miniaturadaimagem|Palestra "Dicas de Como Chegar Lá"|304x304px Ernesto Mário Haberkorn (São Paulo, 13 de outubro de 1943) é um empresário, escritor e palestrante brasileiro, com mais de sessenta anos de trajetória no setor de tecnologia da informação. É conhecido por ser o fundador da SIGA e cofundador, ao lado de Laércio Cosentino, da Microsiga, empresa que mais tarde deu origem à TOTVS, uma das maiores companhias de software de gestão empresarial (ERP) da América Latina. Em 2025, a revista Forbes Brasil o incluiu em sua lista de bilionários do país.
Biografia
Início de vida e formação Ernesto Mário Haberkorn nasceu em São Paulo em 13 de outubro de 1943, no auge da Segunda Guerra Mundial, filho de Werner Haberkorn e Luize Haberkorn, casal de imigrantes alemães que havia deixado a Europa poucos anos antes, fugindo do avanço do nazismo. Seu pai, natural da Alta Silésia, sub-região histórica e cultural localizada no sudeste da grande região da Silésia, cujo território está hoje dividido principalmente entre o sul da Polônia e uma pequena parte da República Tcheca, chegara ao Brasil em 1937 e se estabeleceu em São Paulo, onde fundou, ao lado do irmão Gerhard Haberkorn, a Fotolabor, uma das primeiras empresas de produção de cartões-postais do país, cujo acervo fotográfico é hoje considerado um dos registros históricos mais relevantes da transformação urbana da cidade nas décadas de 1940 e 1950.
O acervo fotográfico de Werner Haberkorn foi doado pela família ao Museu Paulista da Universidade de São Paulo (Museu do Ipiranga), onde é preservado desde 1999 como a Coleção Werner Haberkorn, reunindo cerca de 600 negativos originais. A partir desse acervo, nasceu o livro Fotolabor: A Fotografia de Werner Haberkorn (Espaço Líquido Editora, 2014), de autoria de Bruna Callegari, Rafael Buosi, Solange Ferraz de Lima, Rubens Fernandes Jr. e Ricardo Mendes, resultado de um projeto de digitalização e resgate histórico do trabalho do fotógrafo.
Cresceu em meio ao ambiente empresarial criado pelo pai, frequentando desde cedo o estúdio fotográfico da família. Iniciou sua vida escolar no Externato Teixeira Branco e, na sequência, cursou o Colégio Dante Alighieri, ambos em São Paulo. Ainda adolescente, aos 15 anos, começou a trabalhar na Fotolabor, dando os primeiros passos numa trajetória profissional que, décadas depois, o levaria a um universo bem distante da fotografia: o da computação.
Formou-se, na terceira turma, em Administração de Empresas pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV), ainda na década de 1960. Muitos anos mais tarde, já consolidado como um dos nomes mais conhecidos da tecnologia brasileira, retomou os estudos formais: em 2004, obteve o título de mestre em Engenharia de Computação pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), na área de concentração de Engenharia de Software, sob orientação do professor Robert Liang Koo. Sua dissertação, intitulada "A formação do desenvolvedor de Aplicativo de Software no Brasil (Perfil, Deficiências, Causas e Soluções)", concluiu que a maioria dos desenvolvedores de software no país adquiria suas habilidades de programação no próprio ambiente de trabalho ou em cursos e treinamentos custeados pelas empresas empregadoras, e não por meio da formação universitária tradicional.
miniaturadaimagem|Autografando livro para alunos de curso de Tecnologia|300x300px Antes de fundar sua primeira empresa, Haberkorn passou por uma sequência de experiências profissionais que o aproximariam, cada vez mais, do universo da computação. Trabalhou na Willys-Overland do Brasil, montadora de veículos então instalada no país, na Johnson & Johnson e na OECI, Organização dos Economistas Consultores Industriais Ltda. Passou também pela Deca (posteriormente incorporada ao Grupo Itaú), pela Metal Leve, pela Honeywell Bull e pela ESC (Siemens). Pela Honeywell Bull, viveu uma temporada em Paris, na França, onde teve contato direto com os sistemas Gamma 10 e GE 120, tecnologias então de ponta no processamento de dados. Já pela ESC (Siemens), passou um período na Alemanha, onde aprofundou-se no principal sistema de mainframe comercializado pela companhia à época, o Siemens System 4004. Essas experiências internacionais, somadas à vivência em diferentes setores da indústria, formaram a base técnica e comercial que, poucos anos depois, o levaria a fundar sua própria empresa de sistemas de gestão: a SIGA, que anos depois passaria a ser chamada Microsiga e mais adiante TOTVS.
