Bernardino Bilbao Rioja (Arampampa, 20 de maio de 1895 – La Paz, 13 de maio de 1983) foi um militar e político boliviano que participou como comandante na Guerra do Chaco. Por suas ações nas batalhas de Cañada Strongest, Kilómetro Siete, na retomada de Alihuatá e na defesa de Villamontes, foi nomeado e promovido ao posto de marechal do Exército da Bolívia postumamente durante o quarto governo do presidente Víctor Paz Estenssoro, por meio da Lei 824, de 3 de abril de 1986.
Biografia Bernardino Bilbao nasceu em 20 de maio de 1895 na cidade de Arampampa, no departamento de Potosí. Era filho de José Bilbao Pastos e Andrea Rioja. Bernardino iniciou seus estudos em 1901, concluindo o ensino médio em 1912 na cidade de Potosí. Em 1913, mudou-se para a cidade de La Paz para ingressar no Colégio Militar do Exército (COLMIL). Durante seu período como cadete, destacou-se nos estudos, razão pela qual recebeu uma bolsa de estudos para o Chile, graduando-se naquele país em 1918 com o posto de subtenente de artilharia. Em 1919, recebeu a licença de piloto militar e aeronáutico no Chile, tornando-se um dos primeiros aviadores bolivianos.
Carreira militar Em julho de 1920, na patente de tenente, Bilbao participou da derrubada e do golpe de Estado contra o presidente José Gutiérrez Guerra. O golpe foi planejado e liderado pelo político do Partido Republicano Bautista Saavedra Mallea, que, juntamente com outros jovens oficiais do Exército Boliviano, como David Toro e Filiberto Osorio, conseguiu derrubar o presidente Gutiérrez.
Em 1926, já com o posto de major, Bilbao organizou e fundou a Escola Militar de Aviação, onde é considerado um dos pioneiros da aviação boliviana.
Em 1930, Bilbao foi promovido ao posto de tenente-coronel do Exército Boliviano, assumindo também, no mesmo ano, o cargo de diretor da Escola Militar de Aviação.
Em 1930, após a derrubada do governo de Hernando Siles Reyes, o recém-empossado presidente da Bolívia, Carlos Blanco Galindo, nomeia-o seu ministro interino da Guerra, passando-se depois, no mesmo governo, a ministro do Desenvolvimento e das Comunicações.
Guerra do Chaco esquerda|miniaturadaimagem|Bilbao Rioja, em pé, o terceiro a contar da direita, ao lado do presidente Tejada Sorzano e de personalidades da época. Em 1932, foi nomeado adido militar na Argentina, retornando posteriormente, por ordem do governo de Daniel Salamanca, em setembro daquele mesmo ano, para as operações militares no Chaco, sendo designado para Villamontes como inspetor-geral da aviação, com a missão de organizar a aviação boliviana e o transporte militar.
Na Guerra do Chaco, Bilbao participou de diversas batalhas, como a de Cañada Strongest, Kilómetro Siete e a Retoma de Alihuatá.
Defesa de Villamontes Mas Bernardino Bilbao se destacaria ainda mais por sua bravura quando, aos 40 anos de idade, organizou de forma excelente a defesa de Villamontes, defendendo a cidade e conquistando méritos pela vitória que proporcionou à Bolívia nessa batalha, diante do ataque paraguaio.
Terminada a guerra, ele parte para a Europa para se submeter a um tratamento médico. Enquanto estava na Europa, Bilbao trabalhou para o Exército Boliviano como assessor militar a partir de 1937, realizando lá investigações para a aquisição de material aéreo para a Bolívia na Alemanha, Inglaterra, Suécia, França e Checoslováquia.
Exílio no Chile Em julho de 1939, ele retorna da Europa e, em 4 de setembro, é nomeado chefe supremo da Organização dos Ex-Combatentes do Chaco.
Em 29 de outubro de 1939, Bilbao, na qualidade de comandante-chefe das Forças Armadas da Bolívia, é convocado ao Palácio do Governo para uma reunião do Conselho Supremo com o presidente Carlos Quintanilla Quiroga. Assim que entra no palácio, Bilbao é cercado por vários homens e espancado brutalmente até ficar inconsciente; em seguida, é amarrado e levado ao Aeroporto Internacional de El Alto, embarcado em um avião e exilado em Arica, no Chile.
Carreira política miniaturadaimagem|Foto sua publicada pela revista Caras y Caretas. 1939.
Eleições gerais de 1940 Bernardino Bilbao ingressou na vida política do país aos 45 anos de idade, quando decidiu participar das eleições nacionais de 1940 como candidato independente à Presidência da Bolívia. Os resultados finais daquelas eleições mostraram que Bilbao Rioja ficou em terceiro lugar, obtendo 2,61% dos votos da época (1.813 votos).
Eleições gerais de 1951
Bernardino Bilbao voltou a concorrer às eleições nacionais de 1951 como candidato à Presidência da Bolívia, representando o partido político Falange Socialista Boliviana (FSB). No entanto, os resultados dessas eleições mostraram que Bernardino ficou em terceiro lugar, obtendo 10,5% do total de votos (13.259 votos).
Eleições gerais de 1966 miniaturadaimagem|Monumento a Bernardino Bilbao, localizado em Miraflores, na cidade de La Paz. Mas, quinze anos depois, Bernardino Bilbao decidiu concorrer novamente às eleições nacionais de 1966 como candidato à Presidência da Bolívia, desta vez representando a aliança política Comunidade Democrata Cristã (CDC), embora seja importante mencionar que, naquele ano, Bernardino já tinha 71 anos de idade. No entanto, os resultados eleitorais demonstraram, mais uma vez, que Bilbao ficou em segundo lugar, obtendo o apoio de 13,81% do total de votos (138.001 votos). A partir daí, ele se retirou definitivamente da política nacional.
Morte Bernardino Bilbao Rioja faleceu na cidade de La Paz em 13 de maio de 1983, uma semana antes de completar 88 anos.
Homenagens Em homenagem e reconhecimento ao seu desempenho na Defesa de Villamontes, o Congresso boliviano da época decidiu criar a província do General Bilbao, no departamento de Potosí, por meio da Lei de 10 de novembro de 1938. Essa lei foi promulgada pelo presidente da Bolívia, Germán Busch Becerra.
Foi decidido batizar uma importante avenida da cidade de La Paz, anteriormente conhecida como Avenida Kantutani, com o seu nome, por iniciativa da Associação de Ex-Combatentes da Guerra do Chaco.
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