Arthur Ferreira de Andrade (4 de maio de 1871 – 11 de março de 1925) foi um jornalista, advogado, funcionário público e um dos fundadores do jornal O Exemplo (1892–1930), um dos principais periódicos da imprensa negra no Rio Grande do Sul. Foi o primeiro diretor do jornal, assumindo sua direção editorial aos 21 anos e permanecendo como colaborador até sua morte. Nascido livre no mesmo ano da promulgação da Lei do Ventre Livre, viveu sua infância e juventude durante o período escravista, tornando-se posteriormente uma das principais lideranças da imprensa e da intelectualidade negra gaúcha. Morreu aos 54 anos, em 11 de março de 1925, vítima de uremia.
Família Em 1910, casou-se com a cirurgiã-dentista Carmen Pinto Azevedo, com quem teve dois filhos. Carmen Pinto de Azevedo Andrade foi uma cirurgiã-dentista, professora e filantropa, nascida em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 9 de dezembro de 1890. Graduou-se em Odontologia pela Faculdade de Medicina do Rio Grande do Sul, em 1908, destacando-se como uma das pioneiras da profissão no estado.
Ao longo de sua trajetória profissional, atuou como cirurgiã-dentista da Escola de Engenharia e, semanalmente, prestava atendimento odontológico aos alunos do Patronato Rural. Foi co-fundadora do Sindicato Odontológico e destacou-se como pioneira na implantação da Odontologia Escolar, tornando-se a primeira cirurgiã-dentista da Escola Profissional Feminina Ernesto Dorneles. Paralelamente às suas atividades profissionais, desenvolveu um importante trabalho filantrópico, oferecendo atendimento odontológico gratuito à população em situação de vulnerabilidade social.
Carmen Pinto de Azevedo Andrade foi casada e teve dois filhos, Renato e Consuelo. Faleceu em Porto Alegre, em 16 de dezembro de 1950. Em reconhecimento à sua significativa contribuição para a odontologia, para a educação e para a assistência social no município, seu nome foi atribuído a uma via pública da cidade, por meio da Lei nº 5.774, de 21 de julho de 1986.
Formação
Trabalho Arthur Ferreira de Andrade ingressou nos Correios por concurso público, onde trabalhou por mais de duas décadas, alcançando o cargo de oficial da Seção de Administração. Destacou-se por sua atuação na imprensa negra como um dos fundadores e primeiro diretor do jornal O Exemplo, permanecendo como redator e colaborador durante toda a sua vida.
Também participou ativamente da vida política e associativa de Porto Alegre, integrando o Partido Republicano Rio-Grandense, a Guarda Nacional, onde atuou como orador do Clube de Oficiais, e diversas entidades da comunidade negra, como a Beneficência Porto-Alegrense, da qual foi vice-presidente. Seu trabalho no jornal e sua atuação em instituições civis consolidaram-no como uma importante liderança intelectual e política da população negra no Rio Grande do Sul.
Categoria:Imprensa negra no Rio Grande do Sul