Carreira empresarial Em 1973, Haberkorn publicou seu primeiro livro sobre sistemas de gestão, Introdução à Análise de Sistemas, pela editora Atlas, um dos primeiros escritos em língua portuguesa sobre o tema. A obra, com 305 páginas, está dividida em três partes: aspectos gerais de implantação e etapas de levantamento; aplicações e suas respectivas análises; e aspectos técnicos do processamento de dados. O prefácio foi assinado por Edes Landim, então presidente da Sociedade dos Usuários de Informática e Telecomunicações (SUCESU) Nacional, entidade que passou a adotar a obra como referência no setor de tecnologia da informação no país. O livro tornou-se um dos primeiros manuais de Análise de Sistemas amplamente adotados em universidades e cursos técnicos brasileiros, dirigido a estudantes e profissionais de computação, análise de sistemas, administração, engenharia, economia, física e matemática.
Fundou a SIGA (Sistemas Integrados de Gerência Automática). Em 1983, aos 40 anos, associou-se a Laércio Cosentino, seu funcionário, então com 23 anos e diretor de processamento de dados da SIGA, para fundar a Microsiga, voltada ao desenvolvimento de softwares de gestão para microcomputadores (ERP), num período em que o mercado brasileiro ainda era dominado por mainframes. Os dois tornaram-se sócios em partes iguais. Na sociedade, Haberkorn ficou responsável pela área técnica e de desenvolvimento de sistemas, enquanto Cosentino concentrou-se na gestão e na estratégia comercial da empresa. Em 1989, a operação da SIGA foi integralmente consolidada sob o nome Microsiga, marcando a transição definitiva do foco da empresa para os sistemas voltados a microcomputadores, em detrimento dos mainframes que até então dominavam o mercado.
A empresa cresceu ao longo dos anos seguintes por meio de um modelo de franquias e expansão para outros países da América Latina. Nesse período, os sistemas da Microsiga passaram do dBASE para o Clipper, linguagem mais estruturada e adequada aos desafios comerciais crescentes. A empresa lançou posteriormente o Protheus, seu sistema de gestão empresarial (ERP), e desenvolveu o ADVPL (Advanced Protheus Language), linguagem de programação proprietária criada para sustentar o crescimento do produto e diferenciá-lo da concorrência. Para fazer frente à concorrência de empresas internacionais como a holandesa BAAN, a alemã SAP e a norte-americana Oracle, a Microsiga uniu-se, em 2005, a concorrentes nacionais como a LogoCenter, fundada por um grupo de empreendedores em Joinville, Santa Catarina, tendo como uma de suas figuras centrais e principais sócios-fundadores o empresário Álvaro Junckes e na época presidida por Orlando Watkzo, a RM Sistemas, fundada por Rodrigo Mascarenhas, e a DataSul, fundada por Miguel Abuhab, ainda como empresa de capital fechado. Nesse mesmo período, a companhia foi a primeira do Brasil a receber o prêmio de melhor governança corporativa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).
No ano seguinte à fusão, a empresa adotou o nome TOTVS, derivado da expressão latina Totus tuus ("inteiramente teu"), lema pessoal do papa João Paulo II. A ideia partiu de Laércio Cosentino, que se deparou com a expressão ao ler uma publicação sobre a morte do pontífice e a reinterpretou no contexto empresarial como "tudo é de todos". A grafia com "V" no lugar do "U" remete ao latim clássico, cujo alfabeto não possuía essa vogal.
