Cleber Paulo Montanheiro (São Paulo, 16 de julho de 1970), mais conhecido como Kleber Montanheiro, é um diretor de teatro, cenógrafo, figurinista, iluminador, e ator paulistano. Fundador e diretor artístico da Cia. da Revista, grupo de teatro especializado na investigação do teatro de revista fundado em 1997, dirigiu dezenas de espetáculos teatrais ao longo de mais de trinta anos, pelos quais recebeu premiações como Prêmio Shell, Prêmio APCA e Prêmio Bibi Ferreira.
Seu trabalho é reconhecido por sua inventividade e plasticidade, pela forte presença de elementos musicais, e pela variedade de referências teatrais, em especial a commedia dell'arte, o cabaré alemão e o musical da Broadway. É um dos principais diretores de teatro musical em São Paulo atualmente e considerado um dos mais importantes diretores de teatro do Brasil na contemporaneidade.https://istoe.com.br/kleber-montanheiro-celebra-sucesso-gal-o-musical
Primeiros trabalhos
Filho de Marli Montanheiro, artista plástica, e Luiz Valdir Montanheiro, trompetista, Kleber Montanheiro nasceu na capital paulista e cresceu na Vila Ipojuca. Irmão primogênito de Erica Montanheiro e Simone Montanheiro, demonstrou interesse pelo teatro desde a primeira idade, e aos 17 anos começou a fazer aulas de balé clássico em uma escola de dança do bairro. Nessa escola, produziu e dirigiu seu primeiro espetáculo amador, Que Saudade, Elis! (1989), uma homenagem à cantora brasileira Elis Regina. Anos depois, produziu e dirigiu os espetáculos amadores Cabaré Brasil (1990), no Avenida Club, em Pinheiros, e Pétalas de Sangue (1991).
Em 1992, ingressou no curso técnico profissionalizante do Teatro-escola Célia Helena, onde teve seu primeiro contato com a commedia dell'arte e com a produção de máscaras. Naquele ano, teve aulas de improvisação com o diretor e roteirista Flávio de Souza, que o convidou para ser seu assistente de direção do espetáculo De pernas pro ar (1992), que tinha no elenco Lígia Cortez, Patrícia Gaspar, Norival Rizzo e Flávio de Souza. Ainda naquele ano, contou com a ajuda da atriz e diretora Célia Helena para conseguir os direitos e produzir seu primeiro espetáculo profissional, Maroquinhas Fru-fru (1993), peça infantil da dramaturga Maria Clara Machado. O espetáculo da Companhia Tromba na Tuba, uma versão clownesca, inspirada nas máscaras da commedia dell’arte, estreou no teatro da escola Célia Helena no segundo semestre de 1992 e reestreou no Teatro FAAP em 1993.https://bjks-opac.museus.gov.br/bib/118515
Ainda com o mesmo grupo, Kleber dirigiu a clássica burleta de José Piza e Artur Azevedo, O mambembe (1993), no teatro Avenida Club.SILVA, João Victor. Cia. da Revista - 25 Anos. São Paulo: Ercolano, 2025, p. 22. No ano seguinte, foi assistente de direção e posteriormente ator no espetáculo Uma rapsódia de personagens extravagantes (1991), da Troupe de Atmosfera Nômade, dirigido por Cristiane Paoli-Quito.https://acervodigital.unesp.br/handle/unesp/378650?mode=full Com a Troupe, participou também de Mitos e Paixões (1993), peça que investigava as relações entre os arquétipos do commedia dell'arte e a tragédia grega, a partir de Oréstia, de Ésquilo. No ano seguinte, dirigiu também uma peça escrita por Flavio de Souza, Ilustre Desconhecido (1994), que ficou em cartaz por poucos meses no Teatro FAAP.
Durante o período de investigações e experimentações em torno da commedia dell'arte, Kleber toma contato com outros gêneros e formas do teatro musicado, como a opereta, o vaudeville, do burlesco e o teatro de revista. Instigado pelo último, decide criar um espetáculo inspirado na vida e obra do compositor brasileiro Noel Rosa a partir dos recursos do teatro de revista, processo que resultou no espetáculo musical A cor de Rosa (1995), com texto de Flávio de Souza e direção de William Pereira, que ficou em cartaz na Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo, com Kleber Montanheiro dando vida ao papel-título. Nesse mesmo período, Kleber Montanheiro trabalhou como palhaço no projeto Doutores da Alegria, em São Paulo.
