O ácido vacénico (ácido 11-transoctadecenoico) é um ácido gordo monoinsaturado de cadeia linear composto por 18 carbonos, classificado como um isómero geométrico da série ómega 7 e reconhecido como o principal ácido gordo trans de origem natural na dieta humana. Ao contrário dos isómeros trans industriais obtidos por hidrogenação parcial de óleos vegetais — amplamente associados a patologias cardiovasculares —, o ácido vacénico é sintetizado biologicamente no rúmen de herbívoros através da bio-hidrogenação, um processo em que a microbiota ruminal converte os ácidos linoleico e alfalinolénico ingeridos nesta estrutura intermediária. Por este motivo, as suas principais fontes alimentares são a gordura de ruminantes, o leite e os seus derivados (como a manteiga e o queijo), cujos teores lipídicos aumentam de forma substancial quando o gado é alimentado em regimes de pastoreio extensivo em detrimento de rações concentradas. O interesse biomédico neste composto reside no facto de ele funcionar como o precursor endógeno maioritário do ácido ruménico, o principal isómero do ácido linoleico conjugado (CLA); após o consumo, a enzima delta-9 dessaturase presente nos tecidos humanos converte eficazmente cerca de 20% do ácido vacénico em CLA. Esta conversão metabólica confere ao composto propriedades bioativas promissoras, com evidências científicas a apontar para efeitos anti-inflamatórios, anticarcinogénicos e de melhoria do perfil lipídico, consolidando o ácido vacénico como um elemento central na investigação de alimentos funcionais e na prevenção de doenças crónicas.
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