Juan Pérez de Tolosa (Segóvia, — agosto de 1549) foi um licenciado e administrador colonial da Monarquia Hispânica. Por provisão de Carlos I, de 12 de setembro de 1545, foi incumbido de exercer interinamente o governo da Província da Venezuela e de conduzir a residência das autoridades que a tinham administrado, exercendo o governo da província entre 1546 e a sua morte, em 1549.
O episódio mais documentado do seu governo foi o processo contra Juan de Carvajal, que mandara matar Filipe de Utre e Bartolomeu Welser, o Moço; Pérez de Tolosa ordenou a prisão de Carvajal e proferiu a sentença que determinou a sua execução em 16 de setembro de 1546.
Governo da província
Pérez de Tolosa nasceu por 1490 em Segóvia. Foi-lhe confiado o governo interino da Província da Venezuela e a função de juiz de residência por provisão régia de 12 de setembro de 1545 confiou-lhe . A comissão foi emitida num momento em que a administração atribuída à casa Welser, por concessão da Coroa em 1528, enfrentava uma crise de autoridade na província. Quando Pérez de Tolosa chegou à província, em 1546, o conquistador Juan de Carvajal exercia de facto a autoridade a partir de El Tocuyo, fundada no ano anterior.
Em 1546, Pérez de Tolosa dirigiu-se a El Tocuyo, onde mandou prender Juan de Carvajal. O processo incidiu sobre a morte de Filipe de Utre — também conhecido como Philipp von Hutten —, de Bartolomeu Welser, o Moço, e dos homens que os acompanhavam, executados por ordem de Carvajal após o regresso da expedição de Utre ao território venezuelano. A sentença proferida por Pérez de Tolosa condenou Carvajal à morte por enforcamento, sendo executado em 16 de setembro de 1546.
Juan de Villegas, que exercera funções sob Carvajal, foi igualmente abrangido pelas averiguações. Depois de libertado, foi nomeado por Pérez de Tolosa, em 6 de abril de 1547, tenente do governador, capitão-general e alcalde-mor de El Tocuyo. Em 6 de julho de 1548, o governador confirmou Villegas no cargo e confiou-lhe a chefia das expedições de fundação promovidas a partir daquela cidade, sendo esta uma das principais medidas administrativas documentadas do seu governo.
Expedição de Alonso Pérez de Tolosa
No início de 1547, Pérez de Tolosa encarregou o seu irmão, Alonso Pérez de Tolosa, de comandar uma expedição que saiu de El Tocuyo com cerca de uma centena de espanhóis, entre os quais se encontrava Diego de Losada. A jornada atravessou o vale do Tocuyo e alcançou o rio Apure, prosseguindo depois para a região andina.
Na narrativa de José de Oviedo y Baños, a expedição enfrentou resistência indígena durante o percurso. Na zona de Táriba, Alonso Pérez de Tolosa e outros homens ficaram feridos, tendo os espanhóis perdido seis cavalos; o grupo continuou então pelos vales de Capacho e de Cúcuta.
Política relativa aos indígenas e à escravatura
Em 1546, quando ainda não tomara posse do cargo, Pérez de Tolosa recebeu uma instrução régia que proibia a tomada de indígenas como escravos, ordenando ainda a nomeação de procuradores para defender a causa dos indígenas, e determinando que se preservassem as vidas dos indígenas e dos escravos africanos; se necessário para esse fim, a pesca de pérolas deveria cessar.
Em carta ao rei, em 1548, Pérez de Tolosa declarou que alguns povoadores haviam feito crer aos indígenas que tinham licença para comprar e trocar indígenas como escravos, o que levara grupos indígenas a guerrearem entre si para capturar pessoas e vendê-las aos cristãos. Denunciou também Diego de Buiza, então ligado ao governo da província, por perseguir jirajaras para os escravizar.
Morte, sucessão e residência
Pérez de Tolosa morreu em 1549. Em 28 de março desse ano, Juan de Villegas, seu tenente de governador em El Tocuyo, recebeu em Borburata a notícia da sua morte. Villegas interrompeu então o povoamento da localidade e regressou a Coro, cujo cabildo pedira a sua nomeação como governador interino da Província da Venezuela.
Cerca de 1550, a Real Audiência de Santo Domingo nomeou Villegas governador provisório da província. Villegas tomou posse em Coro, assumindo posteriormente as funções em Borburata, em 26 de maio, e em El Tocuyo, em 7 de setembro.
Em 12 de junho de 1553, Alonso Arias de Villasinda tomou posse como governador e capitão-general da província, tendo entre as suas atribuições a realização do juízo de residência de Pérez de Tolosa.
Categoria:Governadores da Venezuela Categoria:Nascidos na década de 1490 Categoria:Mortos em 1549 Categoria:Naturais de Segóvia