miniaturadaimagem|VJ Spetto durante uma palestra na Campus Party Brasil, em 2012. Ricardo Lara, conhecido pelo nome artístico VJ Spetto (Santos, São Paulo), é um artista audiovisual, VJ, programador e curador brasileiro. Considerado um dos pioneiros do VJing no Brasil, atua com manipulação de imagens ao vivo, projeção mapeada, instalações interativas e cinema imersivo.

Trajetória Nascido em Santos, Ricardo Lara começou a apresentar-se como VJ no circuito de música eletrônica, acompanhando DJs de techno. Em 2003, uma reportagem da revista Superinteressante abordou sua atuação na cena audiovisual e a criação do VRStudio, programa desenvolvido pelo artista para edição e manipulação de imagens em tempo real.

Ao longo dos anos 2000, especializou-se em projeções de grande formato e em sistemas com múltiplas telas. Em 2007, realizou uma projeção no Royal Festival Hall, em Londres, durante a programação de verão do Southbank Centre. No ano seguinte, venceu, ao lado de VJ Zaz, a edição internacional da competição VJ Torna, realizada em Budapeste.

Spetto cofundou com VJ Zaz o coletivo internacional United VJs, voltado à projeção mapeada, cenografia audiovisual e produções em cúpulas de planetários. Também fundou a VJ University, plataforma de formação em arte e tecnologia para artistas audiovisuais.

Em 2010, participou da Mostravídeo Itaú Cultural, no Paço da Liberdade, em Curitiba, com uma performance baseada na construção de narrativas audiovisuais ao vivo. Em 2012, ministrou oficinas de projeção mapeada no Paço das Artes, em São Paulo.

Trabalhos e curadoria Na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Spetto foi responsável por selecionar e coordenar a equipe de artistas visuais encarregada das projeções no gramado do Maracanã. O trabalho envolveu uma equipe formada por integrantes do United VJs e o desenvolvimento de recursos de controle digital das sombras produzidas pelos projetores.

Em 2018, realizou com o United VJs uma instalação interativa de projeção mapeada na fachada do Sesc Avenida Paulista, concebendo o edifício como suporte para uma obra de arte digital no espaço urbano.

Como curador, esteve à frente da segunda edição do Arts SP, mostra de projeções mapeadas realizada em 2022 no Elevado Presidente João Goulart, o Minhocão, em São Paulo. Em 2024, participou do festival internacional de arte audiovisual FOTONICA, em Roma, com trabalhos em formato fulldome.

Entre outros projetos, realizou trabalhos audiovisuais ligados a eventos como Rock in Rio, Primavera Sound e The Town, além de produções para a UNESCO, a Rede Globo e o Museu da Imagem e do Som de São Paulo.

Colaborações artísticas No início da carreira, Spetto criou e manipulou imagens em apresentações de músicos da cena eletrônica brasileira, entre eles DJ Marlboro, DJ Marky, DJ Patife e a dupla de techno Ana & David. Em 2017, desenvolveu com a cantora e performer Lia Paris a performance audiovisual LVA Vermelha, na qual projeções de video mapping e body mapping eram sincronizadas em tempo real com quatro canções interpretadas pela artista.

Spetto também colaborou com a artista transdisciplinar Luiza Jesus do Prado (Hifa Cybe). No projeto artístico e de pesquisa Psilocybin Visual and Sensory Therapy, iniciado por Prado em 2022, ele desenvolveu o mapeamento da sala imersiva apresentada na primeira experimentação pública do trabalho, durante o Circuito de Ateliês da SP-Arte, no centro de São Paulo. A instalação também reuniu colaborações de Célio Barros na área sonora e de Guilherme Todorov em arte 3D e motion design. Em 2025, Hifa Cybe integrou a terceira edição do Arts SP, sob curadoria de Spetto, ao lado de Aline Fixxa, Icone K, Leticia Pantoja, Luma Assis, Moluco, Paulo Sayeg, SOW84, VJ Erms e VJ Grazzi.

Em 2021, dirigiu uma ação de projeção mapeada criada para o lançamento de Chegou Quem Faltava, do Charlie Brown Jr., em homenagem a Chorão, com codireção de Giuliano Chiaradia. No filme A Fúria, dirigido por Ruy Guerra, Spetto respondeu pela direção de video mapping em uma equipe que reuniu o diretor de fotografia Luís Abramo e a diretora de arte Beatriz Peregrino. Em 2023, realizou ainda projeções para um concerto de Andrea Bocelli no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, na França.

Na abertura dos Jogos Olímpicos de 2016, coordenou uma equipe visual formada pelos VJs Erms, Robson Victor e Thomás Mena e pelo artista de efeitos visuais Henrique Delgado. O trabalho integrou a cerimônia dirigida por Fernando Meirelles, Daniela Thomas e Andrucha Waddington, com coreografia de Deborah Colker.

Linguagem artística A produção de Spetto combina programação, bancos de imagens e improvisação audiovisual. No VRStudio, imagens arquivadas eram associadas ao teclado do computador e podiam ser selecionadas e transformadas durante a apresentação, como se fossem "digitadas" ao vivo. Em seus trabalhos de grande escala, a projeção é empregada para modificar a percepção da arquitetura e criar uma relação entre imagem, som, ambiente e público.

Ver também

Arte digital Cinema expandido Videoarte

Referências

Ligações externas

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