Francisco Fajardo (ilha de Margarita, c. 1524 — Cumaná, 1564) foi um conquistador e povoador colonial de ascendência guaiqueri e espanhola. Entre 1555 e 1564, dirigiu várias expedições e tentativas de colonização da costa central e do vale de Caracas, fundando ou promovendo os estabelecimentos efémeros de El Rosario, El Collado e do hato de San Francisco. As suas iniciativas foram condicionadas pela resistência dos povos indígenas da região, que impediram a consolidação desses núcleos.
Origem e família
A relação geográfica redigida pelo governador Juan de Pimentel em 1578 identifica-o como filho de «don Diego Fajardo» e de Isabel, uma indígena principal da ilha de Margarita, identificada pelo Diccionario de Historia de Venezuela como cacica guaiqueri.
A ascendência indígena de Fajardo teve importância prática nas suas primeiras expedições. A historiografia recente considera que os vínculos de Isabel com lideranças indígenas da costa central e o conhecimento de línguas locais facilitaram os primeiros contactos do filho, embora não tenham impedido o aparecimento rápido de conflitos.
Primeiras expedições
Em abril de 1555, Fajardo partiu de Margarita em duas pirogas, acompanhado pelos seus meio-irmãos maternos Alonso e Juan Carreño e por vinte indígenas, procurando estabelecer relações com chefes indígenas da Terra Firme, entre eles Naiguatá, identificado como tio de Isabel.
A relação de Pimentel situa em 1558 uma expedição de Fajardo, Isabel e dezanove homens ao local de Panecillo, na costa central, tendo a intervenção de Isabel facilitado inicialmente as negociações com os habitantes da região.
A Fundación Empresas Polar data uma segunda expedição de 1557. Nessa viagem, Fajardo teria seguido com Isabel, outros parentes e cem guaiqueris, passado pelo porto de Píritu e avançado para Panecillo. Depois de se deslocar a El Tocuyo, recebeu do governador Gutierre de la Peña autorização para governar e povoar a costa entre Borburata e Maracapana, começando a erguer em Panecillo uma povoação a que chamou El Rosario.
Panecillo e El Rosario
O cacique Paisana aproximou-se do acampamento de Fajardo para negociar a paz, sendo enforcado por ordem deste, episódio que estará relacionado com a retaliação posterior de comunidades indígenas, que envenenaram a água utilizada pelos ocupantes e causaram numerosas mortes, obrigando Fajardo a retirar para Margarita em 1558. Pimentel descreveu o conflito e localiza-o em Panecillo. Segundo a sua relação, os indígenas colocaram veneno nos alimentos e na água, provocando a morte de Isabel e de alguns membros da expedição, tendo Fajardo regressado então à ilha de Margarita. Estes acontecimentos ocorreram num contexto maior de resistência indígena à ocupação colonial, não tendo as relações de parentesco e comunicação inicialmente mobilizadas por Fajardo garantido a aceitação das povoações castelhanas pelos diferentes grupos da costa central.
El Collado e o vale do Guaire
Por volta de 1560, Fajardo regressou à Terra Firme e deslocou-se a Valência. Segundo a Fundación Empresas Polar, recebeu do governador Pablo Collado o título de tenente-general e um reforço de trinta soldados.
Pimentel afirmou que Collado lhe concedeu poderes para povoar, repartir terras e atribuir encomiendas na costa e no vale dos Caracas. Fajardo estabeleceu então El Collado, no local da posterior Nossa Senhora de Caraballeda, nome que homenageava o governador.
Fajardo passou também para o vale do rio Guaire, ao qual chamou San Francisco, e aí criou um hato, isto é, uma exploração pecuária. Este hato distingue-se do posterior núcleo urbano de San Francisco. Em 1560, as duas iniciativas de Fajardo eram El Collado, no litoral, e o hato de San Francisco, no vale de Caracas.
Fajardo regressou ao vale e descobriu jazidas auríferas em território dos teques. Collado substituiu-o por Pedro de Miranda na exploração das minas, mantendo Fajardo como justiça maior de El Collado.
Segundo Pimentel, a povoação chamada San Francisco foi fundada mais tarde por Juan Rodríguez Suárez, enviado por Collado para a região.
Resistência indígena e abandono dos povoamentos
A exploração das minas e a expansão castelhana agravaram o conflito com as comunidades indígenas da região. Guacaipuro levou a cabo uma série de ataques contra os trabalhadores das minas, contra o hato de San Francisco e contra as forças coloniais instaladas no vale. Após a morte de Juan Rodríguez Suárez, Fajardo voltou a assumir o comando da presença castelhana na região. Alonso Bernáldez de Quirós enviou uma força de socorro, comandada por Luis de Narváez, mas a expedição foi derrotada por indígenas da região, segundo Pimentel.
A relação de 1578 afirma que Fajardo tentou defender El Collado com uma fortificação de madeira, mas acabou por abandonar a povoação devido aos ataques e às perdas sofridas. Parte dos seus homens retirou-se para Borburata; Fajardo e os restantes regressaram por mar a Margarita.
A investigação historiográfica recente considera que El Collado e o hato de San Francisco desapareceram rapidamente, porque as populações indígenas das áreas próximas mantiveram oposição activa à penetração colonial. Apenas em 1567, com a entrada de Diego de Losada, seria fundada Santiago de León de Caracas no vale.
Última expedição e morte
Em 1564, Fajardo organizou uma nova expedição, equipada com soldados, cavalos e mantimentos. Desembarcou a sotavento de Cumaná, mas foi preso pelo justiça maior Alonso Cobos.
Cobos submeteu Fajardo a um julgamento sumário e ordenou o seu enforcamento em Cumaná, sendo a sua morte situada nesse mesmo ano.
Posteriormente, habitantes de Margarita, conduzidos pelo justiça maior Pedro de Biedma, capturaram Alonso Cobos e levaram-no para a ilha. Cobos teria sido posteriormente condenado à morte pela Real Audiência de Santo Domingo.
Categoria:Conquistadores espanhóis Categoria:História da Venezuela Categoria:Mortos em 1564 Categoria:Mortos em Cumaná