Hydnellum amygdaliolens é uma espécie de fungo hidnoide da família Bankeraceae e é encontrada na Península Ibérica. Caracteriza-se pelos seus píleos marrom-amarelados a cor de canela, que podem atingir 20 cm de diâmetro, e pelo seu distinto e intenso odor de amêndoa amarga. O fungo cresce em associação com pinheiros em solos ácidos e foi descrito pela primeira vez na Espanha em 2011.

Taxonomia A espécie foi descrita a partir de espécimes coletados em Tamajón (Guadalajara, Espanha) em 5 de dezembro de 2009, sob pinheiros e estevas em cascalhos ácidos de quartzito. O epíteto amygdaliolens deriva do latim amygdala (amêndoa) e olens (“cheiroso”), referindo-se ao seu intenso odor de amêndoa amarga. Inicialmente foi classificada no gênero Sarcodon.

O táxon foi reclassificado no gênero Hydnellum em 2019, após análise de filogenética molecular do espaçador interno transcrito de vários táxons dos gêneros hidnoides estipitados Hydnellum e Sarcodon.

Descrição Os basidiomas são de tamanho médio a grande em forma de maça (píleo e estipe fundidos), com 75–200 mm de diâmetro, frequentemente lobados ou de contorno irregular. A superfície do píleo é finamente felpuda a lisa, rachando em placas rasas, mas sem escamas eretas, variando de marrom-amarelado a canela ou bege, tipicamente mais escura quando úmida. A margem é inicialmente ligeiramente enrolada e estéril. O estipe é robusto (35–60 por 22–40 mm), simples ou ramificado, com dentes (acúleos) de até 10 mm de comprimento que descem parcialmente pelo estipe. Os dentes são esbranquiçados no início, tornando-se amarronzados em direção à base. A carne é espessa — quebradiça no píleo e fibrosa no estipe — e apresenta uma reação azul-esverdeada viva com hidróxido de potássio (KOH), tornando-se laranja com o tempo. O sabor é extremamente amargo e muitas vezes formigante; o himênio emite um aroma característico e intenso de amêndoa amarga pouco após a coleta.

Microscopicamente, o sistema hifal é monomítico (apenas hifas geradoras, sem fíbulas). Os basídios são tetraspóricos, mais ou menos cilíndricos a claviformes, medindo 27–34 por 5–6 μm. Os esporos são aproximadamente esféricos (globosos) a elipsoides, ornamentados com nódulos ou verrugas, medindo 5,25–6,5 por 4–5 μm (incluindo a ornamentação), cada um contendo uma única gota de óleo. Os gloeocistídios (cistídios contendo óleo) ocorrem abundantemente na pileipellis.

Habitat e distribuição A espécie Hydnellum amygdaliolens é conhecida de localidades esparsas de clima mediterrâneo em toda a Península Ibérica, frutificando no outono e inverno (novembro–dezembro). Cresce no solo sob coníferas — predominantemente pinheiro-bravo (Pinus pinaster), mas também pinheiro-silvestre (P. sylvestris) e pinheiro-manso (P. pinea) — em solos ácidos, siliciosos, derivados de quartzito, xisto ou granito. As províncias registradas incluem Guadalajara, Valência, Cádis, Cuenca, Salamanca, Badajoz e Almería. Sua preferência por solos ácidos e povoamentos de pinheiros, combinada com o sabor amargo e o cheiro de amêndoa, torna-a facilmente reconhecível em campo.

Ver também Hydnellum aurantiacum Hydnellum cyanopodium Hydnellum fennicum Hydnellum ferrugineum Hydnellum gracilipes Hydnellum martioflavum Hydnellum scabrosum Hydnellum spongiosipes

Categoria:Biota da Europa Categoria:Cogumelos Categoria:Fungos descritos em 2011 Categoria:Thelephorales