Børre Arnold Knudsen (1937–2014) foi um sacerdote luterano norueguês conhecido por seu ativismo contra o aborto. Juntamente com Ludvig Nessa, ele organizou protestos em clínicas de aborto a partir do final da década de 1980 e foi preso por se recusar a pagar as multas recebidas por seus protestos.
Demitido do cargo de pároco do município de Balsfjord em 1983 por se recusar a cumprir suas funções oficiais em protesto contra as novas leis sobre o aborto, ele foi um dos fundadores do Decanato de Strandebarm em 1991, também conhecido como "Igreja da Noruega no Exílio". Ele foi sagrado bispo pela igreja em 1997 e permaneceu no cargo até se aposentar em 2008 devido a problemas de saúde. Ele foi destituído do sacerdócio da Igreja Estatal em 2001.
Knudsen também era conhecido como um prolífico compositor de hinos, e dois deles foram posteriormente incluídos no hinário norueguês, bem como nos hinários de outras igrejas.
Anos iniciais Knudsen nasceu em 24 de setembro de 1937 no município de Vennesla, no condado de Vest-Agder, filho do padre Rolf Godwin Knudsen (1907–56) e de Nina Lydersen (1913–95). Ele cresceu em Langesund, onde seu pai era o pároco local. Seu pai foi preso e destituído do sacerdócio durante a ocupação alemã da Noruega na Segunda Guerra Mundial, fato que causou uma impressão duradoura em Knudsen. Sua mãe também trabalhou na resistência, e a família foi forçada a se mudar para a Suécia por um tempo durante a guerra. Eles se mudaram para Bergen em 1952, e Knudsen começou a estudar teologia em 1956. Ele concluiu seus estudos no seminário em 1966 e foi ordenado sacerdote na Igreja da Noruega em 1967. Ele serviu como padre assistente no município de Balsfjord, no condado de Troms, de 1968 até 1971, quando foi nomeado padre da paróquia local.
Ativismo Em 1979, quando o parlamento norueguês finalizou a legislação que permitia o aborto durante primeiro trimestre de gestação, Knudsen protestou recusando-se a exercer quaisquer funções em nome do Estado norueguês. Ele alegou que suas ações seguiam o exemplo da conduta dos bispos noruegueses e da maioria dos padres em relação o regime pró-nazista na Noruega durante a ocupação na Segunda Guerra Mundial. Ele continuou a exercer suas funções como ministro da igreja e pároco de sua congregação, mas se recusava a fornecer estatísticas ao estado, emitir certidões de nascimento ou abrir correspondências endereçadas a ele como funcionário público. Ele também não aceitou seu salário pago pelo Estado.
O ministro da Igreja e da Educação, Einar Førde, demitiu Knudsen do cargo por negligência de seus deveres, mas Knudsen se recusou a abandonar suas funções pastorais. Sua congregação insistia que ele ainda era seu pároco e o incentivava a não partir. Knudsen foi processado pelo estado, mas venceu a primeira instância. Ele acabou perdendo o caso em apelação ao Supremo Tribunal da Noruega em 1983. A decisão da Suprema Corte sustentou que a parte estatal do ofício eclesial não poderia ser separada da sua parte eclesial ou espiritual dentro da Igreja Nacional. Knudsen foi substituído como pároco em Balsfjord, mas a maioria de seus paroquianos o acompanhou no estabelecimento de uma congregação independente na tradição da igreja luterana norueguesa.
Outros dois padres, Ludvig Nessa e Per Kørner, juntaram-se a ele no protesto e também foram destituídos de seus cargos e afastados do sacerdócio. Em 1987, os três iniciaram protestos não violentos em clínicas de aborto, comparecendo com trajes ministeriais tradicionais e cantando hinos. Eles também realizaram outras façanhas públicas, como enterros simbólicos de pequenos caixões e derramamento de sangue sobre si mesmos em frente ao parlamento norueguês. Tais protestos continuaram até eles serem detidos pela polícia e receberem multas. Knudsen foi preso por três semanas em 1994 por não ter pago as multas que recebeu pelos protestos nas clínicas de aborto. Os três fundaram o Decanato de Strandebarm em 1991, proclamando-o a "Igreja da Noruega no Exílio". Knudsen foi sagrado bispo da igreja em 6 de abril de 1997 na Igreja de Kautokeino, depois que dois novos sacerdotes se juntaram à causa no mesmo ano. Knudsen foi finalmente destituído do sacerdócio da Igreja da Noruega oficial em 2001. Ele se aposentou em 2008 por conta de problemas de saúde, especialmente Parkinson.
Hinografia Knudsen foi um notável escritor de hinos, seguidor da tradição de Petter Dass, Thomas Kingo e Grundtvig. Alguns de seus hinos foram incluídos nos hinários oficiais de diversas igrejas e, embora ele inicialmente tenha se recusado a admiti-los no hinário da Igreja da Noruega, dois deles foram incluídos posteriormente.
Knudsen escreveu uma grande quantidade de hinos, e coletâneas de alguns de seus sermões foram impressos em formato de livro. Seus hinos normalmente enfatizam a Cristologia Calcedoniana e apresentam uma visão elevada dos sacramentos. Seus hinos foram editados em edições como Det Hellige Bryllup (Oslo, 1976), Sangverk for Den Norske kirke (Oslo 1980) e até mesmo no Hinário Católico Romano Noruguês de 1998, bem como em outros livros.
Vida pessoal Knudsen casou-se com Ragnhild Knudsen (nascida Ragnhild Iden) em 1964. Eles tiveram cinco filhos.
Um documentário sobre Knudsen e sua vida estreou nos cinemas noruegueses em março de 2014 intitulado "En prest og en plage", que retratou um Knudsen idoso de uma forma intimista e um tanto positiva. Considerado uma figura geralmente mais respeitada entre os antiabortistas noruegueses, Knudsen foi elogiado após a sua morte por alguns de seus críticos de longa data, que expressaram o seu respeito pela sua dedicação e pela sua hinografia.
Ele foi diagnosticado com doença de Parkinson em 2004 e passou seus últimos invernos em Altea, Espanha. Knudsen morreu em 17 de agosto de 2014 em sua casa em Mestervik, no município de Balsfjord, condado de Troms.
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