Isaias Evangelho (São Gabriel, — São Gabriel, ), foi um renomado fotógrafo e retratista brasileiro, amplamente considerado o principal "historiador visual" de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, durante a primeira metade do século XX. Seu legado é fundamental para a preservação da memória histórica, urbana e social da cidade entre as décadas de 1920 e 1940. Biografia

Nascido em São Gabriel, Isaias demonstrou inclinação artística desde a infância, período em que trabalhava na casa comercial Waltzer & Cia, da qual seu pai era sócio. Teve contato com as artes plásticas ao conhecer o retratista italiano Luiz Mogetti, residente na cidade na época e que o incentivou a estudar e a aprimorar suas técnicas. Sob a tutela de Mogetti, Isaias aprendeu o ofício da fotografia, passando a aplicar seu talento em trabalhos que mesclavam fotografia, pintura e desenho.

Homem de temperamento calmo, gentil e afável, Isaias descrevia a fotografia através da etimologia grega — fós (luz) e grafis (estilo/pincel) —, definindo seu trabalho como "desenhar com a luz e o contraste". Essa sensibilidade artística tornou cada uma de suas obras singular.

Carreira e Legado

Atuou como fotógrafo, pintor, desenhista e retratista, Evangelho deixou  registros únicos da cidade e da sociedade na época em que viveu.

Atuou como um documentarista do cotidiano gabrielense. Sua obra compreende um vasto registro de:Osório, Figueiredo."Historia de São Gabriel".Santa Maria: Editora Pallotti, 1993, 32 pp. Vida Urbana: Arquitetura, ruas e prédios da cidade, capturando a transformação urbana de São Gabriel. Eventos Sociais: Documentação de festividades e eventos da época, como o Baile das Nações (1931). Retratismo: Fotografias de figuras públicas e membros da comunidade, muitas vezes utilizando técnicas de pintura sobre a fotografia para conferir um toque artístico personalizado.

Contudo, em uma exposição de arte sacra realizada no Rio de Janeiro, na década de 30, Isaias teve destaque em dois de seus trabalhos “Madalena” e “paciente modelo”  os quais renderam elogiosas publicações na imprensa da época.}

O seu olhar "futurista" ao documentar a cidade é frequentemente citado como o diferencial que elevou seus registros a documentos históricos de valor inestimável. Especialistas apontam que, sem a produção de Isaias, grande parte da memória visual de São Gabriel nas décadas de 1920 a 1940 estaria irremediavelmente perdida.

A sua paixão por sua terra natal, foi além da sua maior inspiração para seu trabalho. Foi também determinante para ele recusar ofertas de trabalho nas mais diversas cidades do Brasil.

O acervo tanto fotográfico, quanto suas pinturas e desenhos pertencem hoje a seus descendentes. Porém uma significativa parte de suas obras, foram doadas para o museu Nossa Senhora do Rosário Bom Fim, em São Gabriel, aonde encontra-se em exposição permanente.

Algumas Obras

Em uma breve análise de uma pequena amostra do seu numeroso acervo de fotografias de construções, já percebe-se claramente o quão valioso foram seus registros.

Eles falavam muito da sociedade e características da época.

Embora muitas construções são originais de uma década anterior, suas fotografias abaixo dos anos 20 e 30, mostram claramente a característica da transição do início do século XX, onde terminava a fase de um Brasil imperial para a consolidação da modernidade republicana.

As cidades nessa época queriam parecer "miniaturas de Paris" ou grandes metrópoles europeias.Osório, Figueiredo."Historia de São Gabriel".Santa Maria: Editora Pallotti, 1993, 34 pp.

Abaixo o registro de obras arquitetônicas que possuem traços do estilo Art Nouveau, ou outros com elementos do Ecletismo ou Neobarroco.

Esses estilos predominantes mostram o anseio da nova burguesia que surgia na época, em busca por algo moderno e sofisticado; para se diferenciar dos casarões coloniais; até então mais antigos. Referências

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