Maria da Hungria ( 1257 – 25 de março de 1323), da dinastia Árpád, foi Rainha Consorte de Nápoles e Rainha Consorte da Albânia por casamento com o Rei Carlos II de Nápoles. Ela era filha do Rei Estêvão V da Hungria e de sua esposa Isabel da Cumânia . Maria serviu como regente na Provença em 1290–1294 e em Nápoles em 1295–1296, 1296–1298 e 1302, durante as ausências de seu marido.

Início de Vida Maria era a segunda de seis filhos. Suas irmãs, Isabel e Catarina, tornaram-se rainhas da Sérvia. A irmã Ana casou-se com Andrônico II Paleólogo. O único irmão de Maria era o futuro Rei Ladislau IV da Hungria.

Casamento Maria tinha 12 anos quando se casou com Carlos II de Nápoles em Nápoles, a 6 de agosto de 1270. O casamento tinha como objetivo ser uma dupla aliança entre Nápoles e a Hungria para apoiar a conquista planejada de Bizâncio por Nápoles, mas não atingiu esse propósito, pois o irmão de Maria Ladislau IV também fez uma aliança com Bizâncio, em1272. Maria acompanhou Carlos nas suas viagens e passou os anos de 1278 a 1282 na Provença com seu consorte. Em 1284, ela realizou seu primeiro ato político: quando Carlos foi feito prisioneiro por Aragão, ela tomou a decisão de libertar a prisioneira aragonesa Beatriz de Hohenstaufen.

Rainha Em 1285, Carlos tornou-se monarca, mas permaneceu cativo numa prisão aragonesa. Apesar de não ter participado na regência do marido em Nápoles, Maria permaneceu na Provença, onde participou ocasionalmente na administração, embora não fosse regente formal. Em 1288, participou nas negociações para a libertação do seu marido e, no mesmo ano, firmou um tratado de paz com Aragão. Carlos foi libertado nesse mesmo ano e regressaram juntos a Nápoles.

Entre 1290 e 1294, ela foi regente dele na Provença.

Luta pelo trono húngaro Em 10 de julho de 1290, o irmão de Maria, o rei Ladislau IV da Hungria, foi assassinado por três assassinos de origem cumana. Como Ladislau morreu sem filhos, pairava a questão sobre quem o sucederia: além de Maria, também as suas irmãs Catarina e Isabel acreditavam ter direitos, assim como os filhos da irmã mais nova, Ana. Além disso, a coroa já era reivindicada pelo primo de Ladislau, André, o Veneziano, que era o próximo herdeiro por descendência agnática . André foi convocado de Viena pelo arcebispo Lodômero, que o coroou rei André III em 23 de julho com a Santa Coroa da Hungria em Székesfehérvár, o local tradicional das coroações húngaras.

No entanto, Maria recusou-se a aceitar o direito de André à coroa. Na sua sua opinião, o pai de André, Estêvão, o Póstumo, era de descendência bastarda e, portanto, não era um membro legítimo da Casa de Árpád (a família real da Hungria). Estêvão nascera da terceira esposa do rei André II após a morte do marido e não foi reconhecido por seus meio-irmãos mais velhos, incluindo o avô de Maria, Béla IV . Em abril de 1291, Maria declarou a sua própria reivindicação ao trono. Os Babonići, Frankopans, Šubići e outras famílias nobres croatas e eslavas proeminentes aparentemente a aceitaram como a monarca legítima, embora, como os eventos mostraram, sua lealdade na verdade oscilasse entre ela e André III. Em janeiro de 1292, ela transferiu sua reivindicação à Hungria para seu filho, Carlos Martel, à época com 18 anos de idade. Carlos Martel foi então reconhecido pelo Papa Nicolau IV e pelo partido da igreja como o rei titular da Hungria (1290–1295) e sucessor legítimo do irmão de Maria.

