O Ribeirão dos Capotos é um curso d´água localizado no município de Itaúna, Minas Gerais. O ribeirão, também conhecido pelos nomes de Córrego dos Lopes e Córrego dos Campos, nasce no limite entre Itaúna e Carmo do Cajuru, correndo no sentido sul-norte até desaguar no Rio São João na altura do bairro Santanense. Por isso, o Capotos é parte da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, sendo um tributário de quarta ordem do Velho Chico, já que deságua no Rio São João, que, por sua vez, encontra o Rio Pará antes de desaguar no rio principal da bacia.
Geografia
Curso O Ribeirão dos Capotos nasce na Serra do Galinheiro, a qual limita Itaúna e Carmo do Cajuru, próximo à comunidade rural itaunense da Cachoeirinha. O ribeirão corre irregularmente; em muitos trechos de seu percurso, divide-se em brejos e confunde-se em meio aos cerradões. Ele só toma forma mais consistente ao atingir a cidade, em si, de Itaúna. O Capotos corta a cidade até desaguar no Rio São João, logo atrás da Companhia de Tecidos Santanense.
Ademais, segundo medições, o córrego tem uma declividade de, em média, 17,88 metros a cada quilômetro percorrido. Ainda, com um índice de sinuosidade de 1,282, é considerado um curso d'água tortuoso. Por fim, os, aproximadamente, 66 quilômetros quadrados de área da microbacia do ribeirão dos Capotos correspondem a 4% da área total da sub-bacia do Rio São João.
Tributários Mesmo com a curta extensão, de pouco mais de 20 quilômetros, o ribeirão recebe água de vários tributários ainda menores. Eis a relação, em relação à jusante do ribeirão: +Tributários do Ribeirão dos CapotosMargem DireitaRibeirão dos CapotosMargem EsquerdaSubafluenteAfluenteAfluenteCórrego RetiroCórrego da CachoeirinhaCórrego das GrotasCórrego das TaxasCórrego GamelaCórrego Cava GrandeCórrego do Açude VelhoCórrego das AroeirasCórrego do Tico Todos estes córregos desaguam nos Capotos na zona rural de Itaúna. Apesar disso, existem outros cursos sem nomes definidos (e, em sua maioria, canalizados), que depositam suas águas no ribeirão.
Bairros e Zonas Rurais cortados O Ribeirão dos Capotos nasce na zona rural de Itaúna e corta as comunidades da Cachoeirinha, Campos e Lopes. Adentrando na cidade, passa pelos bairros Itaunense II, Itaunense, Garcias, Parque Jardim Santanense, Chácara do Quitão, Alaíta e, finalmente, Santanense, onde deságua no Rio São João.
Desassoreamento Após as violentas enchentes de 2022, a Prefeitura de Itaúna promoveu o desassoreamento do leito dos cursos d'água de Itaúna, incluindo o ribeirão dos Capotos. O processo consistia na retirada de materiais sólidos (como areia, matéria orgânica e lixo) do fundo do rio e dos córregos, a fim de rebaixar a calha dos cursos d´água e dificultar que eles transbordassem e alagassem as regiões próximas, além de aumentar a vazão. No entanto, mesmo após gastos mais de oito milhões de reais no projeto, o legado apontado pela população é negativo, já que toda a mata ciliar em torno dos rios foi derrubada, muitas tubulações de esgoto foram rompidas (consequentemente gerando poluição) e as enchentes não pararam de ocorrer na temporada de chuvas.
Uso da Água miniaturadaimagem|Visão da Companhia de Tecidos Santanense
Tecelagem A água do Ribeirão dos Capotos é usada desde 1895 pela Companhia de Tecidos Santanense. Instalada às margens do córrego, a fábrica usa, desde então, a água tratada do córrego para tingimento das peças de tecido fabricadas. Além disso, nos primeiros anos de funcionamento da Santanense, os teares eram movidos com a força da água do "Encapoto", como era chamado no começo da ocupação.Atualmente, a companhia tem toda sua água consumida oriunda do ribeirão. A água captada é tratada diretamente na empresa, tornando-se própria para o uso industrial, numa média de aproximadamente 80 litros por segundo. A Santanense também possui uma estação de tratamento de esgoto própria, que devolve a água utilizada em condições sanitárias adequadas de volta tanto para o ribeirão quanto para o rio São João.
Despejo de Esgoto Mesmo com a existência da ETE de Itaúna em funcionamento, ainda há esgoto sendo despejado diretamente nos cursos d'água do município - não sendo o Capotos uma exceção. Principalmente após o desassoreamento do leito, as denúncias de despejo irregular aumentaram devido à quebra das tubulações pelas máquinas que trabalharam nesse processo. Além do mau cheiro causado por esse descarte, a água é poluída e a fauna e a flora do ambiente é prejudicada, vista a mortandade de vários peixes. No ano de 2024, mais de dois milhões de reais foram investidos pela Prefeitura de Itaúna para corrigir esse problema. Apesar disso, as denúncias feitas pela população dos bairros cortados pelo córrego continuam sendo frequentes, especialmente durante o verão.
Devido a esse despejo de esgoto nas águas do córrego, a água é imprópria par ao consumo humano. Além disso, no Capotos há a presença do caramujo hospedeiro intermediário da esquistossomose, o Schistosoma mansoni.
Enchentes Apesar de, teoricamente, a bacia do Capotos não ser sujeita a enchentes recorrentes, em situações extremas a área em torno dele já fora inundada, principalmente na região entre os bairros Parque Jardim Santanense e Garcias, na qual o terreno é rebaixado em relação ao curso do ribeirão. No temporal de 31 de outubro de 2023, um dos maiores da história do município, um carro foi levado pela correnteza do Capotos.
Ver também
Rio São João Santanense (Itaúna) Rio Pará (Minas Gerais) Itaúna
Referências Categoria:Cursos de água Categoria:Rio São Francisco Categoria:Itaúna Categoria:Rios de Minas Gerais Categoria:Bacia do rio São Francisco Categoria:Rio Pará (Minas Gerais) Categoria:Córregos do Brasil Categoria:Córregos de Minas Gerais Categoria:Ribeirões de Minas Gerais Categoria:Ribeirões do Brasil