Cia. da Revista
Após a primeira temporada de A cor de Rosa, Kleber Montanheiro decidiu fundar uma companhia que tivesse por objetivo insvetigar as linguagens do teatro de revista, a Cia. da Revista, em 1997. Após uma tentativa fracassada de produzir um musical sobre o compositor Lupicínio Rodrigues em 1997SILVA, João Victor. Cia. da Revista - 25 Anos. São Paulo: Ercolano, 2025, p. 27., Kleber estrela a segunda montagem de A cor de Rosa, que reestreia em 1999 no Teatro Studium (antigo Teatro Zaccaro), já como o primeiro espetáculo da Cia. da Revista. Naquele ano, Kleber dirigiu e atuou no espetáculo Kabarett (1999), produzido a partir de canções do cabaré alemão, que estreou no Centro Cultural São Paulo, ao lado das atrizes Chris Belluomini e Ieda Cândido. Em 2001, Kleber dirige o espetáculo Tem francesa no morro (2001), inspirado no samba do compositor Assis Valente, em uma parceria entre a Cia. da Revista e o grupo As Graças.
No ano seguinte, codirigiu com Cássio Pires e Cláudia Zucheratto O rouxinol (2002), adaptação do conto de Hans Christian Andersen, no Teatro Alfa. Após um intervalo de alguns anos, a Cia. da Revista produziu a trilogia Outros olhares sobre o velho mundo, em que o teatro de revista seria utilizado para refletir sobre o mundo contemporâneo, suas tensões e suas formas.SILVA, op. cit, p. 47. Nessa trilogia, que ficou em cartaz no Centro Cultural Sao Paulo, codirigiu com Nicole Aun o espetáculo Caos 1-3 (2006), em que também assinou dramaturgia, cenário, figurino e iluminação, dirigiu Nem aqui, nem lá (2006), com dramaturgia de Cássio Pires, e MauDitas (2006), com texto de Bruna Longo.
Em 2007, dirigiu e assinou cenários e figurinos de uma segunda trilogia, Clássicos para menores, em que obras clássicas foram revisitadas a partir da linguagem da commedia dell'arte e do teatro de revista. Nessa trilogia, a Cia. da Revista produziu os espetáculos O doente imaginário (2007), no Teatro Vivo, Sonho de uma noite de verão (2008), no Teatro Aliança Francesa, e A Odisseia de Arlequino (2009), no Miniteatro, a primeira sede da Ci.a da Revista, inaugurada na Praça Roosevelt em São Paulo em 17 de abril de 2009 com a reestreia do espetáculo Bem-aventurados os anjos que dormem (2008), que havia estreado no ano anterior no teatro Aliança Francesa.
Após remontagens de Kabarett e de dirigir os espetáculos Cada qual no seu barril (2011) e Carnavalha (2011), que também estrearam e ficaram em cartaz no Miniteatro, Kleber se dedicou ao primeiro projeto do grupo fomentado pelo programa municipal de Fomento ao teatro para a cidade de São Paulo, entitulado Bras-ilha – carnavalização e civilização na cidade ideal, que resultou no espetáculo Cabeça de papelão (2012), inspirado no conto "O homem da cabeça de papelão", de João do Rio.
Na nova sede do grupo, o Espaço Cia. da Revista, na Alameda Nothmann, na Santa Cecília, Kleber dirigu uma montagem da Ópera do malandro (2014), de Chico Buarque, que havia estreado no Centro Cultural Banco do Brasil antes de ser remontada no novo espaço da companhia. Dois anos depois, dirigiu Um dez cem mil inimigos do povo (2016), inspirado na obra de Henrik Ibsen, também no Espaço Cia. da Revista.