André III não pôde se focar no conflito pela coroa húngara contra a fação de Maria e Carlos, porque estava envolvido em um outro conflito com Alberto da Áustria. Na guerra que se seguiu, André recuperou de Alberto várias cidades e fortalezas importantes - incluindo Pozsony (Bratislava) e Sopron - que anteriormente pertenciam à poderosa família Kőszegi. Após a assinatura da Paz de Hainburg, que pôs fim à guerra, em 26 de agosto, os Kőszegi decidiram declarar apoio a favor de Maria. Na primavera de 1292, os Kőszegi rebelaram-se abertamente contra André, reconhecendo a legitimidade de Carlos Martel como Rei da Hungria. As tropas de André subjugaram a rebelião em julho, mas em agosto os Kőszegi o capturaram e o aprisionaram; André só foi libertado quatro meses depois.

Em 1290, a irmã de Maria, Isabel, fugiu da Boémia com o seu filho porque o seu marido havia caído em desgraça e consequente executado. Maria permitiu que Isabel e seu filho ficassem com ela em Nápoles, mas acabaria por fugir e se casar novamente desta vez com Estêvão Uroš II Milutino da Sérvia (irmão do marido de Catarina).

O marido de Catarina, Estêvão Dragutino, governante da Sirmia, estaria supostamente disposto a apoiar Maria e seu filho Carlos Martel. Em 1292, Carlos Martel concedeu a região da Eslavônia ao filho de Dragutino, Estêvão Ladislau, mas a maioria dos nobres e prelados húngaros permaneceu leal a André III. Dragutino também procurou reconciliar-se com André, enquanto que Ladislau se casou com Constança, neta do tio de André, Albertino Morosini, em 1293.

Carlos Martel morreu de peste em Nápoles a 12 de agosto de 1295. Após a sua morte, o Papa confirmou os direitos exclusivos de Maria sobre o Reino da Hungria em 30 de agosto de 1295. Ela foi a representante de seu filho nas negociações com o Papa em 1295-96. Entre 1296 e 1298, ela serviu como regente de Nápoles na ausência de seu marido. Ela serviu como regente pela última vez em 1302. Depois disso, ela perdeu a sua influência sobre os assuntos de Estado e se retirou para deveres piedosos, como financiar conventos e igrejas.

Um grupo de senhores poderosos — incluindo os Šubići, Kőszegis e Csáks — instigou o marido de Maria, Carlos II de Nápoles, a enviar Carlos Roberto, o filho de 12 anos de Carlos Martel, para a Hungria a fim de se tornar rei. O jovem Carlos Roberto desembarcou em Split em agosto de 1300. Embora muitos senhores feudais da Croácia, da Eslavônia e da maioria das cidades da Dalmácia o reconhecessem como rei antes da sua chegada a Zagreb, Carlos Roberto não teve sucesso, porque figuras nobres húngaras poderosas, incluindo os Kőszegis e Mateus Csák, reconciliaram-se com André. O enviado de André à Santa Sé observou que o Papa Bonifácio VIII também não apoiou a aventura de Carlos Roberto. André, que já vinha apresentando problemas de saúde há algum tempo, planeava capturar Carlos Roberto, mas acabou por morrer no Castelo de Buda em 14 de janeiro de 1301.

Após a morte repentina de André, Carlos Roberto apressou-se para Esztergom, onde o arcebispo eleito, Gregório Bicskei, o coroou com uma coroa provisória antes do dia 13 de maio. No entanto, a maioria dos húngaros considerou a coroação de Carlos ilegal porque o direito consuetudinário exigia que ela fosse realizada com a Santa Coroa da Hungria em Székesfehérvár . Durante os anos seguintes, diferentes pretendentes lutaram pelo trono húngaro até que Carlos foi finalmente proclamado rei em 27 de novembro de 1308 na Dieta em Pest e finalmente sendo coroado rei da Hungria em 27 de agosto de 1310 em Székesfehérvár. Por fim, as reivindicações das irmãs Maria e Catarina foram unidas em uma descendente comum quando a bisneta de ambas, Maria da Hungria, ascendeu ao trono húngaro em 1382. Quando a linhagem de Carlos Martel e dos angevinos na Hungria se extinguiu, foi Sigismundo, um descendente remoto de Bela IV, cuja família o sucedeu.

