José António Jorge Pinto (Lapa, Lisboa, 20 de setembro de 1875 – Santa Maria de Belém, Lisboa, 9 de setembro de 1945), conhecido pela assinatura artística J. Pinto, foi um pintor decorativo, ceramista e pintor de azulejos português. É considerado um dos principais representantes da azulejaria Arte Nova em Portugal, tendo desempenhado um papel fundamental na renovação da pintura cerâmica portuguesa entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX. A sua obra distingue-se pela conjugação da tradição azulejar portuguesa com a estética internacional da Arte Nova, sendo atualmente reconhecida como uma das mais relevantes deste movimento artístico em Portugal.
Biografia José António Jorge Pinto nasceu em 20 de setembro de 1875, na antiga freguesia da Lapa, em Lisboa. Era sobrinho do pintor Manuel Henrique Pinto, amigo de José Malhoa, circunstância que favoreceu a sua aproximação aos meios artísticos lisboetas. Recebeu formação em pintura decorativa e, a partir de 1893, orientou a sua atividade para a cerâmica e para a pintura sobre azulejo.
No início da carreira trabalhou na Fábrica Constância (Janelas Verdes), onde permaneceu entre 1897 e 1906, colaborando depois com a Fábrica de Campolide. Executou igualmente pintura sobre azulejos produzidos pela Real Fábrica de Louça de Sacavém, pela fábrica Arcolena, situada na antiga freguesia de Santa Maria de Belém, e pela fábrica das Devesas. A partir de cerca de 1910, passou a produzir também azulejos fabricados por si próprio, instalando o seu atelier na freguesia da Ajuda, onde residiu e onde cozia grande parte das suas obras.
Em 11 de junho de 1900, casou na antiga freguesia de Santa Isabel, em Lisboa, com Maria da Piedade Aparício. O casal teve um filho, Pedro Jorge Pinto, nascido na freguesia de Alcântara em 10 de novembro de 1900, que seguiu igualmente carreira artística, estudando na Academia de Belas-Artes de Lisboa e dedicando-se à pintura e à cerâmica.
Ao longo da sua carreira participou nas exposições promovidas pelo Grémio Artístico e pela Sociedade Nacional de Belas Artes, tendo sido distinguido pela qualidade do seu trabalho. Faleceu em 9 de setembro de 1945, na antiga freguesia de Santa Maria de Belém, em Lisboa, poucos dias antes de completar 70 anos.
Obra José António Jorge Pinto destacou-se sobretudo como pintor de azulejos, assinando quase sempre as suas obras apenas com "J. Pinto", assinatura que durante muitos anos dificultou a correta identificação da autoria dos seus trabalhos. Apenas a investigação desenvolvida nas últimas décadas permitiu estabelecer definitivamente a correspondência entre a assinatura artística e o seu nome civil.
A sua primeira grande obra documentada foi realizada em 1904, consistindo nos painéis destinados ao Jardim de Inverno do Sanatório de Sant'Ana, na Parede. Os desenhos foram executados pelo próprio artista em colaboração com Ricardo Ruivo Júnior e Miguel da Torre do Vale Queriol, representando espécies botânicas de grande rigor científico e elevado valor artístico.
Ao longo da carreira executou centenas de painéis decorativos para edifícios públicos, estabelecimentos comerciais e habitações particulares. Entre as obras mais conhecidas destacam-se:
os painéis do Sanatório de Sant'Ana, na Parede; os revestimentos das moradias projetadas por Álvaro Machado no Alto do Estoril; a decoração azulejar da Casa da Comenda, em Setúbal, projetada por Raul Lino, incluindo o painel de Nossa Senhora da Ajuda (1908); os azulejos da antiga Livraria e Papelaria A Concorrente, em Campo de Ourique, Lisboa; os azulejos da antiga Leitaria A Camponeza, na Baixa, Lisboa; os azulejos na Casa dos Patudos, Alpiarça; os azulejos no edifício dos Armazéns Casa do Povo de Alcântara, Lisboa; painéis da Fundição Jacob Lopes da Silva, Lisboa (destruído em 1993); um conjunto de seis painéis do quiosque no Jardim Roque Gameiro, em Lisboa atribuídos à Fábrica de Campolide (1916); obras em diversos edifícios das Avenidas Novas, Campo de Ourique, Alcântara, Arroios, Lapa e Estoril; obras executadas para arquitetos como Raul Lino, Álvaro Machado, Adães Bermudes, Ventura Terra e Rosendo Carvalheira.
Alguns dos seus painéis encontram-se atualmente preservados no Museu de Lisboa e no Museu Nacional do Azulejo, constituindo importantes testemunhos da azulejaria portuguesa do início do século XX.
Estilo artístico A obra de José António Jorge Pinto caracteriza-se pela utilização de linhas sinuosas, motivos vegetalistas, figuras femininas estilizadas, composições florais e enquadramentos ornamentais típicos da Arte Nova. Revela igualmente influências francesas, belgas e alemãs, adaptadas à tradição portuguesa do azulejo.
A sua pintura evidencia um elevado domínio técnico, quer na execução do desenho quer na aplicação do vidrado e da cor, distinguindo-se pela integração harmoniosa dos painéis na arquitetura. O artista conciliou frequentemente a função decorativa com preocupações simbólicas e naturalistas, sendo considerado um dos responsáveis pela afirmação da Arte Nova na azulejaria portuguesa.
Ver também
Azulejo Arte Nova em Portugal
Bibliografia
António Francisco Arruda de Melo Cota Fevereiro, José António Jorge Pinto, vida e obra (Universidade de Lisboa, 2015). António Francisco Arruda de Melo Cota Fevereiro, A Arte Nova em Lisboa (Cadernos do Arquivo Municipal de Lisboa). Flávia Caroline Martins Lima, José António Jorge Pinto: estudo sobre o artista e a sua obra azulejar (Universidade de Lisboa).