declaração de Balfour. No início do século XX, os judeus constituíam cerca de 6% da população da Palestina; em 1940, com todos os incentivos dados à imigração (inclusive por conta da situação da perseguição movida pelos nazistas na Europa), esse número já era de cerca de 30%.
Percebendo a ameaça representada pelos assentamentos judaicos, a população palestina manteve-se mobilizada durante a década de 1930, organizando greves e culminando na Grande Revolta Palestina de 1936-1939, que foi massacrada pelos britânicos e terminou com mais de 10% da população adulta masculina palestina, entre 20 e 60 anos, morta, ferida, presa ou exilada. A morte ou prisão de lideranças do movimento e o desmantelamento das organizações combatentes palestinas, facilitou o trabalho de ocupação do território pelos sionistas.
Em 1947, a Liga das Nações, precursora da Organização das Nações Unidas, propôs a divisão da Palestina em dois estados, Palestina e Israel. Pela partilha, cerca de 700 mil judeus receberiam 14.000 km² e cerca de um milhão de palestinos ficariam com 11.000 km², a maior parte na Cisjordânia (encarado pelos sionistas como um "bolsão" de palestinos deslocados à força). Antes que a partilha fosse realizada, e imediatamente após sua efetivação, entre 1946-1948, milícias sionistas sob o comando de Ben-Gurion (das quais a principal era a Haganá), traçaram planos para tomar a totalidade das terras e expulsar ou matar os palestinos que se colocassem no seu caminho. O mais conhecido destes planos foi o Dalet, cujo objetivo era "capturar, limpar e destruir" vilarejos palestinos. Começaria aí a Nakba, a qual, como um processo contínuo, já teria expulsado mais de 850 mil palestinos de suas terras.
Em 2026, um relatório do Escritório de Direitos Humanos da ONU declarou que a continuidade dos ataques israelenses e a "transferência forçada de civis palestinos 'despertam temores de uma limpeza étnica' na Faixa de Gaza e na Cisjordânia". Ações militares israelenses e o bloqueio da Faixa de Gaza, criaram "condições de vida 'cada vez mais incompatíveis com a existência contínua dos palestinos como um grupo em Gaza'". Em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, o "uso sistemático da força ilícita" pelos israelenses, "as detenções arbitrárias e a 'demolição extensiva ilegal' das casas dos palestinos acontecem para 'discriminar sistematicamente, oprimir, controlar e dominar o povo palestino'".
Ocupação e anexação de territórios vizinhos
Os territórios ocupados por Israel, provenientes do Egito, Jordânia e Síria, após a Guerra dos Seis Dias de 1967, foram designados como território ocupado pelas Nações Unidas e por muitas outras organizações internacionais, governos e outras entidades. Consistem na Cisjordânia e em grande parte das Colinas de Golã. Da Guerra dos Seis Dias até 1982, a Península do Sinai esteve ocupada por Israel, mas foi devolvida ao Egito pelo tratado de paz entre Egito e Israel. A Faixa de Gaza também foi ocupada por Israel até sua retirada unilateral. A resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU enfatizou "a inadmissibilidade da aquisição de território por meio da guerra", preparando o terreno para a controvérsia sobre o status jurídico das áreas capturadas em 1967 e em 1948. Existem duas interpretações do direito internacional sobre essa questão:
A posição de Israel: As guerras de 1956 e 1967 foram travadas por Israel para garantir a sobrevivência do Estado. Como a maioria das hostilidades foi iniciada pelo lado árabe, Israel teve que lutar e vencer essas guerras para assegurar a soberania e a segurança do Estado. Os territórios conquistados durante essas guerras estão, portanto, legitimamente sob administração israelense, tanto por razões de segurança quanto para dissuadir Estados hostis de entrarem em guerra. Na ausência de tratados de paz entre todas as partes em guerra, Israel tem, em todas as circunstâncias, o direito de manter o controle dos territórios conquistados. A destinação final desses territórios deve ser resultado de tratados de paz, e não uma condição para a sua celebração. Mesmo assim, Israel afirma que: A guerra de 1956 foi causada por um padrão de beligerância egípcia contra Israel, culminando com a nacionalização do Canal de Suez e o bloqueio do canal ao tráfego israelense, em violação da Convenção de Constantinopla e outros tratados relevantes, o que, em sua visão, constituía um claro casus belli (ou seja, um ato que justificava a guerra). A guerra de 1967 foi causada de forma semelhante pelo fechamento do Estreito de Tiran, pela rejeição das forças da ONU no deserto do Sinai e pelo reposicionamento das forças egípcias. A Jordânia e a Síria entraram na guerra apesar dos esforços israelenses para manter a paz nessas fronteiras. A guerra de 1973 foi um ataque surpresa contra Israel pela Síria e pelo Egito.
A posição árabe: A guerra de 1956 foi resultado de uma conspiração entre a França, o Reino Unido e Israel, em violação da soberania egípcia. O Egito alegou diversas justificativas legais para negar a Israel o uso do Canal de Suez, incluindo o direito à autodefesa. A guerra de 1967 foi um ato de agressão não provocado, com o objetivo de expandir as fronteiras de Israel, e os territórios conquistados durante essa guerra estão ocupados ilegalmente. Consequentemente, os territórios devem ser cedidos para que a paz seja alcançada.