Jorge Valdetaro de Lossio e Seiblitz, (Rio de Janeiro, 14 de maio de 1873 — Rio de Janeiro, 4 de julho de 1923), foi um engenheiro sanitarista brasileiro que realizou importantes estudos de saneamento básico e urbanismo principalmente no estado do Rio de Janeiro, tendo ocupado por anos o cargo estadual de Diretor de Obras Públicas e Saneamento. Também colaborou em obras do Governo Federal e no estado do Rio Grande do Sul.
Biografia Filho do engenheiro e professor Jorge Eugenio de Lossio e Seiblitz (1828-1878) e Jesuina Valdetaro de Lossio. Era neto paterno do senador do Império Nuno Eugênio Lóssio e Seiblitz e de Ana Bárbara Correia de Araújo. Por essa linha descendia de Jorge Eugênio de Lóssio e Seiblitz (1737–1811), marechal-de-campo dos Reais Exércitos e tronco brasileiro da família em Pernambuco, e de Jorge André de Seiblitz, capitão de cavalaria de origem germânica ao serviço da Coroa portuguesa.
Jorge Lóssio formou-se engenheiro em 1895 na antiga Escola Nacional de Engenharia, atual Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (antiga Universidade do Brasil); na qual mais tarde seria seu professor. Foi chefe da comissão apuradora do recenseamento de 1900, na Repartição Geral de Estatística Federal.
Jorge Lóssio casou-se, em 27 de abril de 1901, com Alice Pereira Paranhos de Lóssio, filha do engenheiro Fernando da Rocha Paranhos.
Em 1905, a pedido do então prefeito Paulo Alves, elaborou o projeto de esgotamento sanitário da cidade de Niterói, então capital estadual fluminense; plano este que seria executado anos depois.
No Rio Grande do Sul Jorge Lóssio também exerceria suas atividades profissionais. Entre 1902 e 1907, a Intendência da cidade de Porto Alegre investiu recursos na ampliação da oferta de água e empenhou-se na qualificação do projeto de esgoto que foi submetido à apreciação de engenheiros da França e da capital federal brasileira. A Intendência, também, julgou conveniente que fosse feito por um especialista em engenharia sanitária o exame local, para certificar-se onde ia ser construída a rede de esgotos, a fim de verificar, se deste novo exame poderia resultar-lhe alguma vantagem de ordem técnica e econômica; foi a direção dessa comissão confiada a Jorge Lossio; que passou a coordenar a Comissão de Saneamento (1907-1912) e, posteriormente, a Comissão de Melhoramentos e Embelezamento (1912-1914).
Quando do governo de Oliveira Botelho no estado do Rio de Janeiro, este encarregou Jorge Lóssio pela chefia estadual da Comissão de Saneamento, encarregada pelas obras de saneamento, urbanização e embelezamento das cidades de Resende, Macaé, Campos dos Goytacazes e Teresópolis. Neste cargo, Lóssio ainda permaneceria pelas três administrações governamentais fluminenses seguintes, atuando em outras cidades, tais como Itaperuna e São Fidélis.
Em 5 de novembro de 1916 foram inauguradas pelo presidente Nilo Peçanha as obras de melhoramentos na cidade de Campos dos Goytacazes, realizadas pela Comissão de Saneamento chefiada por Jorge Lóssio; tais obras reforçaram e ampliaram o sistema de diques e canais que visavam proteger a cidade das enchentes provocadas pelo Rio Paraíba do Sul em seu período de cheias.
Em 1919, Jorge Lóssio, como chefe da Comissão de Saneamento do Estado do Ro de Janeiro, inaugurou na cidade de Barra Mansa as obras de melhoramentos ali executados. Lóssio ainda seria encarregado pelo processo de dragagem do Canal do Itajuru e Lagoa de Araruama favorecendo a atividade salineira da região, a navegação e prática naútica e o desenvolvimento do Porto de Cabo Frio.
Torna-se um dos responsáveis pelo projeto de construção em alvenaria da Ponte Raul Veiga, na cidade de Santo Antônio de Pádua, erguida para substituir uma ponte de madeira já deteriorada erguida no governo estadual de Alfredo Backer, sobre o Rio Pomba. A ponte anterior, construída em 1909, já deteriorada, sofreu mais ainda com a grande cheia do rio Pomba, ocorrida no ano de 1917, sendo necessária sua substituição estrutural.
Ainda como Diretor Geral de Obras Publicas integrou a Comissão da Carta Geral Corográfica do Estado do Rio de Janeiro, Mandada organizar pelo Presidente do Estado, Raul Veiga. Foi sócio do Clube de Engenharia e membro de seu conselho diretor.
Em 1923, Lóssio afasta-se do cargo estadual de Diretor de Obras Públicas e Saneamento. Ele foi nomeado, pelo Governo Federal, para desempenhar no Ministério da Viação uma comissão para obras federais de saneamento na Baixada Fluminense.
Acometido por uma trombose, faleceu em sua residência na cidade do Rio de Janeiro, na Rua Voluntários da Pátria, 418. Foi sepultado no Cemitério São João Batista, tendo as expensas sido pagas pelo governo Estado do Rio de Janeiro, como forma de homenagem aos serviços públicos prestados pelo engenheiro. Quando do falecimento de Jorge Lóssio, o Clube de Engenharia fechou suas portas por três dias e hasteou a bandeira do clube em funeral, a pedido de Paulo de Frontin, presidente do clube.
Homenagens O engenheiro sanitarista Jorge Lóssio teve sua contribuição reconhecida por diversas cidades brasileiras, que perpetuaram sua memória por meio da denominação de logradouros públicos. Ruas com o nome de Jorge Lóssio podem ser encontradas nos municípios do Rio de Janeiro, Cabo Frio, Teresópolis, Barra Mansa, Nilópolis e Porto Alegre. Essas homenagens refletem o reconhecimento de sua atuação profissional e de sua importância para o desenvolvimento das políticas de saneamento e saúde pública, áreas fundamentais para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira. A presença de seu nome em diferentes regiões do país demonstra o alcance de seu legado e a permanência de sua contribuição na memória urbana de toponímia de logradouros dessas cidades.
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