O Primeiro Congresso Universal das Raças foi uma conferência diplomática realizada em 1911, durante quatro dias, na Universidade de Londres, como um dos primeiros esforços organizados de combate ao racismo. Palestrantes de diversos países discutiram as relações raciais e formas de aprimorá-las. O congresso, com 2.100 participantes, foi organizado por proeminentes humanistas da época; concebido como resultado de comentários feitos em 1906 por Felix Adler, foi executado principalmente por Gustav Spiller, uma liderança da União Ética Britânica (atual Associação Humanista Britânica). Philip Stanhope foi o presidente do congresso, e William Pember Reeves presidiu seu comitê executivo.
Mais de 50 países e 20 governos enviaram representantes, resultando em 58 trabalhos, que foram categorizados em cinco grupos: considerações fundamentais, condições de progresso, problemas da economia interracial e do contato pacífico entre civilizações, a consciência em relação às questões raciais, sugestões para promover relações interraciais.
Compondo delegação do Brasil, o então diretor do Museu Nacional, João Batista de Lacerda, utilizou a tela A Redenção de Cam (1895), de Modesto Brocos, para ilustrar sua tese sobre o branqueamento da população brasileira.
Participantes direita|miniaturadaimagem|300x300px|Principais delegados no primeiro Congresso Universal das Raças, 1911 Felix Adler foi o delegado do extinto Escritório Nacional de Educação, como era então conhecido o Departamento de Educação dos Estados Unidos. O antropólogo Franz Boas, um crítico contundente do racismo, discursou sobre "The Instability of Human Types" ("A Instabilidade dos Tipos Humanos"), que questionava a própria noção de raça e pureza racial. O antropólogo e etnólogo britânico Alfred Cort Haddon escreveu um artigo para a revista Science sobre o congresso. O filósofo humanista bengali Brajendra Nath Seal, defensor do Brahmo Samaj e estudioso de religião comparada, proferiu uma palestra intitulada "Race Origin" ("Origem das Raças"), introduzindo o conceito de divergência de grupos em sua relação com a genética evolutiva humana e os efeitos do isolamento reprodutivo. O escritor, médico e reformista Charles Eastman, um sioux santee e anglo-americano ativo na política e nos direitos dos povos nativos americanos, representou os indígenas americanos no congresso. Sarah J. Garnet acompanhou sua irmã Susan McKinney Steward, que apresentou ao congresso seu trabalho ("Colored American Women", "Mulheres Americanas de Cor"). A médica pioneira Frances Hoggan também discursou. W. E. B. Du Bois observou que o congresso poderia esclarecer o estado do conhecimento científico sobre o significado de "raça" e apresentou seu trabalho, "The Negro Race in the United States of America" ("A Raça Negra nos Estados Unidos da América"). Mary White Ovington, cofundadora da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês), esteve presente, e Mojola Agbebi, defensor do autogoverno das igrejas africanas, apresentou um trabalho. William Sanders Scarborough foi o delegado da Universidade Wilberforce, a primeira faculdade dos Estados Unidos de propriedade afro-americana. O líder da Fé Bahá'í, 'Abdu'l-Bahá, foi convidado a discursar; ele enviou representantes, uma carta e apresentações de diversos bahá'ís. Outros oradores religiosos incluíram Thomas William Rhys Davids, Genchi Kato e Alfred Caldecott.
Ver também Eugenia Higienismo Racismo científico Branqueamento racial Conferência Mundial contra o Racismo Congresso Pan-Africano Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial
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