Ming Smith (1947, Detroit) é considerada a primeira fotógrafa mulher e negra a ter trabalhos adquiridos pelo Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque, o que aconteceu no ano de 1979. Em 2023, a artista recebeu o Lifetime Achievement Award do International Center of Photography, concedido pelo Infinity Awards.
Biografia Ming Smith nasceu em Detroit, mas viveu a infância em Columbus. Seu pai era farmacêutico de profissão, mas atuava também como fotógrafo amador. Devido a sua relação familiar, a artista começou a usar a câmera fotográfica desde cedo, tendo feito suas primeiras fotografias com a câmera da mãe em 1957, quando ainda estava no jardim de infância.
A artista começou a carreira acadêmica na graduação em enfermagem da Universidade Howard. Assim como o pai, fez um curso de fotografia dentro do espaço acadêmico, afim de manter o hábito desenvolvido na vida pessoal. Após se formar em 1972, mudou-se para Nova York, onde trabalhou como modelo e dançarina. Lá, manteve o hábito da fotografar, sobretudo as ruas da cidade.
Através dos castings que participava como modelo, entrou em contato com novas técnicas de fotografia e com fotógrafos profissionais. Dentre eles, destacam-se Anthony Barboza e Louis Draper. O contato levou a um convite de Draper para que Smith integrasse um coletivo de fotógrafos negros chamado Kamoinge, que tinha Roy DeCarava como lider. Ming Smith foi a primeira mulher do grupo.
Estilo artístico A produção artística de Ming Smith envolve experimentações com o foco, além do uso de técnicas de laboratório fotográfico, como a dupla exposição, a colagem e a pintura sobre impressão. Seu trabalho se concentra menos na documentação de eventos do que na expressão da experiência, sendo descrito como surreal e etéreo pelo The New York Times. Os primeiros trabalhos da artista consistiam em fotos tiradas rapidamente para produção de cenas elaboradas. A artista também utilizou a técnica de coloração manual em alguns de seus trabalhos, como na série Transcendência.
É também conhecida a relação da artista com a fotografia da cidade em movimento, o privilégio pelo uso do p&b e a conexão com a música. Destaca-se a presença da musicalidade na obra de Smith não só devido ao registro de grandes artistas, como Grace Jones, David Murray, James Brown, Nina Simone, e outros; ou dos diversos concertos de blues e jazz que a artista fotografou, mas no próprio pensamento sobre sua arte, através da qual busca produzir uma experiência sonora pela imagem.
Carreira Ao longo de sua carreira, Ming Smith fotografou muitas figuras importantes da cultura negra, incluindo Alvin Ailey e Nina Simone. Em 1973, a artista foi destaque no primeiro volume do Black Photographers Annual, uma publicação intimamente ligada ao Movimento de Artes Negras das décadas de 1960 e início de 1970. Em 1973, Ming Smith realizou sua primeira exposição na Cinandre, um salão de cabeleireiro. Lá, ela conheceu Grace Jones, a quem fotografou ocasionalmente usando um tutu preto e branco e com quem conversou sobre a experiência de ser uma artista negra.
Em 1975, Smith tornou-se a primeira mulher membro do coletivo de fotografia Kamoinge, sediado no Harlem, sob a direção de Roy DeCarava. O Kamoinge foi fundado em 1963 na cidade de Nova Iorque com o objetivo de apoiar o trabalho de fotógrafos negros num campo então dominado por homens brancos. O coletivo, que ainda existe hoje em dia, desenvolveu uma série de iniciativas, incluindo exposições, palestras, workshops e a publicação de portfólios para distribuição em museus.
O reconhecimento tardio da obra de Ming Smith e as dificuldades dos artistas negros combatidas pelo coletivo conectam-se à história do Museu de Arte Moderna (MoMA). A artista passou pela experiência de ser confundinda com uma mensageira pela recepcionista da instituição ao entregar seu Portfólio no museu. Posteriormente, quando enfim levada para o escritório de Susan Kismaric, curadora do Departamento de Fotografia, teve sua obra avaliada em um valor tão baixo que sequer cobria os materiais utilizados. Pouco depois, ela se tornou a primeira fotógrafa negra a ser incluída nas coleções do Museu de Arte Moderna da cidade de Nova York.
Exposições Ming Smith teve sua obra incluída na exposição do MoMA Pictures by Women: A History of Modern Photography em 2010, situação que recontextualizou sua produção colocando-a ao lado de fotógrafas como Diane Arbus e marcando um crescente interesse por seu trabalho. Organizada pela curadora Roxana Marcoci, a exposição teve a curadoria de Sarah Meister, do Departamento de Fotografia do MoMA. Em 2017, uma grande exposição retrospectiva da obra de Smith foi realizada na Steven Kasher Gallery, em Nova York. A exposição apresentou 75 fotografias antigas em preto e branco que buscavam trazer uma mostragem da obra de Smith.
Em 2017, a artista colaborou com o cineasta Arthur Jafa na exposição Arthur Jafa: A Series of Utterly Improbable, yet Extraordinary Renditions (Featuring Ming Smith, Frida Orupabo and Missylanyus), da Serpentine Sackler Gallery. Naquele mesmo ano, ela participou da exposição coletiva Soul of a Nation: Art in the Age of Black Power, realizada na Tate Modern e com curadoria de Mark Godfrey e Zoé Whitley. A exposição recebeu aclamação internacional e foi levada para outros espaços, como o Museu de Arte Americana Crystal Bridges, o Brooklyn Museum, o The Broad, o de Young Museum e o Museu de Belas-Artes de Houston.
O trabalho de Ming Smith segue presente no circuito de arte, contando com exposições individuais realizadas na Jenkins Johnson Gallery; e, em 2019, na Frieze New York e na Frieze Masters, tendo a artista recebido o Prêmio Frieze Stand na Frieze New York.
Em 2025, a obra da artista foi incluída na exposição Photography and the Black Arts Movement, 1955–1985, realizada na Galeria Nacional de Arte. No Brasil, sua fotografia integrou a 36ª Bienal de Arte de São Paulo.
Coleções A obra de Smith integra as seguintes coleções permanentes: Museu de Arte do Brooklyn : 1 obra (em 3 de maio de 2023) Museu de Arte da Filadélfia : 5 obras (em 3 de maio de 2023) Museu Whitney de Arte Americana : 6 obras (em 2 de abril de 2023)
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