Naufal ibne Alharite, nascido Abu Alharite Naufal ibne Alharite ibne Abede Almotalibe Alhaximi Alcoraixi (; Meca, c. — Medina, ), foi um companheiro de Maomé, comerciante de armas e membro dos haxemitas. Primo paterno do profeta, foi um dos filhos de Alharite ibne Abede Almotalibe e neto de Abede Almotalibe, pertencendo à aristocracia dos coraixitas. Inicialmente combateu ao lado dos mecanos contra os muçulmanos e participou, contra a própria vontade segundo a tradição islâmica, da Batalha de Badre, onde foi capturado. Converteu-se pouco depois e, embora tenha mantido sua fé em segredo durante algum tempo, migrou para Medina às vésperas da Batalha da Trincheira, passando a integrar o círculo mais próximo de Maomé. Participou posteriormente da Conquista de Meca, da Batalha de Hunaine e da Batalha de Taife. Considerado pelas fontes islâmicas o mais idoso entre os haxemitas a abraçar o islã, distinguiu-se pela lealdade demonstrada a Maomé durante a Batalha de Hunaine e pelo fornecimento de armamentos ao exército muçulmano. Morreu em Medina durante o califado de Omar e foi sepultado no cemitério de Albaqui.
Vida
Naufal era filho de Alharite ibne Abede Almotalibe e primo paterno de Maomé, pertencendo ao ramo haxemita dos coraixitas. Durante a Batalha de Badre, apesar de contrariar sua vontade, combateu ao lado dos mecanos e acabou capturado pelos muçulmanos. Seu tio Alabás ibne Abede Almotalibe, que também fora feito prisioneiro, pagou o resgate de Naufal e de outros parentes, permitindo-lhes regressar a Meca. Segundo outra tradição, quando Maomé lhe ofereceu a possibilidade de pagar seu próprio resgate, Naufal respondeu que nada possuía. O profeta então sugeriu que entregasse as lanças que mantinha armazenadas em Gidá, fato que surpreendeu Naufal, pois, segundo afirmou, apenas Deus poderia conhecer a existência daquele arsenal. Convencido da missão profética de Maomé, aceitou entregar mil lanças em troca da liberdade e converteu-se ao islã pouco depois. Segundo a tradição, Naufal foi o mais idoso entre os haxemitas a abraçar o islã. Ainda assim, manteve sua conversão em segredo durante algum tempo e somente a revelou quando os coraixitas se preparavam para a Batalha da Trincheira. Na ocasião, migrou para Medina, onde Maomé o declarou irmão de seu tio Alabás. O profeta determinou que ambos compartilhassem uma residência situada junto à Mesquita do Profeta e também lhe doou um edifício que utilizava como curral de camelos.
Naufal acompanhou Maomé na Conquista de Meca e participou das batalhas de Hunaine e Taife. Em Hunaine, permaneceu ao lado do profeta quando parte do exército muçulmano recuou diante do contra-ataque dos hauazinitas. Comerciante de armas, forneceu três mil lanças para equipar o exército muçulmano durante essa campanha. Uma tradição também relata que, após solicitar ajuda a Maomé para se casar, o profeta providenciou seu casamento e, não dispondo de recursos imediatos, empenhou a própria armadura junto a um judeu para obter trinta sa de cevada destinados ao novo casal. Segundo esse relato, a farinha produzida com essa cevada permaneceu inesgotável durante seis meses, sendo interpretada como um milagre atribuído a Maomé. Naufal morreu em Medina em 15 A.H. (636). A oração fúnebre foi presidida pelo califa Omar , e seu corpo foi sepultado no cemitério de Albaqui. Seus filhos Alharite, Almuguira e Abedalá também foram companheiros de Maomé, tendo os dois últimos exercido posteriormente o cargo de juiz em Medina.
Bibliografia
Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Haxemitas (clã coraixita) Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo Categoria:Naturais de Meca Categoria:Primos de Maomé Categoria:Pessoas sepultadas no Cemitério de Albaqui