A Terra Indígena Rio Pequeno ou Território Indígena Rio Pequeno, também conhecido como Aldeia Rio Pequeno e, em guarani, Tekoha D'Jey ou Tekoha Jevy, é um território tradicional dos povos Guarani Mbiá e Nhandeva localizado no município brasileiro de Paraty, no estado do Rio de Janeiro, na região do Parque Nacional Serra da Bocaina.FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO - FUNAI (24 abr. 2017). Resumo do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da Terra Indígena Tekoha Jevy. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 77, p. 47-49.

O território é liderado pelo cacique Demécio Martine e pela vice-cacica Neusa Kunhã Taquá e se organiza a partir da Associação Comunitária Indígena Guarani Da Aldeia Rio Pequeno (ACIGARP).

Significado Para os Guarani, tekoha ou tekoá significa "o lugar do modo de ser guarani". Portanto, não corresponde apenas ao território ou espaço de moradia, mas inclui a existência de áreas de cultivo, caça, pesca, coleta, de locais sagrados e circulação social.Müller, Mônica Gomes, and Rafael Lazzarotto Simioni. "Terras indígenas e modos de ser: o sentido do tekoha guarani e o problema da demarcação das terras indígenas no brasil." Revista Direitos Culturais 11.25 (2016): 53-78.A preservação das matas e dos locais sagrados é considerada fundamental para a continuidade do modo de vida guarani. O nome Tekoha D'Jey (ou Jevy) significa "a terra que está de volta" em guarani. Delimitação A Terra Indígena Rio Pequeno está localizada no município de Paraty, no sul do estado do Rio de Janeiro. Com aproximadamente 2.370 hectares e um perímetro de cerca de 27 quilômetros, o território situa-se na sub-bacia do Rio Pequeno, a cerca de 22 quilômetros da área urbana do município. Parte de sua extensão encontra-se sobreposta ao Parque Nacional da Serra da Bocaina, enquanto seu limite leste é marcado pela rodovia federal BR-101 (conhecida como Rio-Santos).miniaturadaimagem|300x300px|Imagem Aérea Aldeia Rio Pequeno (2025) miniaturadaimagem|300x300px|Placa de Terra Protegida no Território Indígena Rio Pequeno História A área de ocupação tradicional do povo Guarani ou o território ancestral (em guarani, Yvyrupa) é transnacional e interestadual. Compreende uma grande região entre os rios Paraná e Paraguai (na Argentina, Bolívia e Uruguai), além do centro-sul e litoral brasileiro.Atualmente, este povo compõe a maior população indígena do Brasil, habitando vários estados da federação, entre eles o Rio de Janeiro. Sua trajetória é marcada por grande mobilidade territorial, chamada de "belo caminhar" (Ogata Porã).INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL - IPHAN. Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC): Yvyrupa – o território guarani (plataforma terrestre). Ficha de Identificação – Lugares (F50): Guata Porã. Brasília: IPHAN

Relatório da FUNAI O relatório de identificação e delimitação, por meio de portaria da Funai, produzido pela antropóloga Celeste Ciccarone reconstrói a história do Tekoha D'Jey a partir da história de ocupaçã.

Em 1958, um grupo familiar Guarani mbiá chegou à bacia do Rio Pequeno, em Paraty, cujo território possui locais considerados sagrados e ancestrais pelos Guarani. Esse grupo integrava um movimento de famílias provenientes das terras indígenas Rio das Cobras, no Paraná, e Rio Branco, em São Paulo. As famílias foram instaladas em uma área conhecida como Morro da Hortinha, próxima à antiga Fazenda Graúna. Posteriormente, famílias vindas de Paraty-Mirim também passaram a viver na área, formando uma comunidade de aproximadamente quarenta pessoas.

Na década de 1960, o contato com os moradores não-indígenas da região aumentou em razão do trabalho nas plantações de banana. Nessa época, a comunidade sofreu um ataque violento que resultou na morte de uma mulher e de uma criança. Após o ataque, as famílias abandonaram a região e se dispersaram por outras aldeias do litoral.

Nas décadas seguintes, alianças matrimoniais entre grupos Guarani mbiá do litoral sudeste e Guarani nhandeva do Mato Grosso do Sul mantiveram a circulação de famílias entre diferentes aldeias. Os conflitos fundiários no Mato Grosso do Sul contribuíram para novos deslocamentos de famílias Guarani em direção ao litoral sudeste. Parte dessas famílias retornou à Paraty e voltou a reinvindicar o Território Indígena Rio Pequeno.miniaturadaimagem|300x300px|Delimitação Territorial da Terra Indígena Rio Pequeno Demarcação territorial Em 2017, a Funai reconheceu a Território Indígena Rio Pequeno por meio da aprovação de seu "Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação". A área aguarda a conclusão do processo demarcatório.

Conflitos socioambientais Desde a década de 1960, a abertura de estradas e o avanço da ocupação imobiliária na região de Paraty têm provocado impactos ambientais e conflitos que afetam os moradores do Território Indígena Rio Pequeno. Entre os principais problemas estão o crescimento de empreendimentos imobiliários, o turismo desordenado, a extração de palmito, a caça ilegal, a agricultura comercial e a retirada de areia na foz do Rio Pequeno. Ver também

Guarani Mbiá Guarabi Nhandeva Neusa Kunhã Takuá Parque Nacional Serra da Bocaina

Ligações externas

Site oficial da ACIGARP Categoria:Terras indígenas do estado do Rio de Janeiro