thumb|Place des Cordeliers à Lyon (1895), filme de Louis Lumière que mostra uma rua de Lyon, na França Filme de atualidade (do francês actualités) é um gênero cinematográfico não ficcional que emprega registros de eventos, lugares e coisas reais — essencialmente imagens de apoio ("B-roll") —, sendo considerado um precursor do filme documentário. Diferentemente dos documentários, os filmes de atualidade não se organizam em uma narrativa maior ou em um todo coerente. Durante o período do cinema primitivo, esses filmes — em geral com duração de um a dois minutos e reunidos em programas por um exibidor — eram tão populares e prestigiados quanto suas contrapartes de ficção. A fronteira entre "fato" e "ficção" era menos nítida nesse período do que se tornaria após a consolidação do documentário como principal forma de cinema não ficcional.
Embora a produção de filmes de atualidade tenha praticamente cessado por volta de 1908, o termo "imagens de atualidade" (actuality footage) ainda é usado na produção documental para designar material bruto não editado.
Origem do termo
thumb|Fotograma de La sortie des usines Lumière (A Saída dos Operários da Fábrica Lumière, 1895) Os primeiros filmes de atualidade remontam ao início do cinema projetado. Os Irmãos Lumière, na França, foram os principais responsáveis pela consolidação do gênero e também cunharam o termo — actualités — usando-o como descritor em seus catálogos impressos. La sortie des usines Lumière (1895) — o primeiro filme exibido publicamente pelos Lumière, em 28 de dezembro de 1895 — é considerado por convenção o primeiro filme de atualidade, ainda que possa não ter sido o primeiro efetivamente realizado.
Pioneiros do gênero
Estados Unidos: Edison e a Black Maria
Nos Estados Unidos, a Edison já produzia e exibia filmes através do cinetoscópio desde 1893, mas as filmagens ocorriam quase exclusivamente dentro do estúdio improvisado da empresa, conhecido como Black Maria. Bucking Broncho (1894) foi o primeiro registro da Edison filmado ao ar livre, ainda que isso tenha exigido a construção de um cercado especial ao lado do estúdio. As câmeras da Edison e as primeiras câmeras da Biograph eram volumosas e exigiam transporte por carroça puxada a cavalo, ao contrário das câmeras Lumière, leves e portáteis desde o início e que também funcionavam como projetores.
W. K. L. Dickson, principal produtor de filmes da Edison, deixou a empresa no fim de 1895 para se tornar sócio da American Mutoscope and Biograph. Os primeiros registros da Biograph — uma série de vistas das Cataratas do Niágara — foram filmes de atualidade, embora, nos anos anteriores a 1900, a produção da empresa tenha sido dominada por filmes rodados inteiramente em estúdio.
Reino Unido: Birt Acres e Robert W. Paul
No Reino Unido, Birt Acres foi um dos primeiros produtores de filmes do país, além do primeiro correspondente itinerante de cinejornais. Em 1894, desenvolveu um formato de 70 mm e registrou a Henley Royal Regatta. Posteriormente, associou-se a Robert W. Paul para realizar, com a câmera de 35 mm Kineopticon, alguns dos primeiros filmes britânicos, incluindo The Oxford and Cambridge University Boat Race e Rough Sea at Dover.
"Atualidade itinerante"
Uma variante do gênero é a chamada atualidade itinerante, na qual a câmera é instalada sobre um veículo em movimento — como um bonde ou vagão ferroviário —, permitindo que a cena mude com o deslocamento do transporte. Esses filmes figuram entre os primeiros a incorporar movimento de câmera. Um exemplo notável é A Trip Down Market Street (1906), dos Miles Brothers, filmado a partir de um bonde de São Francisco e enviado para revelação no dia anterior ao terremoto de São Francisco de 1906.
Filmes de luta e reconstituições
Certos formatos correlatos são frequentemente associados ao gênero de atualidade sem pertencerem inteiramente a ele. Os filmes de luta ("fight films"), embora relacionados a eventos esportivos reais, constituíam gênero próprio, muitas vezes misturando combates reais, reencenados e encenados.
Da mesma forma, reconstituições de eventos noticiosos eram comuns quando não era possível levar a câmera ao local do acontecimento. Isso ocorreu com frequência durante a Guerra Hispano-Americana: embora câmeras tenham sido enviadas a Cuba, o material captado costumava ser considerado insatisfatório, levando produtores a reencenar cenas de batalha em cenários montados em Nova Jersey, promovidos ao público como registros autênticos.
Declínio e transição para o cinejornal
A partir de 1905, os Lumière encerraram sua produção de atualidades, e nos anos seguintes grandes produtoras como Edison e Biograph também abandonaram o gênero. Em meados de 1908, a francesa Pathé lançou o primeiro cinejornal propriamente dito, formato que passou a reunir e contextualizar as atualidades de maneira periódica, absorvendo gradualmente o espaço antes ocupado pelo gênero. Naquele mesmo ano, Charles Urban fundou a Kinora Company, a primeira empresa dedicada exclusivamente à distribuição de documentários e outros filmes não ficcionais.
Nos Estados Unidos, quando Gaston Méliès chegou ao país para fundar a divisão americana da Star Film, iniciou sua produção com atualidades, migrando rapidamente para faroestes.
Ver também
Cinejornal Filme documentário Cinema primitivo Irmãos Lumière
Ligações externas
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