miniatura|A sede da LIUNA está localizada no Edifício Moreschi, no centro de Washington, D.C
O Sindicato Internacional dos Trabalhadores da América do Norte (LIUNA, estilizado como LiUNA!), frequentemente abreviado simplesmente para Sindicato dos Trabalhadores, é um sindicato dos Estados Unidos e do Canadá fundado em 1903. Em 2017, a organização contava com cerca de 500 mil membros, dos quais aproximadamente 80 mil estavam no Canadá. O atual presidente-geral é Brent Booker, nomeado para o cargo em 2023. A LIUNA está organizada em nove regiões na América do Norte, as quais são subdivididas em cerca de 500 sindicatos locais. Uma dessas regiões está localizada em Toronto, no Canadá, e é liderada por Joseph Mancinelli. O Local 183 é o maior sindicato local da construção civil da América do Norte.
História 1900–1920 As origens da LIUNA remontam ao século XIX, quando sindicatos locais da construção civil começaram a surgir em diversas regiões dos Estados Unidos. Em março de 1903, Samuel Gompers, presidente da American Federation of Labor (AFL), convenceu com sucesso diversos sindicatos locais da construção civil de todo o país a se unirem para fortalecer sua atuação contra práticas trabalhistas consideradas injustas.
Como resultado, em 13 de abril de 1903, foi fundada, durante uma convenção realizada em Washington, D.C., a International Hod Carriers and Building Laborers' Union (IHC and BLC). A convenção contou com a participação de 25 delegados representando 23 sindicatos de 17 cidades diferentes. Durante o encontro, os delegados elegeram Herman Lilien como presidente-geral, Harold Stemburgh como secretário-tesoureiro-geral e aprovaram uma Declaração de Princípios.
Os delegados também elaboraram a primeira carta sindical da organização, que estabelecia sua jurisdição sobre:
Demolição de edifícios; escavações; abertura de valas, pilares, fundações e poços; execução de escoramentos, revestimentos e trabalhos com caixões de fundação; preparo e lançamento de concreto para edifícios, fundações e pisos, manualmente ou por qualquer outro processo; assistência aos pedreiros; mistura e manuseio de todos os materiais utilizados pelos pedreiros (exceto assentadores de pedra); construção de estruturas de apoio para obras à prova de fogo; assistência aos carpinteiros; preparação e mistura de materiais para reboco; remoção de entulho; escoramento, reforço e elevação de edifícios antigos; secagem de reboco com aquecedores do tipo salamandra; e manuseio de pedras dimensionadas.
Nove anos depois, em 1912, o sindicato passou por duas mudanças de nome. Em setembro, adotou a denominação International Hod Carriers and Common Laborers of America. Em dezembro do mesmo ano, seu nome foi novamente alterado para International Hod Carriers' Building and Common Laborers of America.
Durante as primeiras décadas do século XX, o sindicato obteve aumentos salariais significativos para seus membros em Pittsburgh, Nova Iorque e Chicago, além de organizar greves em Boston, St. Louis e Filadélfia. Em 1920, o número de associados havia alcançado 96 mil. O sindicato também apoiou as reivindicações de trabalhadores afro-americanos para que fossem admitidos como membros em igualdade de condições, recusando a autorização para a criação de sindicatos segregados em Kansas City e Cincinnati.
1921–1940 Em 1929, o sindicato expandiu sua representação ao incorporar a Tunnel and Subway Constructors' International Union of North America. Oito anos depois, voltou a ampliar sua base com a incorporação da International Union of Pavers, Rammermen, Flag Layers, Bridge and Stone Curb Setters and Sheet Asphalt Pavers.
Entretanto, durante a Grande Depressão, na década de 1930, o número de associados caiu para menos de 30 mil, à medida que um número crescente de trabalhadores perdia seus empregos.
Em 1940, o sindicato transferiu sua sede internacional de Massachusetts para Washington, D.C. Em outubro do mesmo ano, as contribuições sindicais foram suspensas em apoio ao iminente envolvimento dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.
1941–1960 Em 1942, apesar da queda no número de associados durante os primeiros anos da Grande Depressão, a filiação voltou a superar 400 mil membros, mais da metade dos quais deixou seus empregos para servir na Segunda Guerra Mundial.
Em setembro de 1946, durante a convenção geral realizada em Chicago, o sindicato criou uma revista mensal intitulada The Laborer. A primeira edição, entretanto, só foi publicada em junho de 1947. Alguns meses depois, em setembro, o sindicato assinou seu primeiro acordo coletivo nacional para trabalhadores de oleodutos e gasodutos, garantindo proteção salarial, benefícios e normas de segurança para esses profissionais.
Durante a década de 1950, o sindicato obteve importantes avanços na área de saúde e assistência social. Em 1956, por exemplo, os trabalhadores representados pela LIUNA em Pittsburgh conseguiram instituir planos de aposentadoria. Em 1955, o sindicato também colaborou para a criação do National Joint Heavy and Highway Construction Committee, cujo objetivo era assegurar que seus membros pudessem aproveitar as oportunidades de emprego geradas pela Lei Federal de Rodovias Interestaduais de 1954.
1961–1980 Em 1962, dirigentes da LIUNA reuniram-se com o presidente John F. Kennedy na Casa Branca para assumir o compromisso de não praticar discriminação nas contratações. Após o assassinato de Kennedy, o sindicato voltou à Casa Branca, desta vez para declarar apoio ao programa da Guerra contra a Pobreza do presidente Lyndon B. Johnson.
