miniaturadaimagem|Fotografia de Rodolpho Xavier Rodolpho Xavier, também conhecido como Rodolfo Xavier (Pelotas, 10 de maio de 1873 – Pelotas, 25 de fevereiro de 1964), destacou-se em sua trajetória por seu papel na imprensa negra e também como líder operário e combatente do preconceito de cor em Pelotas. Foi um dos mais longos colaboradores do jornal A Alvorada, no início do século XX.
Biografia Rodolpho foi um dos poucos negros a ser beneficiado pela lei do ventre livre. Filho de Domingos Ignácio Xavier, senhor de sua mãe Eva, o intelectual gaúcho nasceu e viveu grande parte da sua vida em Pelotas. Não se sabe muito sobre a vida de seus antepassados, salvo seu avô: um africano proveniente do atual Moçambique, que fugiu de seu senhor para lutar na Revolução Farroupilha. Eva transmitiu oralmente essas informações a seus filhos, que o viam como uma figura inspiradora. Inclusive, o irmão de Rodolpho, Antônio, adota o sobrenome “Baobá” em homenagem ao avô e às raízes moçambicanas.
Além do jornal A Alvorada, sua atuação pública foi variada, atuando na direção da União Operária Internacional, Centro Operário 1° de Maio, União Operária de Pelotas e Liga Operária. Também participou do Sindicato dos Pedreiros em 1933 e 1936. Se fez presente em 1925 no 3° Congresso Operário Rio-Grandense, em Porto Alegre, como delegado da Liga Operária. Além disso, foi membro do Conselho Consultivo da Frente Negra Pelotense e ajudou na Fundação do Centro Ethiópico Monteiro Lopes. Também foi candidato a deputado pelo Partido Socialista Proletário Brasileiro nas eleições de 1930, mas não foi eleito.
Rodolpho alfabetizou-se no curso noturno na Biblioteca Pública Pelotense em 1882, por influência de seu irmão Antônio Baobá. Leitor assíduo, a maior parte de sua formação intelectual se deu por meio do autodidatismo. Ao longo de sua vida, trabalhou em diversos ofícios, mas acabou se firmando na profissão de pedreiro e se especializando como mestre de escaiola. Em 1891, foi recrutado para atuar nas fileiras federalistas durante a Revolução Federalista e, posteriormente, se voluntariou para lutar ao lado dos republicanos.
Em 1907, pouco antes de morrer, Antônio Baobá convidou seu irmão a contribuir com A Alvorada. Assim, Rodolpho Xavier tornou-se um dos principais redatores d’A Alvorada, tendo publicado de 1908 até 1957 e colaborado até sua morte em 1964. Frequentemente, seus textos estampavam a capa das edições do jornal, o que indica a relevância de sua produção intelectual. Rodolpho escrevia dentro dos mais variados estilos: memórias, crônicas, denúncias e até mesmo poesias.
Poucos anos após a morte do irmão, Rodolpho dedicou esforços para cuidar de sua mãe Eva. Em 17 de julho de 1915, Eva faleceu e Rodolpho recalcou o sofrimento por décadas, expressando-o no jornal A Alvorada em poesia muito tempo depois. Em 2 de maio de 1923, casou-se com Francisca de Paula da Silva Fagundes, sua segunda esposa, com quem teve seu filho Adão da Silva Xavier em 1929. Ao longo de sua vida, Rodolpho atuou como um representante do legado de Baobá, seu irmão, frequentemente relembrando e mencionando-o em publicações. No ano de 1932, muda-se para Cacimbinhas à trabalho, mas logo ele retorna para Pelotas e integra a diretoria do Sindicato dos Pedreiros nos anos de 1933, 1935 e 1936. Além disso, tornou-se membro do Conselho Consultivo da Frente Negra Pelotense.
A partir de 1940, a vida de Rodolpho Xavier sofre mais perdas, sua esposa Francisca de Paula da Silva Xavier faleceu precocemente por conta de um câncer de útero. Rodolpho entra em uma profunda tristeza, gerando publicações de pessoas próximas a ele no jornal consolando-o. Além disso, seu filho Adão se muda para a região da fronteira, para servir ao Exército Brasileiro. Eles mantiveram contato frequente por carta, mas a distância ainda perdurava. Rodolpho inicia um relacionamento informal com Lola, que o acompanhou nos anos seguintes. Por meio das poesias, utilizou-se do jornal A Alvorada para externalizar publicamente seus sofrimentos vividos, a memória de seu irmão Antônio e seu amor por sua mãe Eva. Em 1957, Rodolpho publica seu último texto, encerrando quase 50 anos de contribuição intelectual e artística regular. Encerra-se, também, a vida de sua última companheira, Lola.
Vida pessoal Apesar de oficialmente ter se casado apenas com Francisca de Paula, mãe de seu segundo filho (Adão da Silva Xavier), Rodolpho teve um relacionamento prévio ao casamento com Teodora Alves, do qual nasceu seu primeiro filho: Enjolrás Alves Xavier, batizado em homenagem ao personagem do romance Os Miseráveis de Victor Hugo. Posteriormente, viveu em união estável com uma mulher chamada apenas de Lola.
Por fim, Noêmia Casio Magalhães, publicou alguns textos chamando Rodolpho de pai, apesar de não haver nenhuma conexão formal entre eles. Existe a possibilidade de ela ser uma filha de criação ou uma filha registrada.
Morte Rodolpho Xavier morreu aos 89 anos de idade no dia 5 de Fevereiro de 1964 em Pelotas por causas não especificadas. Amparado pela família de sua falecida esposa, Francisca de Paula, contribuiu com A Alvorada até sua morte. O jornal foi descontinuado no ano seguinte, 1965. Apesar do impacto do falecimento de Rodolpho, o golpe militar também é apontado como um dos motivos do encerramento da publicação.
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