João Nascimento Jesus Pato Anselmo, conhecido como Major Pato Anselmo, é um militar português associado aos acontecimentos do 25 de Abril de 1974 e, mais tarde, à história do Sport Lisboa e Benfica.

Destacou‑se tanto no contexto militar da Revolução dos Cravos, como comandante de uma força blindada do Regimento de Cavalaria 7 envolvida em negociações decisivas na Avenida da Ribeira das Naus, como no futebol português, onde exerceu funções de intérprete do treinador inglês John Mortimore no Benfica.

Biografia Nascimento 25 de Dezembro de 1934 (idade 92 anos).

João Pato Anselmo foi militar de carreira, com o posto de major de cavalaria, e ficou ligado aos acontecimentos do 25 de Abril de 1974.

Na manhã da revolução, o seu nome surge associado a uma coluna de viaturas blindadas integrada na força do brigadeiro José Junqueira dos Reis, que avançou pela Avenida da Ribeira das Naus com o objetivo de enfrentar as tropas do Movimento das Forças Armadas (MFA) já posicionadas no Terreiro do Paço.

Segundo a cronologia divulgada pela Associação 25 de Abril, essa coluna incluía carros de combate M47, atiradores do Regimento de Infantaria 1 e uma pequena força de Lanceiros 2, sendo Pato Anselmo referido como “supervisor” desse dispositivo na frente da Avenida da Ribeira das Naus.

Foi nessa zona que se deram as negociações com a força liderada por Salgueiro Maia, vinda da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, num dos momentos de maior tensão militar da jornada revolucionária.

De acordo com relatos publicados, incluindo um artigo da RTP e estudos de história militar, após um diálogo intermediado pelo então alferes Fernando Brito e Cunha e pela intervenção do major Jaime Neves, Pato Anselmo acabou por dar ordem de rendição ao seu pessoal.

As metralhadoras e os canhões dos carros de combate foram virados para o rio Tejo, gesto apontado por várias fontes como decisivo para evitar um confronto armado direto com a coluna de Salgueiro Maia na frente ribeirinha de Lisboa.

A sua figura tornou‑se também conhecida no meio desportivo, sobretudo no Sport Lisboa e Benfica.

Nos anos 70, João Anselmo desempenhou funções de intérprete de John Mortimore, acompanhando a equipa de futebol e servindo de ponte linguística e humana entre o treinador inglês e os jogadores.

Ligação ao Benfica A relação de João Anselmo com o Benfica ficou marcada pelo trabalho como intérprete e pelo acompanhamento próximo da equipa principal.

Um artigo de memória benfiquista sobre Mortimore descreve João Anselmo como “major de cavalaria na reserva” e “sócio dos antigos do clube”, salientando que foi contratado para trabalhar com o treinador inglês depois de uma fase inicial da época com maus resultados e dificuldades de comunicação.

Segundo essa fonte, a partir do momento em que passou a acompanhar Mortimore, João Anselmo esteve presente nos treinos e nos jogos, traduzindo as instruções do treinador e ajudando na relação com jogadores, massagista e restante estrutura.

O próprio Anselmo recorda que corria ao lado de Mortimore nos treinos, repetindo em português aquilo que o técnico dizia em inglês, função que descreve como parte de um esforço mais amplo de criar confiança e proximidade dentro do grupo.

Em depoimentos posteriores, João Anselmo afirmou que, no período em que trabalhou como intérprete de Mortimore, “nunca perdi (um jogo) e ‘só conto’ com três empates”, enquanto o treinador inglês referiu que o major foi “uma grande ajuda”, o que reforça a perceção da sua importância no ambiente interno da equipa.

Na imprensa e em relatos de época, a sua presença é frequentemente apresentada como indo além de uma função meramente técnica, sendo visto como alguém que ajudava a unir pessoas de origens e línguas diferentes.

Papel no 25 de Abril No contexto do 25 de Abril de 1974, João Anselmo é referido como comandante de um esquadrão de carros de combate integrado na coluna do brigadeiro José Junqueira dos Reis, que procurou envolver as forças do MFA posicionadas no Terreiro do Paço.

A coluna avançou a partir da Avenida da Ribeira das Naus, sendo esse eixo atribuído à responsabilidade de Pato Anselmo, enquanto outra força se posicionava no próprio Terreiro do Paço.

Os relatos históricos e memórias do dia apontam as negociações na Ribeira das Naus — envolvendo Pato Anselmo, emissários de Salgueiro Maia e o major Jaime Neves — como um dos episódios militares mais simbólicos da revolução, pela forma como terminaram sem derramamento de sangue.

A decisão de não abrir fogo contra a coluna de Santarém e de se render às forças do MFA contribuiu para o desmoronar da resistência organizada do regime na frente ribeirinha de Lisboa, sendo frequentemente citada como um momento decisivo para o desfecho pacífico do golpe militar.

Este enquadramento ajuda a situá‑lo como uma figura presente em dois universos distintos da história portuguesa: o processo revolucionário de 1974 e o futebol nacional, através do papel desempenhado na estrutura do Benfica durante a passagem de John Mortimore pelo clube.

Categoria:Militares da Revolução dos Cravos