Militares contrários à Proclamação da República no Brasil iniciaram levantes contra o novo regime em novembro e dezembro de 1889. Os movimentos foram rapidamente reprimidos pelo Governo Provisório.

História Em 15 de novembro de 1889, a monarquia foi derrubada por tropas do exército lideradas pelo marechal de campo Deodoro da Fonseca, que se tornou o líder da Primeira República Brasileira, conhecida como República da Espada durante seus primeiros dois governos.

Nos dias seguintes, diversos batalhões do Exército espalhados pelas províncias do país participaram de confrontos armados com o intuito de impedir o golpe. O primeiro levante aconteceu em Desterro (atual Florianópolis), no dia 17 de novembro de 1889, quando os militares do 25.º Batalhão de Infantaria se rebelaram e atacaram o Clube Republicano. Um mês depois, no dia 18 de dezembro, no Rio de Janeiro, o 2.º Regimento de Artilharia tentou restaurar a monarquia. No destacamento da foz do rio Apa, em Mato Grosso, a notícia da Proclamação da República só chegou em 20 de dezembro. A reação imediata foi a prisão dos oficiais e o incêndio do quartel pela tropa.

Os três levantes conhecidos foram conduzidos por praças, as patentes mais baixas. É digno de nota que o 2.º Regimento de Artilharia tenha sido uma das unidades participantes dos eventos de 15 de novembro: os soldados foram atores involuntários no golpe. Nos relatos, quase todos os revoltosos eram negros e pardos, o que condiz com a composição racial das baixas patentes do Exército e com os sentimentos de admiração pela Princesa Isabel tão pouco tempo depois da Lei Áurea. Os relatos negam matiz político às revoltas, caracterizando os envolvidos como embriagados, desordeiros e assassinos, mas os republicanos temiam manifestações políticas como a "Guarda Negra" isabelista. As fontes também registram descontentamento com baixos soldos e maus tratos nos quartéis, problemas que voltariam à tona anos mais tarde na Revolta da Chibata.

O tema é pouco conhecido, prevalecendo na historiografia a visão de uma República proclamada sem reações. Eventos menores são mencionados em outras fontes, e houve manifestações de civis. Em São Luís, uma manifestação monarquista em 17 de novembro foi reprimida a bala, resultando em quatro mortos e dez feridos. Segundo o cônsul britânico em Salvador, na noite de 16 para 17 de novembro, grupos de negros deram vivas à monarquia e assassinaram três republicanos. No dia seguinte, jovens oficiais republicanos prenderam o comandante regional, general Hermes Ernesto da Fonseca, irmão de Deodoro, depois de rumores de que ele lideraria suas tropas com a polícia e "voluntários negros" contra um encouraçado enviado do Rio de Janeiro.

Militares monarquistas ainda participariam da Revolução Federalista de 1893. Os monarquistas que não morreram nas batalhas foram presos, deportados ou assassinados.

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