Pedro Ponce de León foi um administrador colonial espanhol, governador da Província da Venezuela entre 1566 e a sua morte, em 1569. A sua administração coincidiu com a fase decisiva da conquista castelhana da região de Caracas: confirmou Diego de Losada como capitão e tenente-general da expedição, autorizando-o a povoar, repartir terras e conceder encomiendas. A campanha de Losada levou ao restabelecimento de povoações castelhanas no vale de Caracas, entre elas Santiago de León de Caracas e Nossa Senhora de Caraballeda.

Antecedentes

A informação conhecida sobre a sua vida anterior ao governo venezuelano é limitada. A crónica tardia de José de Oviedo y Baños descreve-o como membro de um ramo da Casa de Arcos e afirma que exercera o cargo de alcaide de Conil e das Almadrabas, além de outros empregos administrativos na Península Ibérica.

Nomeação e chegada à Venezuela

Filipe II de Espanha nomeou Pedro Ponce de León governador da Província da Venezuela em 17 de maio de 1564, incumbindo-o de concluir a conquista do território dos indígenas caracas. Chegou a Coro em maio de 1566.

O seu antecessor, Alonso Bernáldez de Quirós, entregou-lhe o cargo em 8 de maio de 1566, sendo depois submetido a um juízo de residência e considerado culpado por ter autorizado o comércio livre entre os moradores da província e corsários ingleses.

Ponce de León ordenou que Bernáldez fosse enviado preso para Espanha, tendo este, noi entanto, permanecido em Santo Domingo durante a deslocação.

Reorganização administrativa

Depois de chegar à província, Ponce de León nomeou Martim de Arteaga como seu tenente em Coro, Bartolomé García em Nova Valência del Rey, Francisco Sánchez em Barquisimeto e Francisco Pacheco em El Tocuyo.

Enviou o marechal Gutierre de la Peña para combater os jirajaras na região de Nirgua e comissionou Alonso de Pacheco para actuar na área do Lago de Maracaibo, procurando uma ligação mais curta com o Novo Reino de Granada.

Um estudo de Manuel Alberto Donís Ríos sobre a formação territorial do ocidente venezuelano cita uma carta de moradores de Maracaibo, datada de 4 de agosto de 1569, segundo a qual Alonso de Pacheco, enviado por Ponce de León, fundara uma povoação designada Nueva Ciudad Rodrigo.

Conquista e povoamento da região de Caracas

A principal orientação recebida por Ponce de León foi a continuidade da conquista e do povoamento castelhano da região de Caracas. A relação geográfica redigida pelo governador Juan de Pimentel em 1578 afirma que uma cédula régia ordenara que a província fosse povoada ou reedificada e que, em execução dessa ordem, Ponce de León nomeou Diego de Losada capitão e tenente-general.

Diego de Losada entrara na região por março de 1567, com 136 castelhanos, segundo Pimentel, reedificando os dois estabelecimentos anteriormente abandonados: a povoação de San Francisco passou a chamar-se Santiago de León, e El Collado, no litoral, recebeu o nome de Nossa Senhora de Caraballeda.

Losada pedira a Ponce de León a confirmação do encargo que recebera de Bernáldez de Quirós. O novo governador ratificou-o e concedeu-lhe novos poderes para povoar e repartir encomiendas.

Segundo Oviedo y Baños, Ponce de León colocou três dos seus filhos — Francisco, Rodrigo e Pedro — sob o comando de Losada durante a campanha.

A data precisa da fundação de Santiago de León de Caracas não é conhecida, tendo ocorrido entre abril e setembro de 1567; a tradição que a fixa em 25 de julho baseia-se na associação com a festa de Santiago, mas se conhecendo prova documental conclusiva.

A designação «de León» no nome da nova cidade tem sido por vezes interpretada como homenagem ao governador.

Em 1567, Borburata foi atacada pelo corsário francês Nicolas Valler. Pedro Ponce de León e o bispo Pedro de Ágreda abandonaram a povoação durante o assalto, juntamente com os moradores que conseguiram fugir, evidenciando a fragilidade dos núcleos coloniais costeiros da província, expostos simultaneamente à resistência indígena no interior e aos ataques de corsários europeus no litoral.

Em 1569, a Coroa expediu uma cédula dirigida a Ponce de León ordenando-lhe que retirasse as encomiendas e repartimentos concedidos a familiares e pessoas próximas e os redistribuísse entre os descobridores, conquistadores e povoadores de Caracas.

A ordem determinava que fossem observadas as Leis das Índias, privilegiando, na atribuição de benefícios, os participantes no povoamento que fossem casados. Apenas depois de estes receberem terras e indígenas poderiam ser favorecidas outras pessoas.

Morte e sucessão

Ponce de León morreu em Barquisimeto, no início de 1569. Oviedo y Baños atribuiu a morte a uma disenteria, indicando que ela ocorreu aproximadamente na mesma época da morte de Diego de Losada. Foi sucedido no cargo por Francisco Hernández de Chávez, como governador interino pela Real Audiência de Santo Domingo, em 28 de agosto daquele ano.

Segundo Oviedo y Baños, enquanto não era provido novo governador, a administração ficou a cargo dos alcaldes ordinários nos respectivos distritos. Uma carta de Diego de Losada, datada de 30 de agosto de 1569, confirma que este se deslocara a Santo Domingo após a morte de Ponce de León, procurando ser provido no governo da província, declarando que a Audiência nomeara Francisco Hernández de Chávez para o cargo.

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