Suêd Haidar Nogueira (São Luís Gonzaga do Maranhão, 30 de novembro de 1958) é uma empresária e política brasileira. É fundadora do Partido da Mulher Brasileira (PMB), legenda que posteriormente passou a se chamar Democrata, e sua presidente nacional. Em 2025, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou a alteração da denominação do PMB para Democrata, mantendo o número eleitoral 35.
Biografia
Suêd Haidar nasceu em São Luís Gonzaga do Maranhão, no Maranhão, em uma família de origem humilde. Segundo relatos biográficos publicados sobre sua trajetória, durante a infância trabalhou em atividades como quebra de coco, coleta de caranguejos, captura de camarões e em uma pedreira. Em relato posteriormente reproduzido por publicação dedicada à história do PMB, afirmou que trabalhava em uma pedreira com um irmão e recebia remuneração inferior à dele apesar de, segundo seu relato, quebrar a mesma quantidade de pedras.
Em 1977, mudou-se para o Rio de Janeiro. Segundo sua própria biografia divulgada pelo PMB, chegou à cidade grávida de oito meses para visitar a mãe, que trabalhava como empregada doméstica, e permaneceu no estado. Seu primeiro trabalho no Rio de Janeiro foi como faxineira. Posteriormente, trabalhou como camelô e passou a desenvolver atividades comunitárias na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Em Costa Barros, bairro da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, criou a Creche Santa Clara, voltada ao atendimento de crianças da região. Segundo relato divulgado pelo PMB, a iniciativa surgiu após Haidar perceber as dificuldades enfrentadas por mulheres do bairro para trabalhar sem dispor de local para deixar os filhos.
Em 2022, a Agência Senado registrou que Haidar havia concluído o ensino médio e morava no Rio de Janeiro havia 45 anos. A publicação também a identificou como fundadora da Creche Santa Clara e presidente nacional do PMB.
Trajetória política
Suêd Haidar participou da organização do Partido Democrático Trabalhista (PDT) durante o processo de criação da legenda liderada por Leonel Brizola, no final da década de 1970. Posteriormente, filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
Em 2010, foi lançada como pré-candidata ao Senado Federal pelo PCdoB, mas a candidatura não chegou a ser formalizada. Segundo relato atribuído a Haidar, a experiência contribuiu para sua decisão de organizar uma nova legenda.
Partido da Mulher Brasileira
Em 2008, Suêd Haidar iniciou a organização do Partido da Mulher Brasileira. Segundo declaração dada por ela ao Senado Federal, a criação do partido foi motivada pela defesa de uma maior participação das mulheres na política partidária.
O processo de criação da legenda se estendeu por vários anos. Em 29 de setembro de 2015, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral aprovou, por unanimidade, o registro do estatuto e do órgão nacional do PMB. A legenda tornou-se a 35.ª agremiação partidária com registro deferido pelo TSE naquele momento.
Haidar permaneceu à frente da direção nacional do partido. Em 2015, classificou o PMB como uma legenda de centro-esquerda e afirmou que seu objetivo era ampliar a participação feminina na política. Apesar da denominação, declarou que o partido não era feminista, mas "feminino", e afirmou que homens poderiam integrar a legenda.
Naquele período, a composição do partido chamou atenção pela presença de parlamentares homens. Em novembro de 2015, sete deputados federais haviam se filiado à legenda, todos homens. Em 2018, o partido lançou 226 homens e 163 mulheres candidatos a cargos legislativos, segundo levantamento publicado pela UOL.
Em relação a questões sociais, Haidar afirmou ser contrária à legalização do aborto e rejeitou a identificação do PMB com o movimento feminista. Em entrevista de 2015, também classificou a legenda como de centro-esquerda.
Candidaturas eleitorais
Deputada federal em 2018
Nas eleições gerais de 2018, Suêd Haidar candidatou-se ao cargo de deputada federal pelo PMB no estado do Rio de Janeiro. Obteve 5.279 votos e não foi eleita.
Prefeita do Rio de Janeiro em 2020
Em 2020, Haidar foi candidata à Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PMB. Sua candidatura foi oficializada em setembro daquele ano.
Na eleição, obteve 3.833 votos, correspondentes a 0,15% dos votos válidos, e não foi eleita.
Senadora em 2022
Em 2022, Suêd Haidar candidatou-se ao Senado Federal pelo PMB no estado do Rio de Janeiro, utilizando o número eleitoral 355. A Agência Senado registrou sua candidatura entre as 13 candidaturas ao Senado pelo estado naquele pleito.
Haidar obteve 11.933 votos, correspondentes a 0,15% dos votos, e terminou a disputa em nono lugar.
Vereadora no Rio de Janeiro em 2024
Em 2024, Haidar candidatou-se ao cargo de vereadora do Rio de Janeiro pelo PMB. Sua candidatura foi deferida pela Justiça Eleitoral.
