Place de l'Opéra (2e aspect) (em português: Praça da Ópera – 2ª vista) é um curta-metragem mudo francês de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès. Registrado com o número 17 no catálogo da Star Film, é a segunda de três filmagens realizadas por Méliès na Place de l'Opéra, em Paris, correspondentes aos números 10, 17 e 139 do catálogo. O filme é atualmente considerado presumidamente perdido, assim como os outros dois títulos da série. No catálogo norte-americano, o título foi traduzido como Place de l'Opéra, Second View.
Contexto
Em 1896, Méliès rodou seus primeiros filmes com sua câmera artesanal, exibindo-os no Théâtre Robert-Houdin, em Paris. O catálogo da Star Film, fundada naquele mesmo ano, numerava cada título de acordo com a ordem de produção, com cada número correspondendo a aproximadamente 20 metros de negativo.
Place de l'Opéra (2e aspect) é o décimo sétimo título do catálogo, inserido entre Bateaux-mouches sur la Seine (nº 16) e Boulevard des Italiens (nº 18). O filme integra a fase de actuality films — cenas cotidianas captadas com câmera fixa — que Méliès produziu nos primeiros anos de atividade cinematográfica.
A Place de l'Opéra como local de filmagem
A escolha da Place de l'Opéra como cenário não era casual. O escritório e laboratório de Méliès situavam-se no Passage de l'Opéra, uma galeria coberta adjacente à praça — tornando-a um local de acesso imediato para o cineasta. Além da praticidade geográfica, a praça oferecia atrativos visuais consideráveis: tráfego intenso de ônibus de tração animal, carruagens e pedestres, com a fachada monumental da Ópera Garnier como pano de fundo — elemento arquitetônico que conferia espetacularidade ao plano estático. Havia ainda pontos de observação seguros no meio do tráfego: a varanda frontal do edifício da ópera e as quatro ilhas centrais onde se erguiam postes de iluminação.
A praça era, naquele ano, o local parisiense mais disputado pelos cineastas pioneiros. Os próprios Irmãos Lumière realizaram ali duas filmagens em 1896; outros contemporâneos — entre eles realizadores da Gaumont, da Pathé, e o britânico W.K.L. Dickson para a British Mutoscope — também documentaram o mesmo espaço, cada um buscando registrar o que o catálogo da Dickson descreveria como a praça "repleta de veículos e pedestres, muito característica da vida na capital francesa". Em 1900, James White filmaria ali um panorama circular para a Edison. Méliès retornaria à praça ao menos uma vez mais, no título #139 do catálogo.
A descoberta do stop-trick
A Place de l'Opéra ocupa um lugar singular na história do cinema por estar associada à descoberta acidental do stop-trick por Méliès. O próprio cineasta relatou que, durante uma de suas filmagens na praça, a câmera travou por cerca de um minuto; ao projetar o filme já revelado, ele viu um ônibus da linha Madeleine-Bastille se transformar abruptamente em coche fúnebre, e homens se transformarem em mulheres — efeito provocado pelo deslocamento dos transeuntes e veículos durante a interrupção da gravação. Dois dias após o acidente, Méliès já havia realizado suas primeiras metamorfoses e desaparimentos intencionais — técnica que se tornaria a base de toda a sua obra posterior de trick films.
No entanto, como os três filmes da Place de l'Opéra catalogados por Méliès (#10, #17 e #139) são todos atualmente perdidos, não é possível determinar com certeza em qual das três filmagens ocorreu o incidente com a câmera — e se o resultado acidental chegou a ser exibido publicamente em alguma dessas cópias.
Preservação
Place de l'Opéra (2e aspect) é atualmente considerado um filme presumidamente perdido: nenhuma cópia é conhecida por ter sobrevivido. A perda é atribuída à destruição deliberada que o próprio Méliès promoveu em 1923, quando, em meio à ruína financeira, fundiu os negativos de grande parte de sua coleção para recuperar a prata contida na emulsão, e à fragilidade das películas de nitrato de celulose da época. De aproximadamente 520 filmes que Méliès dirigiu entre 1896 e 1912, estima-se que apenas 231 cópias chegaram à atualidade em alguma forma — e os títulos de 1896, o primeiro ano de produção, são particularmente raros.
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