Brasilienses Aurifodinae (As Minas de Ouro do Brasil) é um poema didático em latim composto por Basílio da Gama entre 1762 e 1764. Escrita em versos hexâmetros, a obra permaneceu inédita durante mais de dois séculos, sendo publicada apenas em 2024 em edição bilíngue (latim–português), organizada por Ivan Teixeira e Marcelo Tápia.TEIXEIRA, Ivan; TÁPIA, Marcelo (orgs.). As Minas de Ouro do Brasil – Brasilienses Aurifodinae. São Paulo: Edusp, 2024. https://www.edusp.com.br/livros/minas-de-ouro-do-brasil-as-brasilienses-aurifodinae/

Inspirado nas Geórgicas de Virgílio e em outros poemas didáticos da Antiguidade, o texto descreve o ciclo da mineração aurífera na Capitania de Minas Gerais durante o século XVIII. Ao contrário de O Uraguai, a obra não possui um herói individual nem desenvolve uma narrativa épica contínua. Seu protagonista é a própria atividade mineradora e a sociedade formada em torno da exploração do ouro.Jornal da USP. "As Minas de Ouro do Brasil: um inédito de Basílio da Gama".

Estrutura O poema é dividido em quatro cantos, organizados tematicamente:

Canto I – apresenta as Minas Gerais, descreve sua geografia, a descoberta das jazidas auríferas, a ocupação da região e a riqueza proporcionada pelo ouro, além de refletir sobre a cobiça despertada pelo metal. Canto II – dedica-se às técnicas de mineração, descrevendo a abertura de galerias, escavações, ferramentas, sistemas de ventilação, máquinas de transporte do minério e os métodos de lavagem do cascalho aurífero. Canto III – retrata o cotidiano dos trabalhadores das minas, especialmente dos escravizados africanos, descrevendo a organização do trabalho, os cantos entoados durante a mineração, os acidentes, desmoronamentos e os riscos da atividade. Canto IV – aborda a fundição, pesagem e fiscalização do ouro, a cobrança do quinto pela Coroa portuguesa, a importância econômica das minas para o Império Português e encerra-se com reflexões sobre o trabalho, a riqueza e a prosperidade.

Conteúdo Ao longo de aproximadamente 1.832 versos, Basílio da Gama descreve diversos aspectos da mineração colonial, entre eles:

a geografia das Minas Gerais; a formação e descoberta das jazidas; a abertura das minas subterrâneas; os instrumentos e máquinas de mineração; o trabalho escravo; a lavagem e separação do ouro; a fundição do metal; a arrecadação do quinto; a fauna, a flora e a paisagem da região; reflexões morais sobre a riqueza, o trabalho e a exploração dos recursos naturais.

Embora concebida como um poema didático, a obra possui também relevante valor histórico e etnográfico, constituindo um testemunho literário da sociedade mineradora brasileira do século XVIII.

Ligações externas Revista Pesquisa FAPESP. "Manuscrito do século XVIII sobre o ciclo do ouro no Brasil é publicado em edição bilíngue". Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/manuscrito-do-seculo-xviii-sobre-o-ciclo-do-ouro-no-brasil-e-publicado-em-edicao-bilingue/