Na eleição, obteve 2.576 votos, correspondentes a 0,10% dos votos, e não foi eleita.
Controvérsias
Operação Sólon
Durante as eleições municipais de 2020, Suêd Haidar e sua então candidata a vice-prefeita, Jéssica Rabello Guimarães, foram alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sólon. A operação investigava suspeitas de lavagem de dinheiro proveniente de uma milícia para financiamento de campanhas eleitorais no Rio de Janeiro.
Jéssica Rabello Guimarães é filha de Natalino Guimarães, que havia sido condenado por participação na milícia conhecida como Liga da Justiça. Segundo o SBT News, as buscas ocorreram nos comitês de campanha das duas candidatas. As candidatas afirmaram estar à disposição da Justiça para o esclarecimento dos fatos.
Recursos de campanha
Durante a campanha para a Prefeitura do Rio de Janeiro em 2020, reportagens baseadas nas prestações de contas eleitorais apontaram que Suêd Haidar recebeu aproximadamente R$ 320 mil em recursos públicos do PMB, valor correspondente a cerca de um quarto dos recursos nacionais de campanha distribuídos pela legenda naquele momento.
Em 2023, levantamento publicado pela Folha de S.Paulo apontou que, na campanha de 2022, quando disputou o Senado, Haidar também recebeu aproximadamente 30% do Fundo Eleitoral distribuído pelo PMB, tendo obtido 0,15% dos votos válidos.
Prestação de contas do PMB
Em 2020, o Tribunal Superior Eleitoral desaprovou as contas do Diretório Nacional do PMB referentes ao exercício financeiro de 2015. O Tribunal identificou irregularidades que totalizavam R$ 135,6 mil, correspondentes a 46,62% dos recursos do Fundo Partidário recebidos pelo partido naquele exercício.
Entre as irregularidades apontadas estava a não aplicação do percentual mínimo de recursos do Fundo Partidário destinado a programas de promoção e difusão da participação política das mulheres. O TSE determinou a devolução de valores aos cofres públicos e a suspensão do repasse de cinco cotas do Fundo Partidário, dividida em 12 parcelas.
Suêd Haidar aparece no processo de prestação de contas como uma das responsáveis pela documentação apresentada pelo diretório nacional do partido.
Disputas internas do partido
Na condição de presidente nacional do PMB, Suêd Haidar também esteve envolvida em disputas judiciais relacionadas à destituição de órgãos partidários estaduais e municipais.
Em 2024, a presidente da comissão provisória municipal do PMB em Fortaleza impetrou mandado de segurança contra ato de Haidar que havia inativado a comissão às vésperas das eleições municipais. Em 2026, o TSE manteve decisão que reconheceu a nulidade do ato por ausência de observância adequada do contraditório e da ampla defesa.
Também em 2024, houve disputa judicial envolvendo a direção nacional do PMB e o órgão partidário estadual de Goiás. O processo registrou alegação de destituição da comissão provisória estadual por ato atribuído à presidente nacional do partido.
No mesmo período, uma disputa envolvendo a direção nacional e órgãos partidários do PMB no Paraná também chegou ao TSE. O processo tratou de atos de dissolução ou inativação de órgãos partidários municipais atribuídos à direção nacional, tendo Suêd Haidar figurado como autoridade apontada no processo.
Posicionamentos e alianças políticas
Em 2024, Suêd Haidar representou o PMB no anúncio do apoio da legenda à candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) à Prefeitura de São Paulo. A aliança ocorreu apesar de o PMB também abrigar filiados e grupos identificados com posições políticas conservadoras.
Na ocasião, Haidar voltou a afirmar que o PMB não era um partido feminista e contestou a associação da legenda ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mudança do PMB para Democrata
A legenda fundada por Suêd Haidar manteve o número eleitoral 35 após a alteração de sua denominação. Em 2 de dezembro de 2025, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou parcialmente o pedido de alteração estatutária apresentado pelo Partido da Mulher Brasileira, incluindo a mudança de seu nome para Democrata.
O cadastro do TSE identifica atualmente a legenda como Democrata, número 35, e registra Suêd Haidar Nogueira como presidente nacional. A certidão da Justiça Eleitoral registra a atual comissão executiva nacional com vigência de 6 de maio de 2025 a 5 de maio de 2029.
Desempenho eleitoral AnoEleiçãoPartidoCargoVotosResultadoRef. 2018 Geral de 2018 PMB Deputada federal 2020 Municipal no Rio de Janeiro PMB Prefeita 2022 Geral de 2022 PMB Senadora 2024 Municipal no Rio de Janeiro PMB Vereadora 2026 Presidencial do Brasil Democrata Vice-presidente
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