Ditassa ferricola é uma espécie de planta pertencente à família Apocynaceae, nativa do Brasil, com ocorrência documentada no estado de Minas Gerais.
Descrição Morfologicamente, a Ditassa ferricola se assemelha às espécies eretas do clado “Hemipogon do Espinhaço”, em especial à Hemipogon hemipogonoides, e também às duas espécies irmãs Ditassa auriflora e Ditassa cordeiroana. No entanto, todas diferem acentuadamente no hábito: a D. ferricola desenvolve-se como um subarbusto, enquanto a H. hemipogonoides é uma erva ereta, a D. cordeiroana é uma erva trepadeira e a D. auriflora estrutura-se como um arbusto.
Apresenta-se como um subarbusto volúvel com folhas pequenas (lâmina medindo até 1 cm × 3,5 mm), aglomeradas em ramos curtos que simulam fascículos. Suas flores possuem corola de coloração alva a esverdeada, expondo os lobos da corona, que são duplos e mais altos que o ginostégio. Os segmentos externos são tridentados e prolongados medianamente. A corola é densamente pilosa na face adaxial do terço médio e pubescente no terço superior. O corpúsculo da estrutura floral é subelíptico.
Taxonomia A autoridade científica da espécie é compartilhada pelos botânicos Bittencourt e Alessandro Rapini. A descrição taxonômica formal da espécie foi publicada pela primeira vez no periódico científico Plant Ecology and Evolution (Pl. Ecol. Evol. 153: 248) no ano de 2020.
Distribuição geográfica e habitat A espécie possui distribuição geográfica conhecida em duas localidades principais localizadas ao longo da Serra do Curral: o Pico do Itatiaiaçu e a Serra Azul. Ambas as áreas situam-se na porção norte do Quadrilátero Ferrífero, ao sul da Cadeia do Espinhaço e nas proximidades de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Existem registros de possíveis ocorrências adicionais nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Gosta de se desenvolver em solos ferruginosos de afloramentos de canga, a aproximadamente 1 340 metros de altitude. O epíteto específico ferricola faz referência direta a este habitat ferruginoso.
Ecologia A espécie foi coletada com flores e frutos durante os meses de janeiro e fevereiro. A polinização nas Apocynaceae é realizada por uma ampla variedade de vetores entomófilos, compreendendo principalmente insetos das ordens Hymenoptera (himenópteros), Lepidoptera (lepidópteros) e Diptera (dípteros). Suas sementes são dispersadas predominantemente por via anemocórica (através da ação do vento), auxiliada pelas comas pilosas típicas do grupo.
Estado de conservação A Ditassa ferricola encontra-se classificada como **Criticamente em Perigo (CR)** de extinção de acordo com os critérios da Lista Vermelha da IUCN. A espécie apresenta uma área de ocupação extremamente restrita, sendo formalmente documentada em apenas duas localidades altamente perturbadas e que sofrem forte pressão antropogênica decorrente de intensas atividades de mineração de ferro.
A ausência de legislações específicas protetoras para as paisagens de canga e a inexistência de uma Unidade de Conservação que abranja as populações conhecidas agravam as ameaças à sobrevivência da espécie, cujos locais originais de coleta encontram-se cercados pela expansão urbana e por áreas minerárias severamente impactadas.
Referências