Senhorita de Vère (giga inglesa) (título original em francês: Miss de Vère (gigue anglaise)) é um curta-metragem mudo francês de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès e lançado pela Star Film. Registrado sob o número 45 do catálogo Star Film, consiste no registro filmado de uma execução de giga inglesa — dança de origem britânica de caráter vivo e percussivo — pela dançarina e atriz Elise de Vère. O filme é considerado fragmentado: a versão completa em película está perdida, mas um fragmento foi preservado em formato de folioscópio produzido por Léon Beaulieu por volta de 1896–1897.
Enredo
O filme registrava Elise de Vère executando uma giga inglesa diante da câmera de Méliès. Com base no fragmento preservado no folioscópio de Léon Beaulieu, a dançarina aparece sem meias — detalhe notado pelos primeiros espectadores do período como incomum para o gênero. A giga inglesa é uma dança executada em sapatos duros, em compasso de 6/8, de caráter vivo e percussivo, distinta das danças serpentinas que dominavam o repertório filmado de dança do período.
Produção
Elise de Vère
thumb|220px|Elise de Vère, retrato de estúdio (BnF/Gallica)
A intérprete do filme era Constance Elise de Vere, conhecida profissionalmente como Elise de Vère. Era filha de Charles de Vere — nome artístico de H. S. G. Williams —, um mágico inglês radicado em Paris que era, à época, dono de uma loja especializada em materiais de prestidigitação, equipamentos elétricos e filmes. Elise tinha uma irmã, Clementine de Vere, também ligada ao meio artístico parisiense. Em 8 de dezembro de 1917, Elise de Vère casou-se com Frank Joseph Godsol em Newark, Nova Jersey. Em 1899, havia se classificado em segundo lugar num concurso de beleza em Paris, vencido por Jeanne Dortzal.
A presença de Elise de Vère no catálogo de Méliès não é acidental: seu pai Charles de Vere mantinha relações comerciais com o meio cinematográfico parisiense, o que tornava natural a colaboração com a Star Film.
Um filme de encomenda
O filme insere-se numa série de registros de performance realizados por Méliès em 1896, ao lado da Danse serpentine (#44), em que uma dançarina não identificada executa a coreografia popularizada por Loïe Fuller. Ao contrário dos filmes de trucagem que viriam a definir a fama de Méliès, esses registros de dança funcionavam como filmes de encomenda — documentando a performance de uma intérprete específica para um cliente ou circuito de exibição determinado.
Contexto no catálogo
Registrado sob o número 45 do catálogo da Star Film, Miss de Vère (gigue anglaise) é precedido por Danse serpentine (#44) e seguido por Départ des automobiles (#46).
Preservação
A versão completa do filme está perdida. Um fragmento foi preservado em formato de folioscópio produzido por Léon Beaulieu por volta de 1896–1897, redescoberto em meados da década de 2010 numa coleção privada. Em 2019, Thierry Lecointe e Robert Byrne publicaram o estudo completo do corpus de folioscópios Beaulieu para o San Francisco Silent Film Festival, que reanimou digitalmente os fragmentos. O fragmento de Miss de Vère pode ser visualizado no Vimeo e no YouTube.
Ver também
Georges Méliès Star Film Company Gigue Folioscópio Filme perdido
Ligações externas
— Vimeo / San Francisco Silent Film Festival — YouTube — Wikimedia Commons
Categoria:Filmes da França de 1896 Categoria:Curtas-metragens de 1896 Categoria:Filmes mudos Categoria:Filmes em preto e branco Categoria:Filmes dirigidos por Georges Méliès Categoria:Filmes de dança Categoria:Star Film Company