Abu Alás ibne Arrabi (; m. 12 A.H. / ), cujo nome pessoal é geralmente registrado como Laquite, foi um comerciante coraixita e genro do profeta islâmico Maomé por seu casamento com Zainabe. Filho de Hala binte Cuailide, irmã de Cadija binte Cuailide, era também sobrinho desta última. Rico e considerado digno de confiança entre os coraixitas, permaneceu inicialmente adepto da religião tradicional de Meca mesmo depois da conversão de sua esposa ao Islã.
Abu Alás combateu contra os muçulmanos na Batalha de Badre, em 624, quando foi capturado e posteriormente libertado, comprometendo-se a permitir que Zainabe emigrasse para Medina. Anos depois, uma caravana sob sua responsabilidade foi capturada por muçulmanos, mas as mercadorias acabaram sendo-lhe restituídas após Zainabe lhe conceder proteção. Abu Alás retornou então a Meca, devolveu aos proprietários os bens que lhe haviam sido confiados, converteu-se ao Islã e emigrou para Medina, onde voltou a viver com Zainabe em 628. O casal teve dois filhos, Ali, que morreu jovem, e Umama. Abu Alás morreu em 634.
Vida
Abu Alás era conhecido sobretudo por sua cúnia. A forma mais aceita para seu nome pessoal é Laquite, embora as fontes também registrem Huxaime, Mixame ou Muexime, Iacime ou Iacir e Alcácime ou Mucacime. Seu pai é geralmente referido como Arrabi, embora também apareça nas fontes como Rabia. Abu Alás tinha ainda o epíteto de Jarw al-Baṭḥāʾ, "filhote de leão de Albata". Sua mãe era Hala binte Cuailide, irmã de Cadija binte Cuailide, esposa de Maomé. Pertencia ao clã açadita dos coraixitas e era um comerciante rico e considerado digno de confiança. Antes do surgimento do Islã, casou-se com Zainabe, filha mais velha de Maomé e Cadija. Zainabe posteriormente converteu-se ao Islã, mas Abu Alás permaneceu adepto da religião tradicional dos coraixitas. Segundo as fontes, os politeístas de Meca ofereceram-lhe casamento com qualquer mulher que desejasse caso repudiasse Zainabe, proposta que ele recusou. Na Batalha de Badre, em 624, combateu ao lado dos coraixitas e foi capturado pelos muçulmanos. Para resgatá-lo, Zainabe enviou, juntamente com outros bens, um colar que Cadija lhe havia dado por ocasião de seu casamento. Ao reconhecê-lo, Maomé teria se comovido e solicitado aos muçulmanos que devolvessem o colar e libertassem Abu Alás, exigindo deste, em contrapartida, que permitisse a partida de Zainabe para Medina. Abu Alás cumpriu o compromisso e enviou a esposa para a cidade, atitude pela qual Maomé posteriormente o teria elogiado, afirmando que lhe dissera a verdade e cumprira sua promessa.
No sexto ano da Hégira (627–628), quando regressava da Síria conduzindo uma caravana com mercadorias que os politeístas lhe haviam confiado, Abu Alás encontrou uma expedição muçulmana comandada por Zaíde ibne Harita; segundo outras versões, encontrou muçulmanos que acompanhavam Abu Bacir e Abu Jandal ibne Suail. Uma tradição afirma que o próprio Maomé enviara a expedição de Zaíde com o objetivo de capturar Abu Alás, sendo o episódio conhecido como Expedição de Alis. Os muçulmanos apoderaram-se da caravana, mas Abu Alás conseguiu escapar. Durante a noite, teria procurado Zainabe e pedido sua proteção; segundo outra versão, enviou-lhe uma mensagem fazendo o mesmo pedido. Zainabe concedeu-lhe proteção, e Maomé comunicou aos homens que haviam capturado a caravana que os bens obtidos lhes pertenciam, mas que ficaria satisfeito caso voluntariamente os devolvessem a Abu Alás. Os bens teriam então sido restituídos integralmente. As fontes preservam outra versão do episódio. Segundo esse relato, ao saberem que Abu Alás se aproximava de Medina com a caravana, alguns muçulmanos teriam planejado atacá-lo, matá-lo e tomar suas mercadorias. Zainabe, ao tomar conhecimento do plano, anunciou ao pai e aos muçulmanos que havia colocado Abu Alás sob sua proteção, impedindo o ataque. Alguns muçulmanos teriam então se dirigido desarmados até ele e, recordando-lhe seu parentesco paterno com Maomé e sua condição de genro do profeta, propuseram que se convertesse ao Islã e lhes entregasse as mercadorias da caravana. Abu Alás recusou, argumentando que fazê-lo constituiria traição à confiança daqueles que lhe haviam confiado os bens.
Ao chegar a Meca, Abu Alás restituiu as mercadorias aos respectivos proprietários e anunciou sua conversão ao Islã, após o que emigrou para Medina. Cerca de seis anos depois da separação do casal, Maomé restituiu-lhe Zainabe, em moarrão de 7 A.H. (maio–junho de 628). As tradições divergem sobre a situação jurídica dessa reunião: segundo algumas, houve um novo casamento e um novo mahr, enquanto outras sustentam que o matrimônio anterior permaneceu válido e não precisou ser renovado. Adaabi situou a conversão de Abu Alás cinco meses antes do Tratado de Hudaibia, em 628. Segundo Ibne Sade, Abu Alás não participou de nenhuma das campanhas militares de Maomé. Albaladuri relata que, depois da Conquista de Meca, estabeleceu-se na cidade. Também se afirma que acompanhou Ali ao Iêmem e ali exerceu uma função durante algum tempo. A tradição de que voltou a residir permanentemente em Meca, contudo, foi considerada questionável em razão da concepção de que o retorno à cidade depois da emigração implicaria a perda do mérito religioso associado à Hégira. Abu Alás não é conhecido por ter transmitido hádices. Morreu em dulrija de 12 A.H. (fevereiro de 634); a tradição que situa sua morte em 11 A.H. (632–633) é considerada menos provável. De seu casamento com Zainabe nasceram dois filhos, Ali e Umama. Ali morreu ainda jovem, enquanto Umama posteriormente se casou com Ali após a morte de Fátima.
Bibliografia
Categoria:Haxemitas (clã coraixita) Categoria:Açaditas (coraixitas) Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Genros de Maomé