Robinho Santana (14 de Julho, 1983, Diadema, São Paulo, Brasil) é um artista visual, pesquisador e músico experimental paulista. Seu trabalho envolve experimentação com som, imagem e performance, abordando temas como tecnologia, ancestralidade e cultura afro-diaspórica. Biografia Nascido no ano de 1983, Robinho Santana cresceu no bairro Jardim Ruyce, em Diadema, em uma família ligada ao movimento sindical metalúrgico e à Central Única dos Trabalhadores (CUT). É filho do deputado federal Vicentinho (PT). Sua trajetória foi marcada pela convivência com debates ligados às lutas trabalhistas e aos movimentos sociais, temas que aparecem com frequência em sua produção artística.
Ainda na infância, Robinho participou da Marcha Zumbi pela Vida, realizada em 1995, quando milhares de trabalhadoras e trabalhadores negros caminharam da cidade de São Paulo até Aparecida do Norte em protesto contra o racismo e em defesa da igualdade racial. Essas vivências contribuíram para a consolidação de sua perspectiva artística como instrumento de denúncia, reflexão e luta contra a opressão. Na adolescência, participou da formação de uma banda de punk rock com amigos, experiência que o levou à produção de capas de discos e cartazes de shows ligados à cena independente. Sua produção articula referências da cultura urbana - como o skate e o basquete.
Possui formação acadêmica como Bacharel em Design e Fotografia pela Universidade do Morumbi , mas atuou boa parte de sua vida como office boy no diretório do PT em São Bernardo do Campo. Tendo inicialmente tratado a arte como atividade secundária, aos 30 anos passou a dedicar-se integralmente à produção artística.
Ao longo de sua trajetória, desenvolveu trabalhos nas áreas de artes visuais, música experimental e intervenções urbanas, participando de exposições e projetos editoriais em espaços culturais brasileiros, incluindo o Instituto Moreira Salles, o Itaú Cultural e o Sesc Pompeia, como a Exposição (Re)conhecimento e o Programa Convida.
Um dos eixos centrais de suas obras é o compromisso com a representação do cotidiano de homens e mulheres negros das periferias brasileiras. Seu trabalho busca tensionar estereótipos históricos, propondo imagens que enfatizam o protagonismo do povo negro. Buscando investigar sua ancestralidade e vivências familiares, o artista transforma sua pesquisa individual em uma ferramenta de representatividade coletiva.
Estilo O estilo de Robinho Santana é marcado por uma versatilidade técnica, abrangendo pintura a óleo, serigrafia e muralismo de grandes proporções. Sua produção inclui desenhos, pinturas e murais em grande escala, refletindo suas vivências na periferia e a ocupação do espaço urbano através da arte. O artista é reconhecido por obras como o mural “Algo Sobre Nós” (2021), realizado no Elevado João Goulart (Minhocão), em São Paulo. Parte de suas obras combina elementos visuais e textos poéticos, aproximando artes visuais e poesia falada. Seus trabalhos também dialogam com manifestações da cultura urbana contemporânea, incluindo o slam.
No campo artístico, Santana destaca a importância da atuação de artistas negros e de promover representações negras nos espaços de Arte. Entre suas principais referências, estão nomes como Jean-Michel Basquiat, Sidney Amaral, Heitor dos Prazeres, Rosana Paulino, Maria Auxiliadora e Benedito José Tobias.
Temas recorrentes em sua produção, como a valorização das experiências de mulheres negras, especialmente mães periféricas, também se relacionam a referências pessoais de Robinho. O mural “Deus é Mãe” (2020), com 1.892 m², localizado na lateral do Edifício Itamaraty, em Belo Horizonte, exemplifica essa abordagem. A obra foi inspirada em um episódio envolvendo sua mãe, Josefa Santana, conhecida como Preta, que, mesmo hospitalizada após uma cirurgia delicada, demonstrou preocupação com o filho.
Reconhecimento Internacional Em março de 2021, Robinho foi convidado pelo editorial da revista Oprah Magazine para uma colaboração. Seu retrato de Breonna Taylor, mulher negra morta a tiros por policiais nos EUA em uma operação sem sucesso de busca e apreensão de drogas, foi publicado na revista e compartilhado pela apresentadora Oprah Winfrey nas redes sociais, no contexto das manifestações do movimento Black Lives Matter.
Principais projetos e obras 2017 - A mostra (Re)conhecimento, a arte de Robinho Santana - Exposição na Ação Educativa em São Paulo.
2020 - Obra: “Deus é Mãe” no edifício Cartacho, no Festival CURA (Circuito Urbano de Arte) em Belo Horizonte
2020 - Programa Convida - Instituto Moreira Salles
2021 - Obra: “Algo Sobre Nós” no Minhocão em São Paulo
2021 - Obra: “Retomada” na Fábrica de Cultura em São Paulo
Exposição (Re)conhecimento, a arte de Robinho Santana Em 2017, Robinho Santana participou da exposição (Re)conhecimento: a arte de Robinho Santana, realizada no Espaço Cultural Periferia no Centro, organizado pela Ação Educativa no bairro Vila Buarque em São Paulo. A mostra marcou sua inserção no circuito artístico contemporâneo. A exposição foi recebida positivamente pelo público, atraindo um número expressivo de visitantes e lotando o espaço durante a realização.
Programa Convida - Instituto Moreira Salles Em 2020, o artista desenvolveu um projeto no âmbito do Programa Convida, do Instituto Moreira Salles (IMS), a convite da área de Educação da instituição. A iniciativa integrou um conjunto de produções realizadas por artistas durante o período de pandemia da COVID-19, propondo reflexões a partir do contexto de isolamento social.
Obra: “Deus é Mãe” Entre suas obras de maior destaque está o mural “Deus é Mãe”, realizado em 2020 durante o Festival CURA (Circuito Urbano de Arte), em Belo Horizonte. Com aproximadamente 1.882 metros quadrados, a obra está localizada na Rua dos Tupis, número 733, no centro da cidade, e é considerada a maior empena de arte urbana do Brasil. O projeto foi desenvolvido em colaboração com pichadores mineiros, entre eles Poter, Lmb, Bani, Tek e Zoto, evidenciando o diálogo entre diferentes linguagens da arte urbana e reforçando o caráter coletivo da intervenção. Em 2020, a obra tornou-se objeto de inquérito pela Polícia Civil de Minas Gerais sob acusação de crime contra o meio ambiente urbano. O episódio foi interpretado pelo artista e por redes de apoio como um ato de criminalização da arte urbana e periférica. Em resposta, Robinho destacou que a ação policial reflete tensões sociais maiores, como a marginalização de jovens negros e a falta de valorização da cultura das favelas. Apesar do inquérito, o caso fortaleceu redes de solidariedade no meio artístico e o autor reafirmou seu compromisso com a arte como ferramenta de denúncia social. Em 2021, o Festival CURA anunciou publicamente que o Ministério Público de Minas Gerais emitiu parecer favorável ao arquivamento do inquérito, encerrando a investigação.
Ligações externas
Festival CURA (Circuito Urbano de Arte) Programa Convida
Categoria:Ilustradores do estado de São Paulo Categoria:Artistas afro-brasileiros