Em 9 de março de 2006, a TOTVS realizou sua oferta pública inicial de ações (IPO) na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), tornando-se a primeira empresa de software da América Latina a estrear no Novo Mercado. A operação movimentou cerca de R$ 460 milhões, aproximadamente US$ 213 milhões à época, entre ofertas primária e secundária.
Haberkorn permanece como um dos principais acionistas da TOTVS. Em 2025, a revista Forbes Brasil estimou sua fortuna em R$ 1,4 bilhão, proveniente da segunda maior participação acionária individual na companhia, incluindo-o em sua lista de bilionários brasileiros do setor de tecnologia. Ele figurou também na edição de 2024 da mesma lista.
Em palestra promovida pela Endeavor Brasil, Laércio Cosentino citou Ernesto Haberkorn como uma das três figuras fundadoras de sistemas integrados de gestão empresarial (ERP) no mundo.
Atuação posterior Após deixar a operação da TOTVS, Haberkorn fundou a TI Educacional, empresa voltada ao ensino de conceitos de ERP e à formação profissional em tecnologia da informação. Pouco depois, criou também a ERPFlex, considerado o primeiro ERP nacional totalmente baseado em computação em nuvem (cloud computing).
Foi presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet (ASSESPRO) nas décadas de 1990 e 2000, e voltou a assumir, em 2026, cargo na diretoria de Transformação Empresarial e Qualidade de Vida da entidade, na representação de São Paulo.
Haberkorn também atuou como professor em faculdades de Administração de Empresas e Sistemas de Informação, lecionando a disciplina de Gestão Empresarial com ERP.
Haberkorn é também cofundador, ao lado de Laércio Cosentino, do Instituto da Oportunidade Social (IOS), organização social fundada em 1998 e voltada à formação profissional gratuita de jovens. Em 2026, após 28 anos de atuação, a entidade passou a se chamar Instituto Percorre.
Como palestrante, participa regularmente de eventos sobre empreendedorismo, tecnologia e inovação.
Ativo nas redes sociais, criou em 2018, aos 74 anos, o programa semanal em vídeo Ernesto Responde, veiculado no YouTube e voltado a conteúdos sobre gestão empresarial, tecnologia e empreendedorismo.
Haberkorn é também fundador dos hotéis fazenda Morros Verdes, em Ibiúna, e Banana Bamboo, no bairro de Ubatumirim, em Ubatuba, ambos no estado de São Paulo.
É também criador do movimento NETAS, sigla para Natureza, Esporte, Trabalho, Amor e Saúde, conjunto de dez princípios sobre qualidade de vida e desenvolvimento pessoal aplicados em palestras e atividades corporativas:
Atividade física todos os dias Alimentação equilibrada e orgânica Dormir o suficiente para sentir-se descansado Fazer do trabalho um lazer, um prazer Ler, estudar, estar sempre bem informado Viver a própria espiritualidade Amar a família e os amigos Não ter inimigos Agir com ousadia, calma e persistência Cumprir as metas estabelecidas
O movimento deu origem a uma empresa homônima, também fundada por Haberkorn, voltada a treinamentos comportamentais e atividades de team building para empresas.
Vida pessoal Haberkorn é pai de três filhos e avô de seis netos.
Rumo aos 100 anos, segue trabalhando ativamente, resumindo sua filosofia de vida na frase "Se eu morrer de tarde, quero ter trabalhado de manhã". Pratica atividades físicas regularmente, com destaque para a natação.
Obras publicadas
Haberkorn é autor de catorze livros sobre tecnologia da informação e gestão empresarial, publicados ao longo de mais de cinco décadas.
Seu primeiro livro, Introdução à Análise de Sistemas (Atlas, 1973), tem 299 páginas e é dividido em três partes: aspectos gerais de implantação e etapas de levantamento; as aplicações propriamente ditas; e aspectos técnicos de processamento de dados. A obra tornou-se referência em universidades e cursos técnicos, com prefácio de Edes Landim, então presidente da Sociedade dos Usuários de Informática e Telecomunicações (SUCESU) Nacional.