Antonio de Berrío foi um militar, explorador e administrador colonial da Monarquia Hispânica. Herdou, através da sua mulher, Maria de Oruña, direitos e pretensões associados à governadoria do El Dorado de Gonzalo Jiménez de Quesada, dirigindo várias jornadas de exploração a partir do Novo Reino de Granada, pelos sistemas fluviais dos rios Meta e Orinoco. A sua actividade esteve ligada à constituição efectiva da Província da Guiana em 19 de março de 1591 e ao povoamento espanhol de Trindade e do baixo Orinoco.

Do casamento com María de Oruña, teve Fernando de Berrío, que lhe sucedeu na governação da Guiana e de Trindade, e Francisco de la Hoz Berrío, governador e capitão-general da Província da Venezuela.

Carreira na Península Ibérica Valeriano Sánchez Ramos identifica Antonio de Berrío como natural de Segóvia, relacionando a sua presença nas Alpujarras com a carreira militar que desenvolvera anteriormente na Europa. Depois da Guerra das Alpujarras, elaborou um estudo sobre a situação defensiva do litoral do Reino de Granada.

Em 1572, Berrío comandava uma companhia de 62 soldados, dividida em quatro quadrilhas, que actuava no triângulo formado por Berja, Adra e Dalías, protegendo o território e preparando a instalação dos novos povoadores. Estabeleceu-se em Berja em 1575, comandando uma das duas companhias de soldados existentes na localidade.

Herança e chegada ao Novo Reino de Granada

Berrío casou com Maria de Oruña, sobrinha de Gonzalo Jiménez de Quesada. Depois da morte deste, em 1579, a família de Berrío passou a reivindicar a sucessão nos títulos, direitos e bens ligados ao projecto de conquista e governadoria do El Dorado, vindo a instalar-se no Novo Reino de Granada em 1580. Em 26 de agosto de 1579, embarcou no porto de Sevilha com a família e criados, seguindo para as Índias a fim de tomar posse da herança de Gonzalo Jiménez de Quesada no Novo Reino de Granada. Entre os seus acompanhantes encontrava-se o escrivão Gaspar de Ávila, que mais tarde exerceu o ofício em Santa Fé de Bogotá.

O título de «governador do El Dorado» correspondia a uma concessão e a um programa de conquista e povoamento, não ao governo efectivo de uma cidade de ouro identificada. A busca de El Dorado articulava expectativas de riqueza mineral, informações recolhidas entre diferentes povos indígenas e a tentativa de abrir uma via entre o interior neogranadino, os llanos e a região da Guiana.

Jornadas para o Orinoco e a Guiana

Entre 1583 e 1590, Berrío organizou várias expedições sucessivas para os llanos, o curso do Meta e o alto Orinoco. A documentação publicada por Pablo Ojer inclui uma relação de Alonso de Pontes sobre a jornada ao Meta, datada de 1583, e uma carta-relação enviada por Berrío ao rei, em 2 de dezembro de 1594, na qual o governador tratou das jornadas já realizadas e das disputas de jurisdição com governadores vizinhos.

As expedições procuravam alcançar a região situada a leste do Orinoco, que os espanhóis associavam ao El Dorado e a Manoa. As informações recolhidas e a experiência das jornadas levaram Berrío a fazer do Orinoco, do Caroní e de Trindade os eixos de uma estratégia de exploração, abastecimento e colonização.

Guiana, Trindade e povoamento

Segundo Guillermo Morón, a governadoria e comandância-geral da Guiana, prevista juridicamente em 1530 e novamente em 1568, só adquiriu realidade geográfica e histórica a partir de 19 de março de 1591, com Antonio de Berrío, tendo Trindade integrado a Província da Guiana deste 1591 até 1731, quando passou a dispor de governadoria e capitania-geral próprias.

No âmbito da ocupação de Trindade, Domingo de Vera Ibargoyen, lugar-tenente e comissário de Berrío, fundou San José de Oruña em 1592. A localidade tornou-se a principal base espanhola da ilha, sendo inicialmente sede do governo colonial de Trindade.

Berrío esteve também ligado à implantação de Santo Tomé de Guayana, no baixo Orinoco. A cronologia das várias implantações, deslocações e reconstruções de Santo Tomé é complexa; a historiografia situa a intervenção de Berrío na década de 1590 e relaciona-a com a necessidade de assegurar uma base de ocupação espanhola e de acesso fluvial à Guiana.

Captura por Walter Raleigh

Em 1595, a expedição inglesa de Walter Raleigh tomou San José de Oruña e capturou Berrío. O episódio é descrito no relato publicado por Raleigh no ano seguinte, The Discoverie of the Large, Rich and Bewtiful Empyre of Guiana, no qual o navegador afirmou ter afastado Berrío do empreendimento espanhol antes de subir o Orinoco em busca de Manoa e do Dorado.

Últimos anos e sucessão

Após a libertação, Berrío regressou aos seus projectos de exploração e povoamento na Guiana. Morreu em 1597, tendo a continuidade da governadoria e da procura do El Dorado passado para o seu filho, Fernando de Berrío, que lhe sucedeu como governador da Nueva Guipúzcoa del Dorado. Fernando instalou a sede do governo em San José de Oruña, na ilha de Trindade, ficando a administração associada à colonização da Guiana, bem como ao cultivo e comércio do tabaco.

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