Vida posterior miniaturadaimagem|Túmulo de Maria em Nápoles O marido de Maria, Carlos II de Nápoles, morreu em maio de 1309. Crê-se que Maria enventualmente teria acabado por se tornar freira. No entanto não existem evidências que sustentem tal facto, como muitos especulam, mas sabe-se que ela passou grande parte da sua vida em conventos. Viveu em Nápoles pelo resto da vida, onde viria a falecer a 25 de março de 1323. Foi sepultada em Nápoles, na igreja de Santa Maria Donna Regina.

Descendência direita|miniaturadaimagem|Maria, Carlos e seus filhos na Bíblia de Nápoles Maria e seu marido tiveram quatorze filhos:

Carlos Martel (1271 – 1295), rei titular da Hungria. Margarida (1273 – 31 de dezembro de 1299), Condessa de Anjou e Maine, casou-se em Corbeil em 16 de agosto de 1290 com Carlos de Valois, irmão do rei da França, tornando-se ancestral da dinastia Valois. Luís (9 de fevereiro de 1274, Nocera – 19 de agosto de 1297, Castelo de Brignoles ), Bispo de Toulouse, posteriormente canonizado. Roberto I (1276 – 1343) Rei de Nápoles. Filipe I (1278 – 1331) Príncipe da Acaia e de Taranto, Déspota da Roménia, Senhor de Durazzo, Imperador titular de Constantinopla. Branca (1280 – 14 de outubro de 1310, Barcelona), casou-se em Vilabertran em 1 de novembro de 1295 com Jaime II de Aragão. Raimundo Berengar (1281 – 1307), Conde da Provença, Príncipe do Piemonte e da Andria. João (1283 – depois de 16 de março de 1308), um sacerdote. Tristão (1284 - antes de 1288) Leonor (agosto de 1289 – 9 de agosto de 1341, Mosteiro de São Nicolau, Arene, Elis ), casou-se em Messina em 17 de maio de 1302 com Frederico III da Sicília. Maria (1290 – c. 1346), casou-se em primeiras núpcias em Palma de Maiorca em 20 de setembro de 1304 com Sancho I de Maiorca, casou-se em segundas núpcias em 1326 com Jaime de Ejerica (1298 – abril de 1335). Pedro Tempesta (1291 – 29 de agosto de 1315, Batalha de Montecatini ), Conde de Gravina. João (1294 – 5 de abril de 1336, Nápoles), Duque de Durazzo, Príncipe da Acaia e Conde de Gravina, casou-se em março de 1318 (divorciou-se em 1321) com Matilde de Hainaut (29 de novembro de 1293 – 1336) e casou-se em segundas núpcias em 14 de novembro de 1321 com Inês de Périgord (m. 1345). Beatriz (1295 – c. 1321), casou-se em primeiras núpcias em abril de 1305 com Azzo VIII d'Este, Marquês de Ferrara (falecido em 1308), casou-se em segundas núpcias em 1309 com Bertrand III de Baux, Conde de Andria (falecido em 1351).

Na ficção Maria da Hungria é uma personagem de Os Reis Malditos ( Les Rois maudits ), uma série de romances históricos franceses de Maurice Druon . Ela foi interpretada pelas atrizes Denise Grey, na minissérie francesa de 1972, e Line Renaud, na adaptação de 2005.

Ver também

povo cumano Cumânia

Dizionario Biografico degli Italiani - Volume 70 (2007)

Fontes

Categoria:Italianos do século XIII Categoria:Princesas de Tarento Categoria:Mortos em 1323 Categoria:Nascidos na década de 1200 Categoria:Húngaros expatriados na Itália Categoria:Casa capetiana de Anjou Categoria:Princesas da Acaia Categoria:Rainhas consorte de Nápoles Categoria:Princesas húngaras Categoria:Casa de Arpades Categoria:!CS1 húngaro-fontes em língua (hu)