Moita Macedo (nascido José Albano Pontes Santos Moita Morais de Macedo; Benfica do Ribatejo, 17 de outubro de 1930 – Lisboa, 18 de maio de 1983) foi um pintor, escultor, gravador e poeta português. A sua obra abrange pintura, desenho, gravura, escultura em ferro e aço, poesia e experimentação técnica. Ligado à Cooperativa Gravura e à Siderurgia Nacional, destacou-se pela utilização de materiais industriais na criação artística, sendo considerado uma das figuras mais singulares da arte portuguesa do século XX. Em 2026, a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu o seu nome a uma rua no Lumiar, reconhecendo o seu contributo para a arte portuguesa.

Trabalhou na Siderurgia Nacional a partir de 1959, experiência que influenciou o uso do ferro e do aço na sua obra. Frequentou a Cooperativa Gravura, onde contactou com Almada Negreiros e Júlio Pomar e desenvolveu técnicas de gravura riscada sobre vidro. Expôs em diversas galerias e instituições, incluindo a Galeria Futurismo, Galeria Opinião, Fundação Árpád Szenes-Vieira da Silva, MEIAC (Badajoz), Museu das Artes de Sintra e Reitoria da Universidade de Lisboa. Vida e formação

Moita Macedo nasceu em Benfica do Ribatejo, a 17 de outubro de 1930. Cresceu num ambiente rural, marcado pela paisagem ribatejana e pela influência da família, em particular do avô materno, José Luís Santos Moita, médico e republicano, cuja intervenção cívica contribuiu para a formação da sua consciência social.

Desde cedo manifestou interesse pelo desenho e pela pintura, desenvolvendo uma formação essencialmente autodidata. Em 1951 casou-se e, entre 1954 e 1957, cumpriu o serviço militar na Índia Portuguesa, onde contactou com artesãos locais e trabalhou materiais como o barro e o marfim, realizando igualmente trabalhos de restauro.

Após o regresso a Portugal, fixou-se em Lisboa, iniciando em 1959 a sua atividade profissional na Siderurgia Nacional, instituição à qual permaneceria ligado durante 24 anos e que viria a exercer uma influência determinante na sua produção artística. Siderurgia Nacional (1959–1983) miniaturadaimagem|600px|Escultura monumental em aço, criada por Moita Macedo em 1964 para o Clube do Pessoal da Siderurgia Nacional, onde se encontra atualmente exposta no átrio das instalações. Em 1959, Moita Macedo iniciou a sua atividade profissional nos escritórios da Siderurgia Nacional, onde permaneceu durante 24 anos. O contacto diário com o ferro e o aço viria a exercer uma influência marcante na sua produção artística, levando-o a incorporar esses materiais em diversos trabalhos de pintura e, sobretudo, de escultura.

Em 1964 concebeu uma escultura monumental em aço, com cerca de cinco toneladas, para as instalações do Clube do Pessoal da Siderurgia Nacional, obra que constitui um dos exemplos mais representativos da utilização de materiais industriais na sua criação artística. Atualmente encontra-se exposta no átrio das instalações do Clube do Pessoal da Siderurgia Nacional.

Paralelamente à atividade profissional, desempenhou funções de diretor das atividades culturais do Clube do Pessoal da Siderurgia Nacional e foi editor do jornal Convívio, promovendo iniciativas culturais e contribuindo para a dinamização artística e associativa da instituição.

Cooperativa Gravura

A partir da década de 1960, Moita Macedo frequentou a Cooperativa Gravura, onde aprofundou o domínio das técnicas de gravura e desenvolveu processos experimentais, nomeadamente a gravura riscada sobre vidro.

Na Cooperativa conviveu com alguns dos mais destacados artistas portugueses da época, entre os quais Almada Negreiros, Júlio Pomar, Artur Bual, Maria Keil, Alice Jorge, Manuel Cargaleiro e Lima de Freitas, contacto que contribuiu para o desenvolvimento da sua linguagem plástica e para a consolidação do seu percurso artístico.

A atividade desenvolvida na Cooperativa Gravura permitiu-lhe participar em exposições coletivas, aprofundar a investigação técnica e afirmar uma obra marcada pela diversidade de materiais e pela experimentação plástica. Obra plástica

A obra plástica de Moita Macedo caracteriza-se pela diversidade de técnicas e materiais, abrangendo pintura, desenho, gravura, escultura e, mais tarde, incursões na azulejaria. Ao longo do seu percurso artístico desenvolveu uma linguagem própria, marcada pela experimentação, pela expressividade do gesto e pela conjugação entre elementos figurativos e abstratos. O humor, a crítica social e a poesia constituem igualmente dimensões recorrentes da sua produção.

A experiência adquirida na Siderurgia Nacional refletiu-se na utilização do ferro e do aço como materiais de expressão artística, contribuindo para uma abordagem inovadora da escultura em Portugal. Paralelamente, aprofundou o trabalho gráfico na Cooperativa Gravura, onde experimentou novas técnicas e consolidou a vertente experimental da sua obra.

Entre as suas obras destacam-se pinturas e desenhos de forte carga gestual e expressionista, bem como esculturas e trabalhos gráficos que evidenciam uma constante procura de novas soluções formais e técnicas. A sua produção artística revela uma permanente inquietação criativa e uma recusa de limitar a expressão a um único meio ou linguagem plástica. Críticos e artistas destacaram na sua obra a liberdade gestual, a diversidade de processos criativos e a capacidade de conciliar diferentes correntes estéticas numa linguagem pessoal. Exposições

Ao longo da sua carreira, Moita Macedo realizou exposições individuais em galerias, museus e instituições culturais de Portugal, entre as quais a Cooperativa Gravura, a Galeria Opinião, a Galeria de São Mamede, o Museu do Trabalho Michel Giacometti, o Centro Cultural de Cascais, a Fundação Árpád Szenes-Vieira da Silva e a Reitoria da Universidade de Lisboa. A sua obra integrou igualmente numerosas exposições coletivas em Portugal e no estrangeiro, encontrando-se representada em diversas coleções públicas e privadas. Após a sua morte, em 1983, foi homenageado com exposições evocativas, entre as quais uma mostra realizada no Clube do Pessoal da Siderurgia Nacional e outra na Codilivro. Legado

A obra de Moita Macedo encontra-se representada em coleções públicas e privadas e continua a ser objeto de exposições e iniciativas de divulgação da sua produção artística.

Em 2026, a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu o seu nome a uma rua na freguesia do Lumiar, reconhecendo o seu contributo para a arte portuguesa do século XX.

A sua produção artística é reconhecida pela diversidade técnica e pela utilização do ferro e do aço como materiais de expressão plástica, refletindo a influência da sua ligação à Siderurgia Nacional. Vida pessoal

Em 1951 casou-se e constituiu família.

Foi pai de Paulo Macedo, gestor e político português, antigo Ministro da Saúde e atual presidente da Caixa Geral de Depósitos.

Morreu em Lisboa, a 18 de maio de 1983, aos 52 anos.

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