Pablo Collado foi um administrador colonial espanhol, tendo exercido os cargos de governador e capitão-general da Província da Venezuela entre 1559 e 1561. O seu governo coincidiu com as primeiras tentativas de ocupação castelhana estável da região dos caracas, com a actuação de Francisco Fajardo e Juan Rodríguez Suárez, e com a invasão da província por Lope de Aguirre e os seus marañones.

Governo da Província da Venezuela

O licenciado Pablo Collado assumiu o governo da Província da Venezuela em novembro de 1559, restituindo ao chegar Diego García de Paredes no cargo de tenente de governador de Nueva Trujillo , e atribuindo a Francisco Ruiz igual função em El Tocuyo.

Veio a destituir García de Paredes em 1561, depois de este ter acolhido Juan Rodríguez Suárez, que fugira da jurisdição da Real Audiência de Santa Fé de Bogotá. Collado ordenou a prisão de García de Paredes, mas este deslocou-se para Mérida, advertindo o governador sobre a iminente chegada de Lope de Aguirre à Venezuela.

Francisco Fajardo e a região dos caracas

A administração de Collado esteve profundamente ligada às tentativas de ocupação castelhana da costa central e do vale de Caracas. Em 1560, concedeu a Francisco Fajardo poderes de tenente e capitão para povoar, repartir terras e encomendar os indígenas da região dos caracas.

Com esses poderes, Fajardo fundou a Vila de El Collado, posteriormente conhecida como Caraballeda. Segundo Juan de Pimentel, o povoado recebeu o nome de «Collado» em homenagem ao governador.

Durante a mesma campanha, Fajardo comunicou a Collado a descoberta de uma mina de ouro em território dos teques. O governador destituiu-o como tenente-general no vale e costa dos caracas, nomeando Pedro de Miranda para o substituir. Fajardo foi enviado sob escolta para El Tocuyo, onde se defendeu perante Collado e acabou designado justiça maior de El Collado. A resistência indígena impediu a consolidação do estabelecimento. Os toromaymas continuaram a atacar os ocupantes e a povoação acabou abandonada; somente em 1567, durante a expedição de Diego de Losada, seria fundado no mesmo local o núcleo de Nossa Senhora de Caraballeda.

Juan Rodríguez Suárez e San Francisco

Cerca de um ano e meio depois da fundação de El Collado, Collado enviou Juan Rodríguez Suárez para a região dos caracas, conferindo-lhe poderes de capitão. Segundo Pimentel, Rodríguez Suárez percorreu parte da região, entrou no vale onde posteriormente seria fundada Caracas e aí criou a povoação de San Francisco. Collado nomeou Rodríguez Suárez tenente-general da província de Caracas, atribuiindo-lhe tropas para combater os grupos indígenas da área. A campanha envolveu confrontos com comunidades associadas, nas fontes coloniais, a Guacaipuro, Paramaconi, Tiuna e Terepaima.

A exploração das minas em território teque e a presença castelhana agravaram o conflito. Guacaipuro atacou as minas, matou os trabalhadores e os filhos de Juan Rodríguez Suárez que se encontravam no local, e promoveu acções contra o hato de San Francisco.

Invasão de Lope de Aguirre

Em setembro de 1561, Lope de Aguirre e os seus marañones, em rebelião contra Filipe II, chegaram à Província da Venezuela depois de passarem pela ilha de Margarita. Durante a marcha entre Borburata, Valência e Barquisimeto, Aguirre enviou uma carta a Pablo Collado, na qual exigia poder comprar cavalos e mantimentos e ameaçava causar danos às povoações caso não obtivesse o que pretendia.

Aguirre chegou a Barquisimeto em 22 de outubro de 1561. Para enfrentar os rebeldes, Collado designou Gutierre de la Peña capitão-general das tropas, tendo também participado Diego García de Paredes. Foram afixadas cédulas de perdão assinadas por Collado, destinadas a favorecer a deserção entre os marañones.

Aguirre foi morto em Barquisimeto em 27 de outubro, após ser abandonado por vários dos seus homens. A captura e a morte do rebelde foram atribuídas principalmente à força dirigida por García de Paredes e Gutierre de la Peña, embora a posse das bandeiras de Aguirre tenha originado uma disputa posterior entre estes e Collado.

Juízo de residência

A resposta de Collado à invasão de Aguirre foi objecto de críticas contemporâneas. Em 1 de novembro de 1561, a Real Audiência de Santo Domingo nomeou Alonso Bernáldez de Quirós juiz de residência de Pablo Collado e encarregou-o de examinar as queixas relativas à sua actuação como governador. Bernáldez de Quirós chegou a Borburata em 24 de novembro de 1561, assumindo o governo interino da província. A sua nomeação deveu-se à avaliação negativa da conduta militar de Collado durante a invasão, tendo este deixado a direcção militar nas mãos de Gutierre de la Peña.

Inventários documentais venezuelanos registam a existência de uma residência de Pablo Collado, datada de 1561, e de uma «informação e pesquisa secreta» contra ele, conduzida em Valência em 1562 por Francisco López, tenente de governador de Bernáldez de Quirós.

Em 1562, Collado, Gutierre de la Peña e Diego García de Paredes compareceram em Madrid num litígio relativo aos troféus tomados a Lope de Aguirre.

Historiografia

A imagem negativa de Pablo Collado foi largamente moldada por crónicas e relatos ligados aos acontecimentos de 1561. Um estudo jurídico sobre o processo contra Lope de Aguirre observa que a comissão de Alonso Bernáldez de Quirós acumulou o juízo de residência de Collado e a sentença póstuma contra Aguirre por crime de lesa-majestade. O seu governo deve também ser situado no quadro da expansão colonial sobre a região dos caracas. As autorizações concedidas a Fajardo e Rodríguez Suárez implicavam a criação de povoações, a repartição de terras e a concessão de encomiendas, processos acompanhados por conflitos violentos com as populações indígenas locais e pelo abandono temporário de El Collado e San Francisco.

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