Membros da LIUNA também participaram da Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade, liderada por Martin Luther King Jr., em 1963.
Em 1965, o sindicato adotou oficialmente o nome Laborers' International Union of North America (LIUNA). No ano seguinte, criou a Laborers' Political League, com o objetivo de influenciar a atividade política e incentivar seus membros a participarem do processo eleitoral.
Em 1968, o sindicato ampliou sua base ao incorporar mais de 60 mil trabalhadores da National Association of Post Office Mail Handlers, Watchmen, Messengers and Group Leaders. No mesmo período, a Journeyman Stone Cutters' Association of North America também passou a integrar a LIUNA.
Durante a década de 1970, a LIUNA continuou promovendo melhorias na formação e na qualificação profissional de seus trabalhadores, apesar da desaceleração no setor da construção civil. Em 1971, o Laborers–Associated General Contractors Fund produziu um filme educativo e realizou sua primeira conferência nacional de treinamento.
Em 1974, a LIUNA auxiliou na organização sindical de trabalhadores hospitalares por meio do Departamento de Funcionários Públicos da AFL–CIO. No mesmo ano, firmou um acordo coletivo nacional com empreiteiros do setor de alvenaria e assentamento de tijolos.
Em 1976, a LIUNA iniciou programas de capacitação de mulheres para atuar na construção civil, utilizando recursos da Comprehensive Employment and Training Act. Entre outras conquistas da década de 1970 destacam-se a criação de novos planos de aposentadoria nos estados do centro e do sul dos Estados Unidos, serviços jurídicos para os membros da Local 229, na Luisiana, e a implantação de um centro de atendimento oftalmológico para associados em Massachusetts.
1981–2000 Em 1981, sindicatos locais da LIUNA em Nova Iorque buscaram ampliar os benefícios oferecidos aos seus associados por meio da criação de programas de reabilitação para dependentes de álcool e drogas. No mesmo ano, a LIUNA fundou a New England Laborers' Training Academy (NELTA), com o objetivo de conscientizar os trabalhadores sobre os riscos do amianto e capacitá-los para sua remoção segura.
Seis anos depois, a LIUNA firmou um acordo nacional com a Asbestos Abatement Contractors Association, garantindo condições de trabalho mais seguras para todos os seus membros. Dois anos antes, o sindicato havia obtido outra conquista importante quando o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos reconheceu oficialmente os sinalizadores de obras rodoviárias como integrantes da categoria representada pela LIUNA, assegurando-lhes maior proteção salarial.
Em 1988, a LIUNA criou o Laborers' Health and Safety Fund of North America, um fundo administrado conjuntamente por representantes dos trabalhadores e dos empregadores para promover melhorias nas condições de saúde e segurança ocupacional. No ano seguinte, sindicatos locais de Baltimore e Washington, D.C. seguiram o exemplo das unidades de Nova Iorque e implantaram programas de reabilitação para dependência de álcool e drogas. Posteriormente, essas iniciativas foram estendidas para sindicatos da organização em outras partes dos Estados Unidos.
Durante a década de 1990, a LIUNA implementou diversas iniciativas destinadas a fortalecer e ampliar sua atuação sindical. Em 1994, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos reconheceu oficialmente a construção civil como uma ocupação elegível para programas formais de aprendizagem profissional, permitindo que a LIUNA criasse seu próprio programa de formação de aprendizes.
Em 1998, o sindicato criou seu Departamento de Funcionários Públicos. Como resultado, passou a representar aproximadamente 5.200 funcionários do condado de Riverside, na Califórnia, além de membros da Canadian Licensed Practical Nurses Association.
Na década de 1990, investigações revelaram a infiltração do crime organizado em algumas filiais da LIUNA. Em um dos casos mais conhecidos, a ala da máfia de Buffalo, em Nova Iorque, controlou durante décadas a Local 210 do sindicato. Uma longa investigação sobre as atividades da organização levou, em 2006, à expulsão definitiva do grupo criminoso da estrutura sindical.
2001–presente Em 2001, membros da LIUNA participaram dos trabalhos de limpeza e recuperação do Marco Zero, em Nova Iorque, após os atentados de 11 de setembro de 2001.
Em 2003, ano em que o sindicato comemorou seu centenário, a LIUNA liderou a criação de sua primeira charter school voltada para a construção civil. A Cranston Public Schools Construction and Career Academy é uma escola de ensino médio que prepara estudantes para atuar na indústria da construção e apresenta oportunidades de carreira no setor.
Durante a convenção de 2011, a LIUNA aprovou diversas resoluções destinadas a ampliar sua atuação política por meio do comitê de ação política (political action committee – PAC) da organização.
Em 1.º de junho de 2006, Terence M. O'Sullivan anunciou que a LIUNA havia se desfiliado da AFL–CIO para integrar a Change to Win Federation."Laborers' Announce Official Split With AFL-CIO As of June 1." Engineering News-Record. May 29, 2006; "Laborer's to Make AFL-CIO Break Official." Chicago Sun Times. May 23, 2006. Contudo, em 13 de agosto de 2010, dirigentes da LIUNA anunciaram que o sindicato deixaria a Change to Win e retornaria à AFL–CIO em outubro do mesmo ano."Construction Workers' Union to Rejoin A.F.L.-C.I.O.", Associated Press. August 14, 2010.
Em maio de 2016, durante a eleição presidencial nos Estados Unidos em 2016, a LIUNA doou US$ 1 milhão ao Priorities USA Action, um Super PAC que apoiava a candidatura da democrata Hillary Clinton à presidência dos Estados Unidos.
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