Após um hiato de três anos, em que se dedicou a projetos pessoais, voltou aos palcos com a terceira e mais recente trilogia da Cia. da Revista, Conexão São Paulo - Pernambuco, que consistiu nos espetáculos Nossos ossos (2021), adaptação do romance de Marcelino Freire, Tatuagem (2022), adaptação do filme homônimo de Hilton Lacerda, e João (2025), musical inspirado na vida e obra de João Cabral de Melo Neto. Por Tatuagem e João, Kleber recebeu prêmios de Melhor Direção do Prêmio APCA e do Prêmio Bibi Ferreira.
Outros trabalhos
Além de seu trabalho à frente da Cia. da Revista, Kleber Montanheiro acumulou uma série de trabalhos como diretor, cenógrafo, figurinista e iluminador. Desde 1994, colaborou com diretores como Gianni Ratto, José Possi Neto, Antônio Abujamra, Myriam Muniz, Denise Weinberg, Roberto Lage, Naum Alves de Sousa, Aimar Labaki, Antônio Bivar, Marcelo Médici e Neyde Veneziano.
Entre 2017 e 2025, assinou a expografia e a cenografia das ocupações do Itaú Cultural dos artistas Laura Cardoso, Lima Duarte, Tônia Carrero e Grande Otelo.https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/29821-kleber-montanheiro
No teatro musical paulistano, suas produções mais recentes incluem Cabaret - Kit Kat Club (2024), montagem do musical da Broadway de John Kander e Fred Ebb que estreou no 033 Rooftop do Teatro Santander pelo qual foi premiado como Melhor Diretor no Prêmio Bibi Ferreira; JECA - Um povo ainda há de vingar (2025), do Grupo 59 de Teatro, que estreou no Teatro Anchieta do SESC Consolação; e Gal, o musical (2026), inspirado na vida e obra da cantora Gal Costa, que ficou em cartaz no mesmo teatro em São Paulo.
Ao longo de sua carreira, foi indicado a mais de 30 prêmios, dos quais foi vencedor em mais de uma dezena.
Obra completa Teatro (Direção) 1992 – Maroquinhas Fru-fru 1993 – O mambembe 1994 – Ilustre desconhecido 1999 – Kabarett 2001 – Tem francesa no morro 2002 – O rouxinol 2006 – Caos 1–3 2006 – Nem aqui, nem lá 2006 – MauDitas 2007 – O doente imaginário 2008 – Bem-aventurados os anjos que dormem 2008 – Sonho de uma noite de verão 2009 – A Odisseia de Arlequino 2011 – Cada qual no seu barril 2011 – Carnavalha 2012 – Cabeça de papelão 2012 – A História do Incrível Peixe Orelha 2014 – Ópera do malandro 2016 – Um dez cem mil inimigos do povo 2018 – Carmen, a pequena grande notável 2021 – Nossos ossos 2022 – Tatuagem 2024 – Cabaret - Kit Kat Club 2025 – João 2025 – JECA - Um povo ainda há de vingar 2026 – Gal, o musical Expografia 2017 – Ocupação Laura Cardoso 2020 – Ocupação Lima Duarte 2022 – Ocupação Tônia Carrero 2025 – Ocupação Grande Otelo
Principais premiações Ano Prêmio Categoria Nomeação Resultado Ref. 2008 Prêmio APCA Melhor Diretor Sonho de uma noite de verão 2009 Prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem Melhor Direção A odisseia de Arlequino Prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem Melhor Figurino 2012 Prêmio APCA Melhor Cenário e Figurino A história do incrível Peixe Orelha Prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem Melhor Cenário e Figurino 2013 Prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem Melhor Iluminação Crônicas de cavaleiros e dragões – O tesouro dos Nibelungos 2018 Prêmio Shell de Teatro Melhor Figurino Um beijo em Franz Kafka 2019 Prêmio Bibi Ferreira Melhor Cenografia em Peça de Teatro 2022 Prêmio APCA Melhor Diretor Tatuagem Prêmio Bibi Ferreira Melhor Direção em Musicais Prêmio Arcanjo Teatro (Destaque) Prêmio DID Destaque Direção 2024 Prêmio Bibi Ferreira Melhor Direção em Musicais Cabaret – Kit Kat Club Prêmio Bibi Ferreira Melhor Figurino em Musicais Prêmio DID Destaque Direção 2025 Prêmio APCA Direção João Referências
Categoria:Diretores de teatro do Brasil