António Augusto Ferreira de Macedo (Mesão Frio, 28 de março de 1887 - Lisboa, 1959) foi um pedagogo e ativista político, fundador da Universidade Popular Portuguesa em 1919, e um dos fundadores da Seara Nova em 1921. Formado em Ciências Matemáticas, na Universidade de Lisboa, em 1920, foi Professor catedrático do Instituto Superior Técnico (IST), onde lecionou os cursos teóricos de Matemáticas Gerais e de Geometria Descritiva.
Biografia
Início de vida e carreira
Filho de pais modestos, veio para Lisboa aos cinco anos, onde fez a instrução primária e concluiu o 7° ano do liceu no Instituto Industrial. Em 1909, a par de uma atividade de explicador que lhe permitia sobreviver, matriculou-se no curso da Escola Médico-Cirúrgica, apenas desistindo por dificuldades financeiras.
Em 1911, foi para Faro como professor do liceu, regressando a Lisboa no ano seguinte como professor do Liceu Pedro Nunes, onde permaneceu até 1917. Concluiu o curso de Ciências Matemáticas, na Universidade de Lisboa, em 1920, e foi um dos fundadores da revista Seara Nova, em 1921, com Raul Proença e Câmara Reys, entre outros intelectuais e ativistas.
Em 1927, foi nomeado assistente e professor interino do IST, lecionando os cursos teóricos de Matemáticas Gerais e de Geometria Descritiva. Desempenhou ainda o cargo de chefe dos serviços administrativos da Biblioteca Nacional de Lisboa, sob a direção de Jaime Cortesão. Em 1943, por proposta do Conselho Escolar do IST foi nomeado professor catedrático de Matemáticas Gerais e de Geometria Descritiva.
Empenhado nas questões da educação popular, fundou a Universidade Popular Portuguesa (UPP), que dirigiu, e colaborou na Universidade Livre. Fundada em 1919 e inaugurada a 27 de abril de 1929, a UPP tinha como objetivo contribuir para a educação geral do povo, designadamente através da realização de conferências e sessões cinematográficas, e da constituição de bibliotecas, dirigindo a sua atividade especialmente à classe operária. Logrou alcançar grande prestígio em Portugal e reconhecimento internacional. Contou, designadamente, com a colaboração de Bento de Jesus Caraça, que assumiu a presidência da UPP em dezembro de 1928.
Ao longo da vida interessou-se por pedagogia e pela educação da classe operária, defendendo o acesso à instrução e cultura por parte de todas as camadas sociais, publicando vários trabalhos e dando conferências sobre estas questões.
Pedagogo e divulgador, foi apologista do movimento cultural de massas, pugnando pela modernização dos métodos de ensino e de formação de professores. Democrata e grande defensor do ensino livre, aderiu ao Movimento de Unidade Democrática (MUD) contra o regime, entre 1945 e 1946. O tema da “Educação do Povo” era precisamente o título da conferência que Ferreira de Macedo deveria ter proferido na Voz do Operário a 5 de novembro de 1945 e que foi proibida.
Salazar recorreu à repressão para afastar da universidade alguns dos investigadores e docentes da oposição, efetivamente silenciando quem defendesse a promoção da educação e da investigação científica. A 14 de junho de 1947, Salazar aplicou a onze militares e a vinte e um investigadores e docentes universitários o Decreto-Lei n.º 25317, de 13 de Maio de 1935, que mandava “aposentar, reformar ou demitir os funcionários ou empregados, civis ou militares, que tenham revelado ou revelem espírito de oposição aos princípios fundamentais da Constituição Política ou não dêem garantia de cooperar na realização dos fins superiores do Estado”.
Assim, o Conselho de Ministros mandou, entre outros visados, considerar abrangido no artigo 1.º do decreto-lei n.º 25 317, de 13 de maio de 1935, devendo consequentemente ser "aposentado (ou demitido, se não tiver direito a aposentação) o Bacharel António Augusto Ferreira de Macedo, professor catedrático do Instituto Superior Técnico".
Fim de vida e morte
"Afastado da cátedra, passou a leccionar particularmente, num gabinete estreito e pobre da sua casa, com mesa e cadeiras toscas, gráficos e esquemas nas paredes, a par de duas ou três figuras dos seus grandes guias espirituais." , regressando assim à sua primeira atividade de dar explicações de Cálculo, Mecânica Racional, Matemáticas Gerais e de Geometria Descritiva, a grupos de 10 alunos, no prédio onde residia, na Rua Almeida e Sousa, em Campo de Ourique, e onde Bento de Jesus Caraça tinha sido seu vizinho.
Em 1948, foi um dos signatários da “Representação” ao governo contra a ilegalização do MUD. Em 17 de julho de 1951, a Direção da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico dirigiu ao Ministro da Presidência uma missiva a pedir a reintegração do Professor Ferreira de Macedo, “merecedor do respeito e amizade de todos os seus alunos”.
Morreu a 19 de setembro de 1959.
Homenagens
Em 1986, foi erigido um memorial evocativo do Prof. António Augusto Ferreira de Macedo, homenagem dos alunos e amigos. Situa-se na Rua de Infantaria 16, no Jardim Teófilo Braga, no Bairro de Campo de Ourique, em Lisboa.
Referências