miniaturadaimagem|Áreas de Brodmann em uma secção medial do hemisfério cerebral direito.
O Córtex perirrinal é uma região cortical localizada no lobo temporal medial, composta pelas áreas de Brodmann 35 e 36. Recebe informações sensoriais altamente processadas provenientes de todas as modalidades sensoriais e é amplamente reconhecido como uma região importante para a memória. É delimitado caudalmente pelo córtex pós-rinal ou pelo Giro para-hipocampal (regiões homólogas em roedores e primatas, respectivamente) e, ventral e medialmente, pelo córtex entorrinal. Estrutura
O córtex perirrinal é composto por duas regiões: as áreas 36 e 35 de Brodmann. A área 36 é, por vezes, subdividida em três partes: a 36d, localizada mais rostral e dorsalmente; a 36r, situada ventral e caudalmente; e a 36c, a porção mais caudal. A área 35 pode ser subdividida de forma semelhante, em 35d e 35v, correspondendo, respectivamente, às porções dorsal e ventral.
A área 36 apresenta seis camadas e é classificada como córtex disgranular, o que significa que sua camada IV é relativamente pouco desenvolvida. Já a área 35 é um córtex agranular, caracterizado pela ausência de células na camada IV. Função
O córtex perirrinal está envolvido tanto na percepção visual quanto na memória, facilitando o reconhecimento e a identificação de estímulos do ambiente. Lesões no córtex perirrinal, tanto em macacos quanto em ratos, comprometem a memória de reconhecimento visual, prejudicando as associações entre estímulos e a capacidade de reconhecimento de objetos.
O córtex perirrinal também participa da memória de reconhecimento, especialmente na codificação da familiaridade e da recência de itens. Ratos com lesões no córtex perirrinal parecem ser incapazes de distinguir objetos novos de objetos familiares. Embora continuem demonstrando maior interesse exploratório quando objetos inéditos são apresentados, examinam objetos novos e familiares de maneira semelhante, diferentemente de animais sem lesões. Isso sugere que outras regiões cerebrais são capazes de detectar a novidade, mas que o córtex perirrinal é necessário para associar essa sensação à sua fonte específica.
O córtex perirrinal também recebe uma expressiva inervação dopaminérgica e participa da sinalização das recompensas associadas a estímulos visuais.Lesões no córtex perirrinal também têm sido associadas a prejuízos na discriminação entre conceitos de objetos quando há um elevado grau de sobreposição semântica visual entre as alternativas, como, por exemplo, entre um secador de cabelo e uma arma de fogo.
Um número crescente de evidências indica que o córtex perirrinal protege o processamento cognitivo contra a interferência causada por características visuais de baixo nível.
O papel do córtex perirrinal na formação e na recuperação de associações entre estímulos, aliado à sua posição anatômica singular no lobo temporal medial, sugere que essa estrutura integra um sistema semântico mais amplo, essencial para atribuir significado aos objetos. Outros animais
Primatas
Nos primatas, o córtex perirrinal recebe a maior parte de suas aferências de áreas visuais de alto nível do córtex visual, enquanto, em ratos, suas aferências são predominantemente olfatórias e, em menor grau, auditivas.
Foram descritas projeções eferentes para o córtex orbitofrontal e para regiões do córtex pré-frontal medial, como os córtices pré-límbico e infralímbico. O córtex perirrinal também envia projeções para diversas estruturas subcorticais, incluindo os gânglios da base, o tálamo, o prosencéfalo basal e a amígdala.
O córtex perirrinal também estabelece conexões diretas com a região CA1 do hipocampo e com o subículo. Suas projeções dirigem-se às células piramidais da porção distal da região CA1, sobrepondo-se às projeções provenientes do córtex entorrinal. Essas mesmas células da região CA1 enviam projeções de retorno ao córtex perirrinal. As aferências oriundas do subículo terminam tanto nas camadas superficiais quanto nas profundas do córtex perirrinal.
As áreas visuais TE e TEO estabelecem extensas conexões recíprocas com o córtex perirrinal. Projeções menos intensas, mas ainda significativas, originam-se de outras regiões do giro parahipocampal, do sulco temporal superior, do córtex cingulado anterior, do córtex insular e de diferentes regiões do córtex pré-frontal. Roedores
Em roedores, as aferências auditivas provenientes de regiões corticais do lobo temporal constituem as principais entradas para a área 36d, enquanto as aferências visuais tornam-se mais proeminentes à medida que se aproximam da transição com o córtex pós-rinal.
A área 36d projeta-se para a área 36v e, posteriormente, para a área 35, que constitui a principal região de saída do córtex perirrinal.
As aferências para a área 35 refletem, em maior grau, informações olfatórias e gustativas provenientes dos córtices piriforme e insular, além de projeções oriundas do córtex entorrinal e de regiões do córtex frontal.
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