Pristimantis campinarana é uma espécie de anfíbio anuro da família Strabomantidae, descrita em 2023. A espécie ocorre na Amazônia central, no Brasil, sendo associada a ecossistemas de areia branca conhecidos como campinarana. Apresenta distribuição restrita ao interflúvio Negro-Solimões, sendo considerada potencialmente endêmica dessa região.
Taxonomia A espécie foi descrita por Mônico et al. (2023) com base em uma abordagem de taxonomia integrativa, que incluiu dados morfológicos, moleculares e bioacústicos. Filogeneticamente, está inserida no grupo Pristimantis unistrigatus, apresentando proximidade com espécies amazônicas como Pristimantis ockendeni e Pristimantis matidiktyo.
Descrição Os machos apresentam comprimento rostro-cloacal entre 17,3 e 20,1 mm, enquanto as fêmeas variam entre 23,2 e 26,5 mm. A espécie possui tímpano visível, tubérculos tarsais e pele dorsal com textura granular a levemente rugosa. A coloração dorsal varia entre tons de marrom e amarelo-ocre, frequentemente com manchas mais escuras. A região inguinal é translúcida e desprovida de manchas coloridas, característica diagnóstica importante. A íris apresenta coloração dicromática, com tonalidades de bronze e uma faixa central avermelhada.
Distribuição e habitat Pristimantis campinarana é conhecida apenas para o município de Iranduba, no estado do Amazonas, Brasil, incluindo áreas próximas à Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro. Ocorre em ambientes de campinarana, caracterizados por solos arenosos pobres em nutrientes e vegetação de pequeno porte. Essa região faz parte do interflúvio Negro-Solimões, reconhecido como um importante centro de endemismo na Amazônia.
Ecologia A espécie apresenta hábito crepuscular e noturno, com maior atividade no início da noite. Os machos vocalizam principalmente durante a estação chuvosa, geralmente empoleirados na vegetação a cerca de um metro do solo. A reprodução envolve amplexo axilar, e as fêmeas produzem entre 14 e 17 ovos, com desenvolvimento direto, sem fase larval aquática.
Vocalização O canto de anúncio é composto por 5 a 10 notas, com duração média de aproximadamente 694 ms. A frequência dominante varia entre 3.295 e 3.919 Hz, sendo um importante caráter para a identificação da espécie.
Conservação Devido à escassez de dados sobre sua distribuição e tamanho populacional, Pristimantis campinarana é considerada como dados insuficientes (Data Deficient) segundo critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A ocorrência em áreas protegidas pode contribuir para sua conservação, embora estudos adicionais sejam necessários.
Etimologia O epíteto específico campinarana refere-se ao tipo de habitat onde a espécie ocorre, caracterizado por florestas de areia branca típicas da Amazônia central.
Referências
Categoria:Pristimantis Categoria:Anfíbios do Brasil Categoria:Anfíbios descritos em 2023 Categoria:Anfíbios da Amazônia